{"id":1205,"date":"2021-12-27T18:37:00","date_gmt":"2021-12-27T18:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1205"},"modified":"2021-12-29T18:39:29","modified_gmt":"2021-12-29T18:39:29","slug":"como-cuba-passou-pelo-colapso-da-urss-e-sobreviveu-como-ultimo-bastiao-do-comunismo-no-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/como-cuba-passou-pelo-colapso-da-urss-e-sobreviveu-como-ultimo-bastiao-do-comunismo-no-ocidente\/","title":{"rendered":"Como Cuba passou pelo colapso da URSS e sobreviveu como \u00faltimo basti\u00e3o do comunismo no Ocidente"},"content":{"rendered":"\n<p>27\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Era fim de dezembro de 1991 quando as tintas do Granma, o jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, anunciaram em tom pesaroso que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS), grande aliada por d\u00e9cadas da ilha comandada por Fidel Castro, havia deixado de existir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por mais de 30 anos, a URSS foi o suporte material, financeiro e ideol\u00f3gico de Cuba. \u00c0s vezes, a ilha parecia uma vers\u00e3o tropical de Moscou.<\/p>\n\n\n\n<p>As prateleiras das livrarias cubanas eram abarrotadas de livros russos; not\u00edcias veiculadas pelos jornais sovi\u00e9ticos Sputnik e Pravda enchiam as bancas.<\/p>\n\n\n\n<p>Homens e mulheres se enfeitavam com roupas de inverno de poli\u00e9ster importadas e usavam um perfume chamado &#8220;Moscou vermelha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os jovens aprendidam o russo como segunda l\u00edngua (o ingl\u00eas era proibido) e as crian\u00e7as assistiam a desenhos animados que quase ningu\u00e9m entendia: Cheburashka, o Urso Misha, Lolek e Bolek.<\/p>\n\n\n\n<p>Alunos que se destacassem ganhavam como pr\u00eamio viagens \u00e0 Crac\u00f3via ou a Leningrado.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os militares exibiam tanques T-55 e fuzis AKM em desfiles, enquanto&nbsp;<em>outdoors&nbsp;<\/em>anunciavam a &#8220;amizade irrevog\u00e1vel e eterna&#8221; entre os povos de Cuba e da URSS.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, diferente da promessa de eternidade, a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica teve seu fim, e com isso, Cuba passou a viver uma fase de incertezas.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Ecos-na-ilha-30-anos-depois\">Ecos na ilha, 30 anos depois<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em 1989, em um discurso dram\u00e1tico, Castro previu que eles poderiam acordar um dia sem a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se amanh\u00e3 ou qualquer dia acordarmos com a not\u00edcia de que se criou uma disputa civil na URSS, ou mesmo acordarmos com a not\u00edcia de que a URSS se desintegrou \u2014 o que esperamos nunca aconte\u00e7a, mesmo nessas circunst\u00e2ncias \u2014, Cuba e a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana continuariam lutando e continuariam resistindo!&#8221;, disse ele em 26 de julho de 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0quela altura, como um efeito domin\u00f3, as velhas rep\u00fablicas socialistas haviam embarcado no trem da mudan\u00e7a e, no final de 1991, Cuba era praticamente o \u00faltimo reduto da Guerra Fria no Ocidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuou assim por mais tr\u00eas d\u00e9cadas, mas os ecos daqueles dias ressoam at\u00e9 hoje na vida cotidiana da ilha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje, \u00e9 mais necess\u00e1rio do que nunca discutir esse processo hist\u00f3rico que acabou com a&nbsp;<em>perestroika<\/em>&nbsp;(reforma que culminou no colapso da URSS), porque h\u00e1 semelhan\u00e7as hoje entre a pr\u00f3pria estrutura cubana e esse processo que aconteceu na URSS&#8221;, analisa o historiador Ariel Dacal, autor de&nbsp;<em>Rusia, del socialismo real al capitalismo real<\/em>&nbsp;(&#8220;Russia, do socialismo real ao capitalismo real&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A classe trabalhadora cubana enfrenta hoje emerg\u00eancias semelhantes \u00e0s vividas pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica h\u00e1 30 anos, mas tamb\u00e9m uma crise estrutural parecida: econ\u00f4mica, pol\u00edtica, de paradigma, tudo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Uma-amizade-improv\u00e1vel\">Uma amizade improv\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das quest\u00f5es do s\u00e9culo 20 sobre a qual os historiadores ainda debatem \u00e9 como explicar a &#8220;amizade irrenunci\u00e1vel&#8221; que surgiu entre a Cuba de Castro e a URSS, separadas por 10 mil quil\u00f4metros, culturas, l\u00ednguas e tradi\u00e7\u00f5es radicalmente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de Cuba tradicionalmente diga-se que houve uma liga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com a URSS, a verdade \u00e9 que Castro, antes de chegar ao poder, nunca demonstrou simpatia pelo comunismo sovi\u00e9tico nem se declarou socialista \u2014 tampouco seus seguidores, inicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A base da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana n\u00e3o foi socialista. O pr\u00f3prio Castro n\u00e3o poderia dizer que foi um socialista em seus prim\u00f3rdios&#8221;, aponta o historiador brit\u00e2nico