{"id":1069,"date":"2021-11-01T03:37:00","date_gmt":"2021-11-01T03:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1069"},"modified":"2021-11-05T03:39:15","modified_gmt":"2021-11-05T03:39:15","slug":"como-o-estilo-de-vida-dos-ricos-esta-acelerando-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/como-o-estilo-de-vida-dos-ricos-esta-acelerando-as-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Como o estilo de vida dos ricos est\u00e1 acelerando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"\n<p>01\/11\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em 2018, o pesquisador Stefan G\u00f6ssling e sua equipe passaram meses rastreando perfis nas m\u00eddias sociais de algumas das celebridades mais ricas do mundo: de Paris Hilton a Oprah Winfrey. J\u00e1 o professor de turismo da Universidade Linnaeus, na Su\u00e9cia, estava procurando evid\u00eancias de quanto essas pessoas estavam viajando de avi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A resposta foi: muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Bill Gates, a pessoa mais rica do mundo a encampar causas ambientais, esteve em 59 voos em 2017, de acordo com os c\u00e1lculos de G\u00f6ssling. Gates percorreu uma dist\u00e2ncia de cerca de 343.500 km. Ele viajou mais de oito vezes ao redor do mundo, gerando mais de 1.600 toneladas de gases de efeito estufa (o que equivale \u00e0 m\u00e9dia de emiss\u00f5es anuais de 105 americanos).<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo de G\u00f6ssling era tentar descobrir os n\u00edveis de consumo individual dos mega-ricos, cujos estilos de vida s\u00e3o frequentemente envoltos em segredo. Sua pesquisa coincidiu com um crescente movimento ambientalista, liderado pela ativista ambiental sueca Greta Thunberg, que vem destacando a import\u00e2ncia da responsabilidade pessoal nas emiss\u00f5es de carbono. Voar, uma das formas de consumo mais poluentes em carbono, tornou-se um s\u00edmbolo dessa nova responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quanto maior for seu rastro de carbono, maior ser\u00e1 o seu dever moral&#8221;, escreveu Thunberg no The Guardian em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o foco tem sido a desigualdade global. Eventos e cat\u00e1strofes como a crise financeira de 2008, a pandemia de covid-19 e os impactos cada vez mais severos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tendem a atingir os mais pobres primeiro, e com mais for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas em debates sobre como resolver a desigualdade, o consumismo \u00e9 frequentemente deixado de lado.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Elite-poluidora-\">Elite poluidora<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Cada unidade que voc\u00ea emite a mais significa que algu\u00e9m precisa abrir m\u00e3o [de fazer algo]&#8221;, diz Lewis Akenji, diretor-gerente do Hot or Cool Institute, um grupo de estudos baseado em Berlim. Como resultado, as enormes pegadas de carbono da elite econ\u00f4mica consolidam a desigualdade e amea\u00e7am a capacidade do mundo de prevenir mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tr\u00e1gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas s\u00e3o impressionantes. Os 10% mais ricos do mundo foram respons\u00e1veis \u200b\u200bpor cerca de metade das emiss\u00f5es globais de carbono em 2015, de acordo com um relat\u00f3rio de 2020 da Oxfam e do Stockholm Environment Institute. O 1% mais rico foi respons\u00e1vel por 15% das emiss\u00f5es, quase o dobro dos 50% mais pobres do mundo \u2014 parcela respons\u00e1vel por apenas 7%, mas que sofrer\u00e1 o peso das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas mesmo tendo a menor responsabilidade sobre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema \u00e9 que os ricos &#8220;comem&#8221; o &#8220;or\u00e7amento de carbono&#8221; restante (que \u00e9 a quantidade m\u00e1xima de gases do efeito estufa para nos manter o aquecimento em at\u00e9 1,5\u00baC).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os mais ricos n\u00e3o est\u00e3o cedendo espa\u00e7o aos 50% mais pobres, que precisam aumentar suas emiss\u00f5es para realmente atender \u00e0s suas necessidades&#8221;, diz Emily Ghosh, cientista da equipe do Instituto Ambiental de Estocolmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dario Kenner, autor de\u00a0<em>Desigualdade de Carbono: O Papel dos Mais Ricos nas Mudan\u00e7as Clim\u00e1tica<\/em>, cunhou o termo &#8220;elite poluidora&#8221; para descrever a parcela mais rica da sociedade que investe pesadamente em combust\u00edveis f\u00f3sseis e mant\u00e9m um estilo de vida que causa forte impacto no clima.