{"id":1151,"date":"2021-12-06T22:22:00","date_gmt":"2021-12-06T22:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1151"},"modified":"2021-12-23T22:27:41","modified_gmt":"2021-12-23T22:27:41","slug":"diagnostico-de-autismo-a-alteracao-cerebral-que-pode-ajudar-a-detectar-o-transtorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/diagnostico-de-autismo-a-alteracao-cerebral-que-pode-ajudar-a-detectar-o-transtorno\/","title":{"rendered":"Diagn\u00f3stico de autismo: a altera\u00e7\u00e3o cerebral que pode ajudar a detectar o transtorno"},"content":{"rendered":"\n<p>06\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O pr\u00f3prio nome do Transtorno do Espectro Autista (TEA) mostra o qu\u00e3o variadas podem ser as carater\u00edsticas e os graus de altera\u00e7\u00e3o em algumas habilidades em pessoas assim diagnosticadas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acredita-se tamb\u00e9m que as causas do TEA sejam multifatoriais, envolvendo desde a gen\u00e9tica ao contexto social.<\/p>\n\n\n\n<p>Por toda esta complexidade, qualquer pista sobre o autismo vindo da ci\u00eancia representa um passo que pode ajudar no diagn\u00f3stico e nos cuidados precoces de pessoas com autismo.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 23, uma equipe da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, apresentou uma pesquisa in\u00e9dita no congresso anual da Sociedade de Radiologia da Am\u00e9rica do Norte (Radiological Society of North America) demonstrando altera\u00e7\u00f5es significativas em uma parte do c\u00e9rebro fundamental para suas conex\u00f5es, o corpo caloso, em adolescentes e jovens adultos com esse diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo analisou exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica de 583 pessoas, cujas informa\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas fazem parte de um grande banco de dados para a pesquisa em autismo dos EUA, o National Database of Autism Research. Os autores defendem que uma das conquistas do estudo \u00e9 considerar pessoas de diferentes faixas et\u00e1rias \u2014 de seis meses de idade a 50 anos \u2014, enquanto muitas pesquisas sobre o autismo focam apenas nas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os mais jovens tenham sido inclu\u00eddos na an\u00e1lise, as altera\u00e7\u00f5es no corpo caloso do c\u00e9rebro foram observadas conforme as idades aumentaram, a partir da adolesc\u00eancia. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) trabalha com a estimativa de que, na m\u00e9dia mundial, cerca de uma em 160 crian\u00e7as t\u00eam algum Transtorno do Espectro Autista (TEA).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma vez que o TEA se torna aparente e \u00e9 normalmente diagnosticado no in\u00edcio da idade escolar, nossos resultados sugerem que altera\u00e7\u00f5es comportamentais aparecem mais cedo do que mudan\u00e7as na subst\u00e2ncia branca do c\u00e9rebro&#8221;, explicou por e-mail \u00e0 BBC News Brasil a m\u00e9dica Clara Weber, pesquisadora na Universidade de Yale e l\u00edder do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo caloso \u00e9 composto da subst\u00e2ncia branca \u2014 Weber esclarece que enquanto a subst\u00e2ncia cinzenta do c\u00e9rebro \u00e9 como o computador, a branca \u00e9 como os cabos. E o corpo caloso, particularmente, \u00e9 respons\u00e1vel pela conex\u00e3o dos dois hemisf\u00e9rios cerebrais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o conseguimos detectar altera\u00e7\u00f5es significativas nas crian\u00e7as mais novas, o que d\u00e1 pistas de que mudan\u00e7as microestruturais (no c\u00e9rebro) come\u00e7am mais tarde&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela fala em uma microestrutura porque sua equipe analisou um mecanismo muito particular: o deslocamento de mol\u00e9culas de \u00e1gua dentro do corpo caloso, a chamada anisotropia fracionada. As resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas mostraram que, em adolescentes e jovens adultos com TEA, este deslocamento era menor em compara\u00e7\u00e3o com um grupo controle.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma redu\u00e7\u00e3o na anisotropia fracionada significa uma altera\u00e7\u00e3o nas conex\u00f5es (cerebrais)&#8221;, resume Clara Weber.