{"id":1024,"date":"2021-10-11T20:40:00","date_gmt":"2021-10-11T20:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1024"},"modified":"2021-10-16T20:42:52","modified_gmt":"2021-10-16T20:42:52","slug":"por-que-os-cientistas-ja-sabem-onde-procurar-vida-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/por-que-os-cientistas-ja-sabem-onde-procurar-vida-em-marte\/","title":{"rendered":"Por que os cientistas j\u00e1 sabem onde procurar vida em Marte"},"content":{"rendered":"\n<p>11\/10\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Definitivamente, estamos no lugar certo.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio na equipe cient\u00edfica encarregada pelo ve\u00edculo explorador Perseverance (Perseveran\u00e7a, em portugu\u00eas) que a ag\u00eancia espacial norte-americana, a Nasa, tem em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores agora est\u00e3o confiantes de que enviaram o ve\u00edculo para o local que oferece a melhor chance poss\u00edvel de encontrar vest\u00edgios de vida no planeta vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Percy&#8221;, como o rob\u00f4 \u00e9 carinhosamente chamado, pousou na cratera de Jezero em fevereiro de 2021 e, desde ent\u00e3o, tirou milhares de fotos dos arredores da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o dessas imagens \u00e9 a base do primeiro artigo cient\u00edfico baseado nessas descobertas, publicado nesta semana na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise confirmou que o Perseverance est\u00e1 onde antes era o fundo de um grande lago na superf\u00edcie marciana, alimentado por um rio sinuoso que alcan\u00e7ava uma depress\u00e3o a oeste. Estamos falando de algo que aconteceu h\u00e1 mais de 3,5 bilh\u00f5es de anos, quando o clima de Marte era mais parecido com o da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das observa\u00e7\u00f5es da Perseverance, foi poss\u00edvel descobrir que no local onde o rio se ligava ao lago, o fluxo diminuiu repentinamente e os sedimentos suspensos acabaram por precipitar-se, formando um delta. Trata-se de uma forma\u00e7\u00e3o em forma de cunha que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel ver em muitos locais da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi neste ambiente que alguns microrganismos podem ter se proliferado e talvez deixado vest\u00edgios que ainda hoje seriam conservados.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Sanjeev Gupta, do Imperial College de Londres, co-autor do artigo da Science, comenta: &#8220;Algumas pessoas me disseram: &#8216;O que h\u00e1 de novo nisso? J\u00e1 n\u00e3o sab\u00edamos que havia um delta na cratera de Jezero?&#8217; Bem, na verdade, n\u00e3o sab\u00edamos. Identificamos a partir de imagens orbitais que Jezero continha um delta, mas at\u00e9 que voc\u00ea esteja no solo n\u00e3o pode ter certeza absoluta. Pode ser que estiv\u00e9ssemos olhando para um leque aluvial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um leque aluvial ou cone de deje\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica na qual, em geral, um leque de materiais \u00e9 depositado em um ambiente de muito mais energia, como um mar ou um rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Micr\u00f3bios marcianos, se existissem, teriam preferido as \u00e1guas mais calmas e permanentes de um delta.<\/p>\n\n\n\n<p>O Perseverance pousou a cerca de 2 km do delta principal, mas as imagens capturadas por seu telesc\u00f3pio s\u00e3o mais interessantes, especialmente quando ele est\u00e1 localizado em um monte isolado que os cientistas batizaram de Kodiak.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel ver nesses restos alguma estratifica\u00e7\u00e3o que normalmente produziria um delta em desenvolvimento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Existem fundos horizontais formados por finos sedimentos granulados que o rio jogou desde sua entrada at\u00e9 o lago na cratera. Acima deles, aparecem os sedimentos que desceram a encosta pelos l\u00f3bulos mais avan\u00e7ados do delta. E mais acima ainda est\u00e3o os sedimentos que foram depositados pelo rio depois que as margens do delta se expandiram.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do Kodiak e da forma\u00e7\u00e3o do delta principal, Jezero tem muitos grandes penhascos. Isso indica a exist\u00eancia de inunda\u00e7\u00f5es em \u00e9pocas posteriores \u00e0 da hist\u00f3ria da cratera.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Algo mudou na hidrologia. N\u00e3o sabemos se foi um evento relacionado ao clima, n\u00e3o sabemos&#8221;, diz o professor Gupta. &#8220;Para mover rochas t\u00e3o grandes, voc\u00ea precisa de algo como uma inunda\u00e7\u00e3o. Talvez houvesse lagos glaciais na bacia local que enviaram esses riachos de \u00e1gua em dire\u00e7\u00e3o a Jezero.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vemos transbordamentos de lagos na Terra, em lugares como o Himalaia. Na bacia do Ganges, voc\u00ea tem essas grandes rochas misturadas na areia normal do rio e \u00e9 onde ocorreu uma inunda\u00e7\u00e3o repentina de um lago glacial&#8221;, disse Gupta \u00e0 BBC News.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe cient\u00edfica do Perseverance o enviar\u00e1 para a base da forma\u00e7\u00e3o do delta principal para perfurar o terreno em busca das pequenas pedras de argila que esperam encontrar. Eles tamb\u00e9m se concentrar\u00e3o em um anel de rochas calc\u00e1rias ao redor da borda de Jezero, que possivelmente representa as margens do lago da cratera em sua \u00e9poca mais profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>O rob\u00f4 tem a miss\u00e3o de coletar e armazenar mais de duas dezenas de amostras de rochas de diferentes locais. Essas amostras ser\u00e3o trazidas de volta \u00e0 Terra no in\u00edcio de 2030 para serem examinadas em laborat\u00f3rios capazes de determinar se existiram formas de vida microsc\u00f3picas na superf\u00edcie de Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os planos para isso est\u00e3o bem avan\u00e7ados e envolver\u00e3o o envio de outro rob\u00f4 da Nasa e seus parceiros da Ag\u00eancia Espacial Europeia para recuperar as amostras do ponto da cratera onde a Perseverance as armazena.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 um ve\u00edculo de fabrica\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica. Ele ir\u00e1 coletar as rochas e transferi-las para um foguete que as lan\u00e7ar\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o a um ponto na \u00f3rbita de Marte, onde um sat\u00e9lite estar\u00e1 esperando para finalmente transport\u00e1-las para a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos prestes a entrar no momento mais emocionante da explora\u00e7\u00e3o de Marte &#8220;, diz Sue Horne, chefe de explora\u00e7\u00e3o espacial da Ag\u00eancia Espacial do Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com o sistema de propuls\u00e3o do ve\u00edculo de amostragem sendo testado no pr\u00f3ximo m\u00eas, o sonho de examinar esp\u00e9cimes do planeta vermelho em breve se tornar\u00e1 realidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11\/10\/2021 &#8220;Definitivamente, estamos no lugar certo.&#8221; H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio na equipe cient\u00edfica encarregada pelo ve\u00edculo explorador Perseverance (Perseveran\u00e7a, em portugu\u00eas) que a ag\u00eancia espacial norte-americana, a Nasa, tem em Marte. 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