<\/p>\n\n\n\n<p>Do jeito que est\u00e1, a maioria das pessoas nos pa\u00edses ricos consome de uma maneira que est\u00e1 acelerando a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica. Quando as emiss\u00f5es de produtos importados s\u00e3o levadas em considera\u00e7\u00e3o, um cidad\u00e3o m\u00e9dio no Reino Unido emite 8,5 toneladas de carbono por ano, de acordo com o Hot or Cool Institute. Esse n\u00famero sobe para 14,2 toneladas no Canad\u00e1, o pa\u00eds que virou alvo do estudo produzido pelo instituto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o aquecimento global parar em um aumento de 1,5\u00b0C, esses n\u00fameros precisam ser drasticamente reduzidos para 0,7 toneladas por pessoa at\u00e9 2050.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Quanto-depende-de-cada-um-\">Quanto depende de cada um?<\/h2>\n\n\n\n<p>O consumo individual \u00e9 uma quest\u00e3o espinhosa. O tema pode rapidamente se transformar em um debate banal sobre se o combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica depende de a\u00e7\u00f5es individuais ou mais de a\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas por parte de governos e corpora\u00e7\u00f5es. &#8220;Esta \u00e9 uma falsa dicotomia&#8221;, disse Akenji. &#8220;Os estilos de vida n\u00e3o existem no v\u00e1cuo, os estilos de vida s\u00e3o moldados pelo contexto.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas vivem suas vidas dentro dos sistemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos, que n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis. Mas, sem abordar os estilos de vida dos mais ricos em nossas sociedades e o poder que eles t\u00eam, n\u00e3o seremos capazes de enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. &#8220;Os ricos definem o tom de consumo que todos aspiram. \u00c9 a\u00ed que est\u00e3o os efeitos t\u00f3xicos&#8221;, acrescenta Halina Szejnwald Brown, professora em\u00e9rita de ci\u00eancia e pol\u00edtica ambiental na Clark University, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Considere a avia\u00e7\u00e3o, por exemplo. &#8220;Quando voc\u00ea come\u00e7a a viajar de avi\u00e3o, voc\u00ea passa a pertencer a uma elite mundial&#8221;, diz G\u00f6ssling. Mais de 90% das pessoas nunca voaram e apenas 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 respons\u00e1vel por 50% das emiss\u00f5es dos voos.<\/p>\n\n\n\n<p>Da elite corporativa que viaja pelo mundo \u00e0s celebridades que tornaram as viagens parte de suas marcas pessoais, esse comportamento ajudou a tornar um estilo de vida com alta emiss\u00e3o de carbono algo desej\u00e1vel, diz G\u00f6ssling.<\/p>\n\n\n\n<p>Os carros SUV, por exemplo, transportam presidentes, empres\u00e1rios, celebridades e artistas, al\u00e9m de cada vez mais fam\u00edlias de classe m\u00e9dia. O modelo tornou-se s\u00edmbolo de status, apesar de seu alto impacto ambiental. Os SUVs, que representaram 42% das vendas globais de carros em 2019, foram o \u00fanico setor automotivo a registrar um aumento nas emiss\u00f5es de carbono em 2020. O aumento do n\u00famero de compradores de SUVs no ano passado anulou efetivamente os ganhos clim\u00e1ticos dos carros el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Domic\u00edlios grandes s\u00e3o outro problema. &#8220;Op\u00e7\u00f5es de moradia significam prest\u00edgio e status social&#8221;, escreve Kimberly Nicholas, cientista de sustentabilidade na Lund University, al\u00e9m de outros co-autores, em um estudo recente sobre o papel das pessoas ricas nas mudan\u00e7as clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Europa, quase 11% das emiss\u00f5es residenciais s\u00e3o produzidas por 1% dos emissores, que possuem in\u00fameras e grandes casas.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Primeiras-mudan\u00e7as-percept\u00edveis-\">Primeiras mudan\u00e7as percept\u00edveis<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, as normas sociais come\u00e7aram a mudar. Na Su\u00e9cia, o ativismo de Thunberg ajudou a inspirar o &#8220;flygskam&#8221; (palavra sueca para &#8220;vergonha de voar&#8221;), um conceito que levou as pessoas a se perguntarem o quanto deveriam viajar de avi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento gerou uma queda de 4% no n\u00famero de passageiros nos aeroportos da Su\u00e9cia em 2018, algo raro em um momento em que o n\u00famero de passageiros estava aumentando no mundo. A pandemia, que reduziu drasticamente as viagens de neg\u00f3cios, provou que as videochamadas podem substituir as reuni\u00f5es presenciais. Uma pesquisa da Bloomberg descobriu que 84% das empresas planejam gastar menos em viagens de neg\u00f3cios ap\u00f3s a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas tamb\u00e9m come\u00e7aram a considerar o impacto da prote\u00edna animal, gerando um boom nos neg\u00f3cios de carnes e latic\u00ednios \u00e0 base de vegetais. &#8220;Isso n\u00e3o vem de um decreto ou exig\u00eancia de pol\u00edtica governamental&#8221;, disse Peter Newell, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Universidade de Sussex. &#8220;Ou seja, as empresas veem onde o mercado est\u00e1 mudando.