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Diferentes teorias sobre o TEA consideram que muitos fatores contribuem para a condi\u00e7\u00e3o e t\u00eam como hip\u00f3teses que tanto a pouca conectividade como a hiperconectividade das conex\u00f5es funcionais desempenham um papel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nosso estudo basicamente adicionou outro aspecto a isso, confirmando que n\u00e3o s\u00f3 as conex\u00f5es funcionais s\u00e3o alteradas, mas tamb\u00e9m a microestrutura do c\u00e9rebro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados foram apresentados no congresso da Sociedade de Radiologia da Am\u00e9rica do Norte mas ainda n\u00e3o foram publicados em uma revista cient\u00edfica com a chamada revis\u00e3o do pares \u2014 quando especialistas n\u00e3o envolvidos naquele trabalho analisam o conte\u00fado de um artigo candidato a publica\u00e7\u00e3o. Weber disse que ela e a equipe enviar\u00e3o o trabalho para publica\u00e7\u00e3o em alguma revista cient\u00edfica nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Potencial-para-diagn\u00f3stico-e-tratamento-\">Potencial para diagn\u00f3stico e tratamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Weber diz esperar que sinais no c\u00e9rebro como os observados possam ajudar no diagn\u00f3stico precoce do TEA e no acompanhamento de tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o envolvida na pesquisa, a neuropediatra brasileira Liubiana Arantes de Ara\u00fajo analisou o trabalho apresentado no congresso e tamb\u00e9m apontou, \u00e0 BBC News Brasil, o potencial que ele tem para contribuir com os cuidados de pessoas com autismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dica explica que, hoje, o diagn\u00f3stico de TEA vem com a combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias an\u00e1lises, como o exame m\u00e9dico, a aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rios e, em alguns casos, exames de imagem (como a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e o eletroencefalograma).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Cada vez mais, temos tamb\u00e9m estudos que ajudam a observar que altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o autismo. Se h\u00e1 tamb\u00e9m exames de imagem mostrando que quanto mais altera\u00e7\u00f5es no corpo caloso, maior o comprometimento, \u00e9 muito interessante para o diagn\u00f3stico e para a reabilita\u00e7\u00e3o&#8221; diz a neuropediatra, tamb\u00e9m presidente do Departamento Cient\u00edfico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quanto mais forem descobertas altera\u00e7\u00f5es que sejam evid\u00eancias do autismo, melhor.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dica destaca, por\u00e9m, quem nem todas pessoas com TEA apresentar\u00e3o altera\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro ou no corpo caloso \u2014 quando elas existem, costumam estar associados a quadros mais severos de TEA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se voc\u00ea tem altera\u00e7\u00e3o no corpo caloso, h\u00e1 um quadro com sintomas mais evidentes do autismo, relacionados a habilidades cognitivas, de linguagem e de teoria da mente, que \u00e9 a capacidade de se colocar no lugar do outro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ara\u00fajo ressalva tamb\u00e9m que este n\u00e3o \u00e9 o primeiro estudo a associar o TEA a altera\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro, no corpo caloso e na difus\u00e3o da \u00e1gua, mas afirma que ele aprofunda o conhecimento sobre esses pontos e revela como as altera\u00e7\u00f5es ocorrem ao longo do crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nas pessoas sem autismo, o corpo caloso vai se desenvolver at\u00e9 por volta de 12 anos. Se voc\u00ea detecta que no autismo esse corpo caloso vai ter um desenvolvimento alterado e principalmente depois dessa idade, isso justifica diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a tratamento, \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es de comportamento ao longo do crescimento do paciente com autismo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>06\/12\/2021 O pr\u00f3prio nome do Transtorno do Espectro Autista (TEA) mostra o qu\u00e3o variadas podem ser as carater\u00edsticas e os graus de altera\u00e7\u00e3o em algumas habilidades em pessoas assim diagnosticadas. Acredita-se tamb\u00e9m que as causas do TEA sejam multifatoriais, envolvendo desde a gen\u00e9tica ao contexto social. 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