{"id":1199,"date":"2021-12-23T00:28:00","date_gmt":"2021-12-23T00:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1199"},"modified":"2021-12-24T00:31:45","modified_gmt":"2021-12-24T00:31:45","slug":"as-licoes-do-pais-que-destruiu-voluntariamente-todas-suas-armas-atomicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/as-licoes-do-pais-que-destruiu-voluntariamente-todas-suas-armas-atomicas\/","title":{"rendered":"As li\u00e7\u00f5es do pa\u00eds que destruiu voluntariamente todas suas armas at\u00f4micas"},"content":{"rendered":"\n<p>23\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em 24 de mar\u00e7o de 1993, o ent\u00e3o presidente sul-africano Frederik Willem de Klerk confirmou o que havia sido um grande rumor durante anos: seu pa\u00eds havia desenvolvido um projeto secreto que o tornara detentor de armas nucleares.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em discurso ao Parlamento, o mandat\u00e1rio disse que a \u00c1frica do Sul havia constru\u00eddo seis bombas at\u00f4micas completas.<\/p>\n\n\n\n<p>E garantiu que haviam sido desmanteladas, assim como todo o programa nuclear com fins b\u00e9licos, antes da entrada do pa\u00eds no Tratado de N\u00e3o-Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear da ONU (NPT, na sigla em ingl\u00eas) em julho de 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>De Klerk tamb\u00e9m concedeu pleno acesso \u00e0 Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (IAEA, na sigla em ingl\u00eas) para que pudesse inspecionar diretamente os locais onde esse programa nuclear havia sido desenvolvido e verificar a veracidade de suas declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fazer esta confiss\u00e3o, o presidente conseguiu no mesmo discurso incorporar a \u00c1frica do Sul ao pequeno grupo de pa\u00edses do mundo que possu\u00eda armas nucleares e colocar a na\u00e7\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de exclusividade ao transform\u00e1-la no \u00fanico Estado do mundo que, ap\u00f3s desenvolver suas pr\u00f3prias armas nucleares, renunciou voluntariamente \u00e0s mesmas antes de entrar no NPT.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m concordou na d\u00e9cada de 1990 em destruir suas armas at\u00f4micas, mas as mesmas eram parte do arsenal que o pa\u00eds havia herdado quando fazia parte da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como a \u00c1frica do Sul adquiriu armas nucleares e por que decidiu se desfazer delas?<\/p>\n\n\n\n<h2>Um programa inicialmente para fins pac\u00edficos<\/h2>\n\n\n\n<p>A \u00c1frica do Sul deu os primeiros passos na explora\u00e7\u00e3o de energia nuclear em 1948, por meio de uma lei que criou o Conselho de Energia At\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, come\u00e7aram as primeiras atividades de pesquisa e desenvolvimento nessa \u00e1rea na usina de Pelindaba, localizada a cerca de 40 quil\u00f4metros de Pret\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta primeira fase, os objetivos do programa eram pac\u00edficos, embora, por se tratar de um pa\u00eds com importantes reservas de ur\u00e2nio, tamb\u00e9m se questionava sobre os m\u00e9todos de enriquecimento deste mineral, tecnologia cujo dom\u00ednio \u00e9 fundamental para v\u00e1rios fins, inclusive b\u00e9licos.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim da d\u00e9cada de 1960, os avan\u00e7os alcan\u00e7ados nesta \u00e1rea levaram o governo a promover a constru\u00e7\u00e3o de uma usina piloto para trabalhar esse processo em escala industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1970, o ent\u00e3o primeiro-ministro B. J. Vorster informou estes planos ao Parlamento, ratificando os objetivos pac\u00edficos do programa, assim como a disposi\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul em aceitar, sob certas condi\u00e7\u00f5es, a supervis\u00e3o internacional do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser um pa\u00eds com grandes reservas do mineral, a \u00c1frica do Sul j\u00e1 naquela \u00e9poca reconhecia o potencial comercial que a produ\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio enriquecido teria como combust\u00edvel para os reatores nucleares do futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo, no entanto, o pa\u00eds havia come\u00e7ado a pesquisar sobre o desenvolvimento de explosivos nucleares para fins civis.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois que um relat\u00f3rio de 1974 confirmou a viabilidade desta ideia, o governo aprovou um projeto secreto para este fim.