{"id":1223,"date":"2021-12-14T19:34:00","date_gmt":"2021-12-14T19:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1223"},"modified":"2022-01-05T19:39:29","modified_gmt":"2022-01-05T19:39:29","slug":"omicron-o-que-novos-dados-mostram-sobre-eficacia-das-vacinas-contra-variante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/omicron-o-que-novos-dados-mostram-sobre-eficacia-das-vacinas-contra-variante\/","title":{"rendered":"\u00d4micron: o que novos dados mostram sobre efic\u00e1cia das vacinas contra variante"},"content":{"rendered":"\n<p>14\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um estudo publicado nesta ter\u00e7a-feira (14\/12) com base em dados da \u00c1frica do Sul traz novas pistas sobre o comportamento das vacinas diante da variante \u00f4micron, considerada preocupante por ter um alto n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus original.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados ainda s\u00e3o preliminares, mas apontam que pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer\/BioNTech tinham 70% de chance de evitar hospitaliza\u00e7\u00f5es por covid-19 &#8211; um \u00edndice menor em compara\u00e7\u00e3o com os 93% de prote\u00e7\u00e3o que a mesma vacina oferecia contra a variante delta.<\/p>\n\n\n\n<p>A prote\u00e7\u00e3o contra infectar-se pelo coronav\u00edrus tamb\u00e9m diminuiu com as duas doses: de 80% (no caso da delta) para 33% (no caso da \u00f4micron), aponta o estudo, conduzido pela Discovery Health, uma administradora de planos de sa\u00fade na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um dos primeiros estudos de fora de laborat\u00f3rio a avaliar o comportamento da \u00f4micron no &#8220;mundo real&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi feito com base no resultado de mais de 211 mil testes de covid-19, sendo 78 mil desses casos atribu\u00eddos \u00e0 \u00f4micron, entre 15 de novembro e 7 de dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra vacina que est\u00e1 sendo aplicada nos sul-africanos, a da Janssen, tamb\u00e9m \u00e9 alvo de um estudo no pa\u00eds, cujos resultados preliminares indicam que a vacina continua sendo capaz de proteger contra casos graves da covid-19 e contra mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros estudos, tamb\u00e9m considerados preliminares, tamb\u00e9m traziam boas e m\u00e1s not\u00edcias a respeito do comportamento das vacinas diante da \u00f4micron: a nova variante do coronav\u00edrus parece ter mais capacidade de escapar da imuniza\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 indicativos de que imunizantes ainda protegem em grande medida contra eventuais casos graves de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, quem j\u00e1 teve a oportunidade de tomar a dose de refor\u00e7o parece estar mais bem protegido contra o v\u00edrus, inclusive contra a nova variante.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 8 de dezembro, as empresas Pfizer e BioNTech apresentaram dados pr\u00f3prios, ainda preliminares, indicando que a prote\u00e7\u00e3o da vacina de fato cai drasticamente diante da nova variante.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, disseram, a dose de refor\u00e7o do imunizante aumentaria consideravelmente a defesa do sistema imunol\u00f3gico contra a \u00f4micron.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Plasma de indiv\u00edduos que receberam duas doses da vacina atual contra covid-19 teve, em m\u00e9dia, uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 25 vezes na neutraliza\u00e7\u00e3o contra a \u00f4micron em compara\u00e7\u00e3o (com as formas anteriores do v\u00edrus), indicando que duas doses (da Pfizer) podem n\u00e3o ser suficientes para proteger contra a infec\u00e7\u00e3o da \u00f4micron&#8221;, afirmou comunicado das empresas \u2014 ressaltando, por\u00e9m, que &#8220;indiv\u00edduos vacinados ainda parecem estar protegidos contra as formas mais graves da doen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A aparente boa not\u00edcia \u00e9 que a dose de refor\u00e7o da Pfizer faria recuperar essa prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Segundo dados preliminares, a terceira dose prov\u00ea um n\u00edvel parecido de anticorpos neutralizantes contra a \u00f4micron do que as duas doses contra (as demais formas do