Mervyn Bain, professor da Universidade de Aberdeen e autor de&nbsp;<em>Moscow and Havana 1917 to the Present<\/em>&nbsp;(&#8220;Moscou e Havana 1917 ao presente&#8221;, tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n\n\n\n<p>Dacal lembra que a forma como Castro chegou ao socialismo de inspira\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica \u00e9 complexa e tem a ver com as circunst\u00e2ncias pelas quais passava a ilha, al\u00e9m de sua rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um processo que deve ser visto por duas perspectivas, a dos interesses de Cuba e a dos interesses da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. \u00c0 medida que cresce a press\u00e3o dos Estados Unidos para sufocar a revolu\u00e7\u00e3o de qualquer maneira, Fidel v\u00ea a URSS como uma aliada, como um apoio econ\u00f4mico. E a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica v\u00ea em Cuba uma tremenda oportunidade, porque Cuba est\u00e1 a mais de 9 mil quil\u00f4metros de Moscou, mas a apenas 150 quil\u00f4metros do principal inimigo da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Bain acredita que se estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o basicamente utilit\u00e1ria entre os dois pa\u00edses, na qual a URSS se tornou a base de sobreviv\u00eancia de Cuba, e a ilha um lugar estrat\u00e9gico para Moscou mostrar sua influ\u00eancia no quintal dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o historiador brit\u00e2nico, tamb\u00e9m havia elementos do modelo sovi\u00e9tico que talvez atra\u00edssem Castro em sua aspira\u00e7\u00e3o de criar uma nova sociedade em Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Sebasti\u00e1n Arcos, diretor assistente do Instituto de Pesquisa Cubana da Universidade da Fl\u00f3rida, acredita que o modelo de comando sovi\u00e9tico e o culto a seus l\u00edderes tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o de Fidel enquanto novo l\u00edder.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fidel Castro foi um grande estrategista, era como um jogador de xadrez que est\u00e1 sempre tr\u00eas jogadas \u00e0 frente. Ele viu que assumindo esse modelo, tamb\u00e9m garantiria sua perman\u00eancia no poder, como fizeram Stalin e os demais dirigentes sovi\u00e9ticos, que ficaram no poder at\u00e9 a morte. Para ele, tratava-se disso, de manter o poder \u2014 algo que uma sociedade democr\u00e1tica n\u00e3o teria permitido&#8221;, afirma Arcos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Rela\u00e7\u00f5es-complexas\">Rela\u00e7\u00f5es complexas<\/h2>\n\n\n\n<p>Entretanto, os pesquisadores entrevistados concordam que as rela\u00e7\u00f5es entre Moscou e Havana nem sempre foram t\u00e3o amistosas e festivas quanto a comunica\u00e7\u00e3o oficial de ambos os lados demonstravam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma importante encruzilhada foi a crise dos m\u00edsseis em 1961, quando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os Estados Unidos decidiram, sem consultar Cuba, retirar os m\u00edsseis&#8221;, recorda Dacal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1970, as duas na\u00e7\u00f5es haviam assinado importantes acordos comerciais e a URSS respondia por 85% do com\u00e9rcio exterior de Cuba. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica era o principal destino do a\u00e7\u00facar cubano e tamb\u00e9m o maior fornecedor de petr\u00f3leo e bens de consumo para a ilha. Entretanto, em meados dos anos 80, esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Gorbachev assumiu o poder em 1985. A rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica continuou muito forte, mas o governo sovi\u00e9tico disse que n\u00e3o enviaria militares a Cuba para defend\u00ea-la em caso de ataque americano&#8221;, lembra Bain.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A\u00ed come\u00e7a o processo da perestroika e da glasnost. \u00c9 a\u00ed que ocorre a grande ruptura, porque Castro n\u00e3o gostou das reformas que Gorbachev come\u00e7ou a implementar e passou a criticar essas pol\u00edticas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Gorbachev iniciou um processo de restrutura\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica que a abriu para a economia de mercado (<em>perestroika<\/em>) e que visou ampliar sua &#8220;transpar\u00eancia pol\u00edtica&#8221; (<em>glasnost<\/em>), com a elimina\u00e7\u00e3o de mecanismos de censura.<\/p>\n\n\n\n<p>Arcos lembra que foi neste momento que as publica\u00e7\u00f5es sovi\u00e9ticas que at\u00e9 ent\u00e3o enchiam as bancas deixaram de aparecer em Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Elas (as publica\u00e7\u00f5es) foram rapidamente censuradas porque mostravam uma realidade, uma cr\u00edtica ao sistema \u2014 algo que era visto como uma posi\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria dentro de Cuba&#8221;, afirma o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a URSS fazia seu processo de abertura, Castro implementou medidas que chamou de &#8220;retifica\u00e7\u00e3o de erros e tend\u00eancias negativas&#8221; \u2014 indo para um caminho ainda mais dogm\u00e1tico na implementa\u00e7\u00e3o do socialismo na ilha.