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora o programa, a essa altura, ainda visasse exclusivamente a explora\u00e7\u00e3o pac\u00edfica dessa tecnologia, ele foi tratado como um projeto ultrassecreto, principalmente devido \u00e0 sensibilidade esperada diante de um projeto de enriquecimento [de ur\u00e2nio], mas tamb\u00e9m porque a oposi\u00e7\u00e3o ao uso de explosivos nucleares para aplica\u00e7\u00f5es civis estava crescendo rapidamente no mundo&#8221;, escreveu Waldo Stumpf, ex-diretor da Corpora\u00e7\u00e3o de Energia At\u00f4mica da \u00c1frica do Sul, em um relat\u00f3rio que apresentou em uma confer\u00eancia em 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta iniciativa, no entanto, n\u00e3o demoraria muito para resultar em um programa com fins b\u00e9licos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Uma-arma-de-dissuas\u00e3o\">Uma arma de dissuas\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Conforme De Klerk explicou em seu discurso de 1993, a decis\u00e3o da \u00c1frica do Sul de desenvolver uma capacidade nuclear b\u00e9lica come\u00e7ou a tomar forma em 1974, diante da amea\u00e7a de expans\u00e3o das for\u00e7as sovi\u00e9ticas no sul da \u00c1frica e da incerteza sobre os planos dos membros do Pacto de Vars\u00f3via, a alian\u00e7a militar entre os pa\u00edses do bloco comunista.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto aconteceu num contexto de instabilidade regional, ap\u00f3s a retirada de Portugal das col\u00f4nias africanas, ap\u00f3s a independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique e de Angola, onde ocorreram guerras civis que se internacionalizaram reproduzindo o confronto da Guerra Fria entre for\u00e7as pr\u00f3-marxistas e pr\u00f3-capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O aumento das for\u00e7as cubanas em Angola a partir de 1975 refor\u00e7ou a percep\u00e7\u00e3o de que era necess\u00e1rio um [instrumento] dissuasivo, assim como o relativo isolamento internacional da \u00c1frica do Sul e o fato de que n\u00e3o poderia contar com ajuda externa caso fosse atacada&#8221;, disse o presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o era especialmente delicada porque, devido \u00e0 sua pol\u00edtica interna segregacionista, conhecida como apartheid, a \u00c1frica do Sul estava sendo submetida a cada vez mais restri\u00e7\u00f5es \u00e0 compra de armas convencionais, o que limitava suas op\u00e7\u00f5es de defesa em caso de ataque. Isso tamb\u00e9m a impedia de ter o apoio de outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o pa\u00eds era objeto de um crescente isolamento em mat\u00e9ria de energia at\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos passaram a restringir unilateralmente tanto a troca de informa\u00e7\u00f5es quanto as exporta\u00e7\u00f5es de produtos relacionados a essa \u00e1rea para a \u00c1frica do Sul e, em 1978, aprovaram uma lei de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o que impedia a transfer\u00eancia de tecnologia nuclear para estados que n\u00e3o faziam parte do NPT.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um mundo dividido entre dois polos, a \u00c1frica do Sul n\u00e3o contava com o apoio de nenhuma das duas superpot\u00eancias, que trabalharam juntas para obrigar o pa\u00eds africano a suspender os preparativos para um teste nuclear subterr\u00e2neo que faria em 1977.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Amea\u00e7a-velada\">Amea\u00e7a velada<\/h2>\n\n\n\n<p>Essas circunst\u00e2ncias acabaram convencendo o governo sul-africano da conveni\u00eancia de ter uma bomba at\u00f4mica como instrumento de dissuas\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em abril de 1978, o governo sul-africano aprovou uma estrat\u00e9gia de dissuas\u00e3o nuclear de tr\u00eas fases.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira delas se baseava em manter a incerteza sobre as capacidades nucleares do pa\u00eds, sem reconhec\u00ea-las ou neg\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda etapa se aplicaria caso a \u00c1frica do Sul estivesse sendo amea\u00e7ada (provavelmente pela \u00f3rbita comunista).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta circunst\u00e2ncia, cogitou-se fazer chegar aos ouvidos de uma pot\u00eancia como os Estados Unidos que a \u00c1frica do Sul possu\u00eda armas nucleares, incentivando assim uma interven\u00e7\u00e3o internacional que eliminasse a amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso a revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o surtisse efeito, passariam para a terceira fase, que consistia em reconhecer publicamente que a \u00c1frica do Sul possu\u00eda uma bomba at\u00f4mica ou realizar um teste subterr\u00e2neo para demonstrar essa capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Stumpf, nunca se previu nenhuma aplica\u00e7\u00e3o ofensiva para estas bombas, j\u00e1 que a \u00c1frica do Sul estava ciente de que tal a\u00e7\u00e3o provocaria retalia\u00e7\u00e3o internacional em larga escala.