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essas mudan\u00e7as s\u00e3o lentas demais para a emerg\u00eancia em que nos encontramos, diz Kenner. &#8220;Estamos passando por pontos de inflex\u00e3o clim\u00e1tica, v\u00e1rias esp\u00e9cies est\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 a velocidade das mudan\u00e7as, e isso requer a\u00e7\u00f5es governamentais, explica. Impostos espec\u00edficos sobre consumo poluente, como voos frequentes e consumo excessivo de carne, podem ajudar as pessoas a adotar comportamentos de baixo carbono mais rapidamente, diz Newell.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, as puni\u00e7\u00f5es a comportamentos poluentes deveriam ser adotadas junto a investimentos que beneficiem a popula\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, a receita de um imposto por passageiro frequente poderia ser investida em um sistema de transporte p\u00fablico mais barato ou mesmo gratuito; e o dinheiro de um &#8220;imposto sobre mans\u00f5es&#8221; poderia ser usado para instalar energia el\u00e9trica em locais onde h\u00e1 escassez do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, entretanto, \u00e9 se os mais ricos podem simplesmente absorver esses custos e tudo continuar como antes. Uma ideia mais radical \u00e9 uma aloca\u00e7\u00e3o pessoal de carbono (PCA), em que os indiv\u00edduos recebem um limite igual de emiss\u00f5es de carbono, e essa quantia \u00e9 negoci\u00e1vel \u200b\u200bentre eles. Se algu\u00e9m quer emitir mais, ela deve comprar cotas indesejadas de outras pessoas. Vers\u00f5es de um PCA foram exploradas na Irlanda, Fran\u00e7a e Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, o governo do Reino Unido analisou a viabilidade de um projeto como esse, mas concluiu que um PCA seria muito caro, dif\u00edcil de administrar e improv\u00e1vel de ser socialmente aceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, no contexto de uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica e de uma pandemia \u2014 que obrigou as pessoas a aceitarem restri\u00e7\u00f5es individuais em nome do benef\u00edcio coletivo \u2014, essa pode ser uma pol\u00edtica que vale a pena reconsiderar, de acordo com an\u00e1lises recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um PCA \u00e9 atraente em algum n\u00edvel, diz Newell, &#8220;porque torna muito claro quais s\u00e3o nossos direitos per capita&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele acrescenta: &#8220;Essa \u00e9 uma vers\u00e3o extrema da responsabilidade individual. Ela pode acabar punindo injustamente pessoas que, por exemplo, vivem em \u00e1reas com poucas op\u00e7\u00f5es de transporte p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra ideia de pol\u00edtica que est\u00e1 ganhando popularidade \u00e9 a &#8220;edi\u00e7\u00e3o de escolha&#8221;, em que os governos restringem a entrada no mercado de produtos de alto consumo de carbono, como jatos particulares ou megaiates.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 que as op\u00e7\u00f5es de baixo carbono, muitas das quais j\u00e1 existem, v\u00e3o preencher essa lacuna. A escolha de op\u00e7\u00f5es pode parecer radical, mas n\u00e3o \u00e9 nova, diz Akenji. O governo do Reino Unido, por exemplo, usa o sistema por raz\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica para proibir a venda de armas ou carros sem cintos de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desfazer comportamentos que n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis \u200b\u200b\u00e9 muito mais dif\u00edcil do que impedir que esses produtos \u200b\u200bcheguem ao mercado&#8221;, concluiu um relat\u00f3rio de abril sobre mudan\u00e7a de comportamento de autoria de Newell.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Risco-pol\u00edtico-\">Risco pol\u00edtico<\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo com o tempo se esgotando para lidar com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, muitos governos resistem a aplicar pol\u00edticas de mudan\u00e7a de comportamento por medo de que elas sejam eleitoralmente impopulares, al\u00e9m de desagradar os mais ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>O controle dos mais ricos sobre os governos por meio de lobby e grandes doa\u00e7\u00f5es feitas por eles proporciona a essa parcela da sociedade grande vantagem na dilui\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que combatam as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, al\u00e9m de moldar as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para todos, explica Kenner. &#8220;Existe este outro futuro, este futuro alternativo, que nos est\u00e1 sendo negado diariamente&#8221;, insiste.