v\u00edrus)&#8221;, al\u00e9m de manter a prote\u00e7\u00e3o contra formas mais graves da covid-19, ainda segundo as duas fabricantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Por-que-uma-dose-de-refor\u00e7o-faz-diferen\u00e7a\">Por que uma dose de refor\u00e7o faz diferen\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p>James Gallagher, rep\u00f3rter de ci\u00eancia e sa\u00fade da BBC, explica que a primeira dose de uma vacina contra a covid-19 pode ser comparada aos primeiros anos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica &#8211; nessa analogia, \u00e9 como se o sistema imunol\u00f3gico estivesse sendo ensinado sobre os fundamentos de como se proteger contra o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda e terceira doses s\u00e3o compar\u00e1veis \u200b\u200ba enviar seu sistema imunol\u00f3gico para o ensino m\u00e9dio e depois para a universidade para aprofundar drasticamente seu conhecimento. N\u00e3o se trata apenas de repetir a escola prim\u00e1ria indefinidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sistema imunol\u00f3gico fica com um conhecimento e compreens\u00e3o mais ricos do v\u00edrus&#8221;, disse \u00e0 BBC o professor Jonathan Ball, virologista da Universidade de Nottingham, no Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse que, apesar de tudo que se falou sobre as habilidades da \u00f4micron, um sistema imunol\u00f3gico altamente treinado \u00e9 &#8220;um ambiente incrivelmente dif\u00edcil e hostil&#8221; para o v\u00edrus e suas variantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, por\u00e9m, diante da desigualdade vacinal ainda existente no mundo, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) afirmou nesta ter\u00e7a-feira (14) que a prioridade deve ser completar o esquema vacinal b\u00e1sico de grupos desprotegidos ao redor do mundo, antes de priorizar as doses de refor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, as empresas Pfizer e BioNTech dizem que est\u00e3o desenvolvendo uma vacina espec\u00edfica contra a variante \u00f4micron, a ser entregue em at\u00e9 cem dias, dependendo de aprova\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os reguladores.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Estudo-na-\u00c1frica-do-Sul\">Estudo na \u00c1frica do Sul<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 7 de dezembro, um\u00a0pequeno estudo ainda em fase pr\u00e9-print\u00a0(ou seja, n\u00e3o revisado por outros cientistas) realizado na \u00c1frica do Sul \u2014 onde a \u00f4micron foi identificada e tem avan\u00e7ado rapidamente \u2014 chegou a conclus\u00f5es que apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o dos estudos citados acima.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da an\u00e1lise dos anticorpos de 12 pessoas que receberam a vacina da Pfizer (sendo que metade delas havia sido tamb\u00e9m previamente infectada pelo coronav\u00edrus e a outra metade, n\u00e3o), os pesquisadores notaram que os anticorpos produzidos pelas pessoas eram muito menos eficientes em impedir a infec\u00e7\u00e3o contra a \u00f4micron.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a percep\u00e7\u00e3o do autor do estudo, Alex Sigal, virologista do Instituto de Pesquisa em Sa\u00fade na \u00c1frica em Durban, \u00e9 de que &#8220;embora eu ache que vai haver muita infec\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tenho certeza de que isso vai se traduzir em sistemas (de sa\u00fade) colapsando&#8221;, disse ele ao The New York Times. &#8220;Minha impress\u00e3o \u00e9 de que conseguiremos ter (a situa\u00e7\u00e3o) sob controle.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia, aqui, \u00e9 que o virologista temia inicialmente que, diante de um v\u00edrus t\u00e3o mutado, as vacinas se provassem totalmente ineficazes \u2014 mas isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Sigal acrescentou que ainda ser\u00e1 necess\u00e1rio estudar melhor os efeitos de doses de refor\u00e7o das vacinas, mas sua suspeita \u00e9 de que &#8220;quanto mais anticorpos voc\u00ea tiver, melhor voc\u00ea vai se sair&#8221; contra a nova variante.