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 1989, Mikhail Gorbachev visitou Cuba, um evento que foi visto como um aviso das mudan\u00e7as na URSS que refletiriam na ilha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 uma anedota do encontro entre Castro e Gorbachev na imprensa da \u00e9poca que o descreve como uma &#8216;conversa de morte&#8217;. Gorbachev diz a Castro: temos que fazer reformas. Castro responde: \u00e9 o que estamos fazendo aqui. A partir da\u00ed, eles praticamente se ignoram&#8221;, lembra Bain.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Queda-do-muro-de-Berlim-ocultada-no-Granma\">Queda do muro de Berlim ocultada no Granma<\/h2>\n\n\n\n<p>A visita de Gorbachev a Havana foi seguida pelo r\u00e1pido colapso da URSS, uma rep\u00fablica sovi\u00e9tica atr\u00e1s de outra rep\u00fablica sovi\u00e9tica se delisgava e se tornava independente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pouco mais de dois anos, a grande na\u00e7\u00e3o do proletariado fundada sete d\u00e9cadas atr\u00e1s rapidamente desmoronou.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo come\u00e7ou na Pol\u00f3nia, depois na Hungria, Alemanha Oriental, Bulg\u00e1ria e Rom\u00eania&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Os cubanos que apoiavam as reformas na URSS eram chamados pejorativamente na ilha de &#8220;perestroikos&#8221;, e quando a URSS realmente colapsou, a m\u00eddia oficial cubana passou a falar em &#8220;desmantelamento&#8221;, al\u00e9m de publicar cr\u00edticas e acusa\u00e7\u00f5es contra Gorbachev, que era chamado de &#8220;traidor&#8221; e &#8220;agente da CIA&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu livro&nbsp;<em>Cuba fue diferente&nbsp;<\/em>(&#8220;Cuba foi diferente&#8221;, na tradu\u00e7\u00e3o livre), o historiador Even Sandvik Underlid diz que naquele per\u00edodo a imprensa cubana se limitou a narrar o ocorrido em breves notas, embora enfatizasse o caos trazido pelo processo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa realizada por Underlid, alguns eventos como a queda do Muro de Berlim n\u00e3o foram reportados pelo Granma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A mensagem da m\u00eddia era: olha como eles est\u00e3o mal, como renunciaram \u00e0s conquistas. Isso n\u00e3o pode acontecer com a gente&#8221;, descreve Arcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a informa\u00e7\u00e3o veiculada pelos (\u00fanicos) meios de comunica\u00e7\u00e3o oficiais de Cuba fosse incompleta, as not\u00edcias do que acontecia na URSS acabam chegando \u00e0 ilha de outras formas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Arcos, nas ruas cubanas, a rea\u00e7\u00e3o \u00e0s novidades era um misto de &#8220;espanto e esperan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Espanto porque ningu\u00e9m jamais pensou que isso pudesse acontecer, inclusive eu. E esperan\u00e7a porque todos pens\u00e1vamos que Cuba seria a pr\u00f3xima pe\u00e7a do domin\u00f3. Eu estava pensando em deixar Cuba definitivamente em 1989 e decidi que n\u00e3o, que n\u00e3o \u00edamos embora porque eu via luz no fim do t\u00fanel. Agora olho para tr\u00e1s e digo: 30 anos se passaram e a luz n\u00e3o chegou.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"O-\u00faltimo-basti\u00e3o\">O \u00faltimo basti\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Contrariando grande parte das previs\u00f5es, o modelo de sociedade defendido por Castro sobreviveu ao colapso sovi\u00e9tico, apesar do chamado Per\u00edodo Especial, da crise econ\u00f4mica sem precedentes e da fome em que Cuba submergiu ap\u00f3s o desaparecimento de seu principal aliado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das perguntas que este per\u00edodo traz \u00e9 por que n\u00e3o houve um colapso do socialismo tamb\u00e9m em Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Dacal aponta que assumir que o regime cubano cairia logo depois da URSS seria considerar que a ilha era um &#8220;sat\u00e9lite&#8221; sovi\u00e9tico, algo que em sua opini\u00e3o nunca foi assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Arcos, por sua vez, acredita que, diferente do que aconteceu em outros pa\u00edses quando ocorreu o colapso sovi\u00e9tico, Fidel Castro ainda estava vivo e em pleno uso de seus poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 v\u00e1cuo de lideran\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a de lideran\u00e7a como ocorreu em outros pa\u00edses&#8221;, opina.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador, esse poder \u00e9 justamente o motivo pelo qual Castro n\u00e3o s\u00f3 imp\u00f4s o socialismo \u00e0 ilha, mas o manteve a todo custo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aceitar as reformas seria aceitar deixar o poder, fazer elei\u00e7\u00f5es, sair do trono. E isso ele nunca teria permitido. Em todos os anos em que esteve no poder, ele n\u00e3o fez nada mais do que isso, colocar o seu interesse pessoal acima do de seu povo&#8221;, analisa Arcos.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>27\/12\/2021 Era fim de dezembro de 1991 quando as tintas do Granma, o jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, anunciaram em tom pesaroso que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS), grande aliada por d\u00e9cadas da ilha comandada por Fidel Castro, havia deixado de existir. 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