<\/p>\n\n\n\n<p>Para todas as pol\u00edticas que visam o comportamento do consumidor, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 muito dif\u00edcil reduzir as emiss\u00f5es se n\u00e3o houver op\u00e7\u00f5es para que as pessoas tenham uma vida com baixo teor de carbono. &#8220;H\u00e1 muito o que fazer para construir uma sociedade mais sustent\u00e1vel e isso vai al\u00e9m de apenas reduzir o tamanho de jatos particulares e iates de luxo&#8221;, diz Ghosh.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns governos est\u00e3o fazendo grandes mudan\u00e7as. O Pa\u00eds de Gales, por exemplo, suspendeu o investimento na constru\u00e7\u00e3o de novas estradas para cumprir as metas de emiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A Holanda prop\u00f4s reduzir o n\u00famero de seu rebanho de gado em 30% para reduzir a polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 cidades do Reino Unido, como Norwich e Exeter, come\u00e7aram a construir habita\u00e7\u00e3o social com uso de energia limpa.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros focam no papel da publicidade na promo\u00e7\u00e3o do consumo poluente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas tentam marcar seu lugar na sociedade se diferenciando daqueles que est\u00e3o abaixo delas&#8221;, diz Brown. &#8220;E a propaganda constroi toda uma ind\u00fastria com base nessa inseguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, Amsterd\u00e3 proibiu an\u00fancios de produtos com altas emiss\u00f5es, incluindo SUVs e voos baratos de curta dist\u00e2ncia, seguindo os passos de cidades como S\u00e3o Paulo e Chennai (\u00cdndia), que proibiram ou limitaram estritamente a publicidade em outdoors. &#8220;Mas isso realmente n\u00e3o \u00e9 suficiente, &#8220;diz Akenji.<\/p>\n\n\n\n<p>O ritmo \u00e9 muito lento e o tempo est\u00e1 acabando. Os governos precisam reformar a infraestrutura, colocando a sustentabilidade no centro da pol\u00edtica, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa criar redes de transporte p\u00fablico r\u00e1pidas, extensas e acess\u00edveis; &#8220;descarbonizar&#8221; a eletricidade; construir casas mais densas e bem isoladas; proibir o uso de carros movidos a gasolina e considerar medidas como uma semana de trabalho de quatro dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos e os ricos, com seu enorme papel de influenciar as normas sociais, tamb\u00e9m podem ajudar a mudar a narrativa de que a\u00e7\u00f5es para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causam perda da liberdade individual e de qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As coisas que se mostraram mais sustent\u00e1veis \u200b\u200bdo ponto de vista ambiental quase sempre s\u00e3o melhores para o nosso pr\u00f3prio bem-estar e coes\u00e3o social&#8221;, disse Akenji.<\/p>\n\n\n\n<p>Comer menos carne traz benef\u00edcios para a sa\u00fade. Ter menos SUVs e carros movidos a gasolina aumentam a qualidade do ar e ajudam a reduzir as mortes por polui\u00e7\u00e3o do ar. E uma semana de trabalho de quatro dias poderia permitir um melhor equil\u00edbrio entre vida profissional e familiar, mais tempo para a fam\u00edlia e menores custos com cuidados com os filhos para os pais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m se levanta de manh\u00e3 e diz: &#8216;Hoje vou arruinar o meio ambiente.'&#8221; diz Akenji.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas consomem por muitos motivos \u2014 para satisfazer suas necessidades, mostrar afeto, se sentir bem ou porque se sentem pressionadas pela publicidade ou expectativas sociais. Poucas pessoas realmente questionam seu consumo, diz Brown. &#8220;E essas s\u00e3o perguntas muito profundas: &#8216;Quem sou eu e o que preciso para ter uma vida boa?&#8217; Quero dizer, quantas pessoas querem parar para fazer essa pergunta?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00f5es individuais n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para lidar com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, diz Akenji. Mas nossas escolhas e a\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes. &#8220;Acho que todos devemos nos tornar ativistas pol\u00edticos de uma forma ou de outra&#8221;, diz ele. &#8220;O que vamos fazer \u00e9 cobrar decisivamente nossos governantes e exigir que eles cumpram seus compromissos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01\/11\/2021 Em 2018, o pesquisador Stefan G\u00f6ssling e sua equipe passaram meses rastreando perfis nas m\u00eddias sociais de algumas das celebridades mais ricas do mundo: de Paris Hilton a Oprah Winfrey. J\u00e1 o professor de turismo da Universidade Linnaeus, na Su\u00e9cia, estava procurando evid\u00eancias de quanto essas pessoas estavam viajando de avi\u00e3o. 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