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na pr\u00e1tica, a estrat\u00e9gia nunca avan\u00e7ou al\u00e9m da fase 1&#8221;, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para levar adiante esta estrat\u00e9gia, explicou De Klerk, a \u00c1frica do Sul deveria dispor de sete bombas, considerado o n\u00famero m\u00ednimo necess\u00e1rio para estabelecer uma &#8220;capacidade de dissuas\u00e3o cr\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira destas bombas foi conclu\u00edda em dezembro de 1982. A s\u00e9tima nunca terminou de ser constru\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que estas bombas tivessem um poder semelhante \u00e0s lan\u00e7adas pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki \u2014 e que tivessem sido projetadas para serem lan\u00e7adas de um avi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Stumpf, a \u00c1frica do Sul nunca conseguiu testar se estas bombas realmente funcionavam, mas n\u00e3o havia raz\u00e3o para acreditar que n\u00e3o funcionariam.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Desarmamento-volunt\u00e1rio\">Desarmamento volunt\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas por que a \u00c1frica do Sul decidiu abrir m\u00e3o de suas armas nucleares?<\/p>\n\n\n\n<p>Os motivos, segundo De Klerk, est\u00e3o nas mudan\u00e7as vividas pela situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional no final da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu discurso perante o Parlamento, o ent\u00e3o presidente mencionou o cessar-fogo em Angola, o acordo tripartite sobre a independ\u00eancia da Nam\u00edbia e a retirada de 50 mil soldados cubanos de Angola, assim como a queda do Muro de Berlim, o fim da Guerra Fria e o desmembramento progressivo do bloco sovi\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As perspectivas de passar de uma rela\u00e7\u00e3o de confronto com a comunidade internacional, em geral, e com os nossos vizinhos da \u00c1frica, em particular, para uma rela\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento eram boas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas circunst\u00e2ncias, um elemento de dissuas\u00e3o nuclear se tornou n\u00e3o apenas sup\u00e9rfluo, mas na verdade um obst\u00e1culo ao desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es internacionais da \u00c1frica do Sul&#8221;, disse o mandat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista concedida em 2017 para a revista The Atlantic, o ex-presidente sul-africano detalhou seus motivos para se opor \u00e0 posse da bomba.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Achava que n\u00e3o havia sentido em usar uma bomba deste tipo no que era essencialmente uma guerra rural, que era terr\u00edvel pensar que poder\u00edamos destruir uma cidade em um dos nossos pa\u00edses vizinhos de qualquer maneira. Desde o in\u00edcio, na minha opini\u00e3o pessoal, vi como uma corda em volta do nosso pesco\u00e7o&#8221;, disse ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea tem algo que nunca pretende usar, que na realidade \u00e9 horr\u00edvel de usar, cujo uso seria moralmente indefens\u00e1vel&#8221;, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, depois que De Klerk chegou ao poder em 1989, teve in\u00edcio o encerramento do programa nuclear, que incluiu a destrui\u00e7\u00e3o de bombas, o fechamento de usinas nucleares onde se produzia ur\u00e2nio altamente enriquecido e a degrada\u00e7\u00e3o do mesmo para que n\u00e3o pudesse mais ser usado em armas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo, o governo iniciou o processo de ades\u00e3o ao NPT e colocou em andamento reformas pol\u00edticas internas que levariam ao fim do apartheid e \u00e0 transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que culminou com a elei\u00e7\u00e3o de Nelson Mandela como presidente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Li\u00e7\u00f5es-aprendidas\">Li\u00e7\u00f5es aprendidas<\/h2>\n\n\n\n<p>Em seu discurso ao Parlamento em 1993, De Klerk expressou sua esperan\u00e7a de que outros pa\u00edses pudessem seguir o exemplo da \u00c1frica do Sul em quest\u00f5es nucleares.