{"id":1166,"date":"2021-12-10T23:01:00","date_gmt":"2021-12-10T23:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1166"},"modified":"2021-12-23T23:08:57","modified_gmt":"2021-12-23T23:08:57","slug":"por-que-tantas-gigantes-do-vale-do-silicio-tem-executivos-indianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/por-que-tantas-gigantes-do-vale-do-silicio-tem-executivos-indianos\/","title":{"rendered":"Por que tantas gigantes do Vale do Sil\u00edcio t\u00eam executivos indianos"},"content":{"rendered":"\n<p>10\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parag Agrawal \u00e9 o novo diretor executivo do Twitter.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com sua nomea\u00e7\u00e3o, Agrawal entrou para o grupo de especialistas em tecnologia nascidos na \u00cdndia que hoje lideram algumas das empresas mais influentes do mundo, sediadas no Vale do Sil\u00edcio, na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p>Satya Nadella, da Microsoft; Sundar Pichai, da Alphabet\/Google; e os principais diretores da IBM, Adobe, Palo Alto Networks, VMWare e Vimeo \u2014 todos t\u00eam ascend\u00eancia indiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cidad\u00e3os de origem indiana constituem cerca de 1% da popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e 6% dos trabalhadores do Vale do Sil\u00edcio, mas est\u00e3o altamente representados, de forma at\u00e9 desproporcional, nos cargos de alto comando. Por que isso acontece?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nenhuma outra na\u00e7\u00e3o &#8216;treina&#8217; tantos cidad\u00e3os, como se fossem gladiadores, como faz a \u00cdndia&#8221;, afirma R. Gopalakrishnan, ex-diretor executivo da Tata Sons e um dos autores do livro\u00a0<em>The Made in India Manager\u00a0<\/em>(&#8220;O gerente fabricado na \u00cdndia&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre). &#8220;Da certid\u00e3o de nascimento at\u00e9 a de \u00f3bito, passando pelas matr\u00edculas escolares e a entrada no mercado de trabalho, crescer na \u00cdndia prepara os cidad\u00e3os para que sejam gerentes natos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, segundo ele, a concorr\u00eancia e o caos convertem-nos em &#8220;solucionadores de problemas com capacidade de adapta\u00e7\u00e3o&#8221;, o que faz com que os cidad\u00e3os muitas vezes priorizem o lado profissional em detrimento do pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista considera que esta \u00e9 uma vantagem na cultura norte-americana de excesso de trabalho. &#8220;E s\u00e3o caracter\u00edsticas dos principais l\u00edderes em qualquer parte do mundo&#8221;, afirma Gopalakrishnan.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Os-motivos\">Os motivos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os diretores executivos do Vale do Sil\u00edcio nascidos na \u00cdndia tamb\u00e9m fazem parte de um grupo minorit\u00e1rio de quatro milh\u00f5es de pessoas que se encontram entre os mais ricos e educados dos Estados Unidos. Cerca de um milh\u00e3o deles s\u00e3o cientistas e engenheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 70% dos vistos H-1B (licen\u00e7as de trabalho para estrangeiros) emitidos pelos Estados Unidos costumam ser concedidos para engenheiros de software indianos e 40% de todos os engenheiros nascidos no estrangeiro que vivem em cidades norte-americanas como Seattle s\u00e3o da \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso \u00e9 o resultado de uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica da pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o dos EUA na d\u00e9cada de 1960&#8221;, segundo os autores do livro The other one percent: Indians in America (&#8220;O outro um por cento: os indianos nos Estados Unidos&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), Sanjoy Chakravorty, Devesh Kapur e Nirvikar Singh.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido ao movimento de direitos civis, as quotas para cada nacionalidade foram substitu\u00eddas por prefer\u00eancia pelas habilidades e unifica\u00e7\u00e3o familiar. Pouco tempo depois, come\u00e7aram a chegar aos EUA cidad\u00e3os indianos com alto n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o (inicialmente, cientistas, engenheiros e m\u00e9dicos; depois, esmagadoramente, programadores de software).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse conjunto de imigrantes indianos &#8220;n\u00e3o se parecia com nenhum outro grupo de imigrantes de nenhum outro pa\u00eds&#8221;, segundo os autores. Os imigrantes passaram por tr\u00eas tipos de sele\u00e7\u00e3o: eles eram parte dos indianos privilegiados, de castas superiores, que tinham condi\u00e7\u00f5es de cursar uma universidade de renome. Mais do que isso, eles pertenciam a uma pequena parcela que podia pagar por um mestrado nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por fim, o sistema de vistos limitou ainda mais as quotas \u00e0s pessoas com habilidades espec\u00edficas, principalmente em ci\u00eancias, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica, que satisfizessem as &#8220;necessidades do mercado de trabalho de alto n\u00edvel&#8221; nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o