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, vale lembrar que as vacinas desencadeiam uma rea\u00e7\u00e3o imune que vai muito al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de anticorpos \u2014 rea\u00e7\u00e3o esta que n\u00e3o \u00e9 mensurada pelos estudos listados aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As vacinas ainda t\u00eam alta probabilidade de proteger a maioria das pessoas contra formas graves da doen\u00e7a porque treinam muito mais o sistema imunol\u00f3gico do que para a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos neutralizantes&#8221;, explica o rep\u00f3rter da BBC especialista em ci\u00eancia e sa\u00fade James Gallagher. &#8220;As c\u00e9lulas T, que agem diante de uma infec\u00e7\u00e3o, s\u00e3o melhores em lidar com variantes uma vez que atacam diferentes partes do v\u00edrus.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que \u00e9 importante enfatizarmos aqui \u00e9 que a imunidade n\u00e3o se perde&#8221;, disse, no Twitter, a imunologista Let\u00edcia Sarturi, ao comentar os dados de que a \u00f4micron parece escapar mais da imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Anticorpos neutralizantes funcionam, imunidade celular tamb\u00e9m vai funcionar porque c\u00e9lulas T de mem\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o &#8216;enganadas&#8217; t\u00e3o facilmente por variantes. Elas se ativaram por pedacinhos muito pequenos da prote\u00edna spike, ent\u00e3o, mesmo que ocorram muta\u00e7\u00f5es, c\u00e9lulas T podem responder porque nem todos os pedacinhos da prote\u00edna mutaram. Variantes s\u00e3o uma amea\u00e7a ao controle da pandemia, mas variantes n\u00e3o v\u00e3o comprometer completamente o que ganhamos com a imuniza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Doses-de-refor\u00e7o\">Doses de refor\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ainda, um\u00a0outro estudo ainda preliminar\u00a0(e sem revis\u00e3o de pares) e patrocinado por fabricantes de vacinas, que avaliou especificamente a efic\u00e1cia de doses de refor\u00e7o (no caso, as da Pfizer e da Janssen) em 65 indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja espec\u00edfico sobre a \u00f4micron, o estudo sugere que a dose adicional da vacina &#8220;aumenta as respostas de anticorpos em pessoas que haviam sido vacinadas ao menos seis meses antes&#8221; com a vacina da Pfizer.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os pesquisadores ressaltam que a dura\u00e7\u00e3o desse aumento na imunidade ainda \u00e9 desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer mais estudos sobre como essas e as demais vacinas se comportam perante a \u00f4micron \u2014 e, tamb\u00e9m, como a dose de refor\u00e7o pode aumentar a prote\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta ter\u00e7a (12), a OMS afirmou que as evid\u00eancias iniciais indicam que existe um pequeno decl\u00ednio na efici\u00eancia das vacinas existentes contra casos graves de covid-19, embora o decl\u00ednio seja maior na preven\u00e7\u00e3o contra a infec\u00e7\u00e3o em si e contra casos leves.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos vacinas altamente eficientes, que se provaram eficazes contra todas as variantes at\u00e9 agora, em termos de (preven\u00e7\u00e3o de) formas severas (da covid-19) e hospitaliza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 motivos para crer que ser\u00e1 diferente&#8221; com a \u00f4micron, afirmou no in\u00edcio de dezembro \u00e0 ag\u00eancia France Presse Mike Ryan, diretor de emerg\u00eancias da OMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Governos e cientistas seguem em alerta para monitorar os efeitos da \u00f4micron \u00e0 medida que ela avan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma grande e repentina onda da \u00f4micron ainda pode causar problemas, mesmo que cause apenas sintomas moderados para a maioria das pessoas&#8221;, explica o rep\u00f3rter James Gallagher. &#8220;Se os poucos que tiverem casos graves de covid-19 se infectarem com a \u00f4micron ao mesmo tempo, isso pode voltar a colocar press\u00e3o sobre os sistemas de sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14\/12\/2021 Um estudo publicado nesta ter\u00e7a-feira (14\/12) com base em dados da \u00c1frica do Sul traz novas pistas sobre o comportamento das vacinas diante da variante \u00f4micron, considerada preocupante por ter um alto n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus original. 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