<\/p>\n\n\n\n<p>De Klerk fez refer\u00eancia ao caso da Coreia do Norte em entrevista ao The Atlantic e destacou que, quando se trata das negocia\u00e7\u00f5es nucleares com este pa\u00eds, a comunidade internacional tem recorrido muito ao chicote (san\u00e7\u00f5es), mas n\u00e3o tanto \u00e0s cenouras (incentivos), fazendo alus\u00e3o \u00e0 express\u00e3o em ingl\u00eas &#8220;<em>carrot and stick<\/em>&#8220;, que descreve uma abordagem que contrabalanceia puni\u00e7\u00f5es e incentivos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quem sabe seja hora de nos perguntarmos se podemos desenhar uma cenoura que possa trazer para a mesa pessoas que n\u00e3o est\u00e3o se falando no momento?&#8221;, questionou.<\/p>\n\n\n\n<p>No relat\u00f3rio que apresentou em 1995, Waldo Stumpf, o ex-diretor da Corpora\u00e7\u00e3o de Energia At\u00f4mica da \u00c1frica do Sul, tamb\u00e9m descreve algumas li\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que podem ser tiradas de sua experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista alerta, por exemplo, que nem a tecnologia nem os custos s\u00e3o realmente grandes barreiras para impedir que os pa\u00edses desenvolvam programas de armas at\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele indica que, embora a tecnologia para enriquecer ur\u00e2nio e construir armas nucleares n\u00e3o sofisticadas seja de alto n\u00edvel, est\u00e1 dentro dos limites que um pa\u00eds industrializado avan\u00e7ado pode alcan\u00e7ar \u2014 e que, em termos de custo, o programa sul-africano exigiu cerca de US$ 200 milh\u00f5es de investimentos em um per\u00edodo de 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Stumpf afirma ainda que, embora as medidas de isolamento pol\u00edtico possam servir de instrumento para evitar a prolifera\u00e7\u00e3o em alguns casos espec\u00edficos, \u00e9 poss\u00edvel chegar a um ponto em que este tipo de medida se torne contraproducente e se transforme em um incentivo que leva o pa\u00eds em quest\u00e3o a se munir com uma arma nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da \u00c1frica do Sul, o especialista acredita que isso aconteceu quando os Estados Unidos cortaram o envio do combust\u00edvel necess\u00e1rio \u00e0 opera\u00e7\u00e3o dos reatores sul-africanos em 1978 e tamb\u00e9m aplicaram san\u00e7\u00f5es financeiras contra o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A pouca influ\u00eancia que restava dos Estados Unidos sobre a \u00c1frica do Sul se perdeu&#8221;, escreveu Stumpf.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista tamb\u00e9m indica que nos casos em que existe uma amea\u00e7a real ou percebida contra o pa\u00eds que se muniu nuclearmente, \u00e9 poss\u00edvel iniciar um processo de revers\u00e3o se essa amea\u00e7a for eliminada ou neutralizada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso significa que a press\u00e3o exercida por uma superpot\u00eancia de fora da regi\u00e3o sobre um poss\u00edvel estado proliferador pode ser \u00fatil, mas apenas at\u00e9 certo ponto. Em \u00faltima an\u00e1lise, as tens\u00f5es regionais devem ser resolvidas antes que se possa alcan\u00e7ar plenamente a n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o. Este foi o caso da \u00c1frica do Sul, e provavelmente \u00e9 o caso do Oriente M\u00e9dio, do sul da \u00c1sia e da pen\u00ednsula coreana&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Stumpf destacou que um verdadeiro estado de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es previstas pelo NPT provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado por meio de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas ou t\u00e9cnicas, mas exigir\u00e1 uma decis\u00e3o pol\u00edtica fundamental por parte dos dirigentes pol\u00edticos do pa\u00eds em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora algumas li\u00e7\u00f5es aprendidas talvez pudessem ser aplic\u00e1veis \u200b\u200ba outros casos de prolifera\u00e7\u00e3o nuclear comprovada \u2014 como da Coreia do Norte \u2014 ou temida \u2014 como do Ir\u00e3 \u2014, o fato \u00e9 que, at\u00e9 o momento, a \u00c1frica do Sul continua sendo um caso especial na hist\u00f3ria quanto ao uso da energia nuclear para fins b\u00e9licos.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23\/12\/2021 Em 24 de mar\u00e7o de 1993, o ent\u00e3o presidente sul-africano Frederik Willem de Klerk confirmou o que havia sido um grande rumor durante anos: seu pa\u00eds havia desenvolvido um projeto secreto que o tornara detentor de armas nucleares. 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