a nata dos trabalhadores e est\u00e3o entrando em empresas nas quais os melhores atingem os postos mais altos&#8221;, segundo o acad\u00eamico e empres\u00e1rio tecnol\u00f3gico Vivek Wadhwa. &#8220;As redes que eles constru\u00edram [no Vale do Sil\u00edcio] tamb\u00e9m proporcionaram uma vantagem: a ideia era que eles se ajudassem entre si&#8221;, acrescenta ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"As-redes\">As redes<\/h2>\n\n\n\n<p>Wadhwa salienta que muitos dos diretores executivos nascidos na \u00cdndia tamb\u00e9m abriram caminho nas empresas com o seu esfor\u00e7o. E ele acredita que isso proporcionou a esses executivos um sentido de humildade que os diferencia de muitos diretores executivos fundadores que foram acusados de ser arrogantes e autorit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista afirma que homens como Nadella e Pichai tamb\u00e9m fornecem certa dose de cuidado, reflex\u00e3o e uma cultura &#8220;mais am\u00e1vel&#8221; que os transforma em candidatos ideais para cargos superiores. Sua &#8220;lideran\u00e7a discreta e sem desaven\u00e7as&#8221; \u00e9 uma grande vantagem, segundo Saritha Rai, jornalista que cobre a ind\u00fastria tecnol\u00f3gica na \u00cdndia para o canal de TV a cabo Bloomberg News.<\/p>\n\n\n\n<p>A diversa sociedade da \u00cdndia, com tantos costumes e idiomas, &#8220;fornece [aos gerentes nascidos no pa\u00eds] a capacidade de navegar por situa\u00e7\u00f5es complexas, particularmente quando se trata de fazer crescer as organiza\u00e7\u00f5es&#8221;, segundo o empres\u00e1rio multimilion\u00e1rio norte-americano de origem indiana Vinod Khosla, um dos fundadores da Sun Microsystems. &#8220;Isso, aliado a uma \u00e9tica de &#8216;trabalho duro&#8217;, proporciona boa prepara\u00e7\u00e3o para eles.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Existem tamb\u00e9m raz\u00f5es mais \u00f3bvias. O fato de que tantos indianos falam ingl\u00eas facilita sua integra\u00e7\u00e3o na diversificada ind\u00fastria tecnol\u00f3gica norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>E a \u00eanfase dedicada pela educa\u00e7\u00e3o indiana \u00e0 matem\u00e1tica e \u00e0s ci\u00eancias criou uma pr\u00f3spera ind\u00fastria de software por capacitar seus estudantes com as habilidades necess\u00e1rias, que s\u00e3o ainda mais refor\u00e7adas pelas melhores escolas de engenharia ou administra\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em outras palavras, o sucesso obtido nos Estados Unidos pelos diretores executivos nascidos na \u00cdndia baseia-se na uni\u00e3o daquilo que funciona bem nos Estados Unidos \u2014 ou pelo menos costumava funcionar at\u00e9 as restri\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o depois do 11 de Setembro \u2014 com o que funciona bem na \u00cdndia&#8221;, segundo escreveu recentemente a economista Rupa Subramanya na revista norte-americana Foreign Policy.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Desafios\">Desafios<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas os especialistas questionam o futuro desse fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p>O ac\u00famulo de pedidos de resid\u00eancia permanente nos Estados Unidos (os chamados &#8220;Green Cards&#8221;) e o aumento das oportunidades de trabalho no mercado interno indiano reduziram o interesse por fazer carreira no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sonho americano est\u00e1 sendo substitu\u00eddo pelo desejo de criar uma empresa emergente com sede na \u00cdndia&#8221;, segundo Saritha Rai.<\/p>\n\n\n\n<p>O recente surgimento de &#8220;unic\u00f3rnios&#8221; (empresas que valem mais de US$ 1 bilh\u00e3o, ou R$ 55 bilh\u00f5es) na \u00cdndia sugere que est\u00e3o come\u00e7ando a surgir companhias tecnol\u00f3gicas importantes no pa\u00eds. Mas os analistas s\u00e3o da opini\u00e3o de que \u00e9 muito cedo para prever qual ser\u00e1 o impacto global dessas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O ecossistema de empresas emergentes na \u00cdndia \u00e9 relativamente jovem. Os modelos de indianos bem sucedidos, tanto no campo empresarial quanto em cargos executivos, ajudaram muito, mas os modelos a serem seguidos demoram para ser difundidos&#8221;, afirma Vinod Khosla.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os modelos a serem seguidos, em sua maioria, continuam sendo homens, da mesma forma que quase todos os diretores executivos do Vale do Sil\u00edcio nascidos na \u00cdndia. E os especialistas afirmam que o r\u00e1pido aumento desses executivos n\u00e3o oferece raz\u00f5es suficientes para esperar mais diversidade nessa ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Saritha Rai, &#8220;a representa\u00e7\u00e3o das mulheres [na ind\u00fastria da tecnologia] est\u00e1 muito longe do que deveria ser&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10\/12\/2021 Parag Agrawal \u00e9 o novo diretor executivo do Twitter. Com sua nomea\u00e7\u00e3o, Agrawal entrou para o grupo de especialistas em tecnologia nascidos na \u00cdndia que hoje lideram algumas das empresas mais influentes do mundo, sediadas no Vale do Sil\u00edcio, na Calif\u00f3rnia. 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