{"id":1247,"date":"2022-01-07T00:43:00","date_gmt":"2022-01-07T00:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1247"},"modified":"2022-01-11T00:44:15","modified_gmt":"2022-01-11T00:44:15","slug":"as-armas-de-guerra-do-futuro-que-ja-sao-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/as-armas-de-guerra-do-futuro-que-ja-sao-realidade\/","title":{"rendered":"As armas de guerra do futuro que j\u00e1 s\u00e3o realidade"},"content":{"rendered":"\n<p>07\/01\/2022<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ano de 2021 consolidou uma mudan\u00e7a fundamental na pol\u00edtica de defesa brit\u00e2nica, representando o que na verdade \u00e9 uma tend\u00eancia para as principais pot\u00eancias militares: cresce o or\u00e7amento para a tecnologia digital, intelig\u00eancia artificial e cibern\u00e9tica; diminuem as verbas para equipamentos convencionais e para o sustento de grandes tropas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso em um momento em que as for\u00e7as russas est\u00e3o se concentrando nas fronteiras da Ucr\u00e2nia, que Moscou tem exigido a retirada da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) de alguns de seus Estados membros e que a China est\u00e1 fazendo cada vez mais barulho sobre a retomada de Taiwan \u2014 com uso da for\u00e7a, se necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Conflitos regionais tamb\u00e9m est\u00e3o ocorrendo em v\u00e1rias partes do planeta. A Eti\u00f3pia passa por uma guerra civil, o conflito separatista da Ucr\u00e2nia matou mais de 14 mil pessoas desde 2014, a insurg\u00eancia da S\u00edria continua e o Estado Isl\u00e2mico est\u00e1 devastando partes da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o sinais de que a &#8220;guerra do futuro&#8221; j\u00e1 est\u00e1 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 16 de novembro, a R\u00fassia realizou um teste com m\u00edssil no espa\u00e7o, destruindo um de seus pr\u00f3prios sat\u00e9lites. No ver\u00e3o (do hemisf\u00e9rio norte), a China conduziu testes com seus avan\u00e7ados m\u00edsseis hipers\u00f4nicos, capazes de viajar a uma velocidade muitas vezes superior \u00e0 do som.<\/p>\n\n\n\n<p>Ataques cibern\u00e9ticos, dos inc\u00f4modos aos predat\u00f3rios, tornaram-se uma ocorr\u00eancia di\u00e1ria \u2014 caracterizando uma &#8220;guerra sublimiar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Michele Flournoy foi chefe de pol\u00edtica do Pent\u00e1gono dedicada \u00e0 estrat\u00e9gia dos Estados Unidos durante as gest\u00f5es dos presidentes Clinton e Obama. Ela acredita que o foco do Ocidente no Oriente M\u00e9dio nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas permitiu que seus advers\u00e1rios se adiantassem muito em termos militares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos realmente em um ponto de inflex\u00e3o estrat\u00e9gico onde n\u00f3s \u2014 os EUA, o Reino Unido e nossos aliados \u2014 estamos saindo de 20 anos de foco no combate ao terrorismo e \u00e0s insurg\u00eancias, nas guerras no Iraque e no Afeganist\u00e3o, e erguendo nosso olhar para perceber que agora estamos em uma competi\u00e7\u00e3o muito s\u00e9ria entre as grandes pot\u00eancias&#8221;, analisa Flournoy.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela est\u00e1 se referindo, \u00e9 claro, \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 China, que foram descritos pelo relat\u00f3rio do governo brit\u00e2nico&nbsp;<em>Integrated Review<\/em>&nbsp;como, respectivamente, uma &#8220;amea\u00e7a aguda&#8221; e o &#8220;rival estrat\u00e9gico&#8221; a longo prazo do Ocidente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto est\u00e1vamos focados no Oriente M\u00e9dio como um todo&#8221;, diz ela, &#8220;esses pa\u00edses estudaram o modo de guerra ocidental. E come\u00e7aram a investir maci\u00e7amente em uma s\u00e9rie de novas tecnologias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Muito disso foi direcionado \u00e0 atividade cibern\u00e9tica, com ataques capazes de influenciar elei\u00e7\u00f5es e roubar dados confidenciais. Isso est\u00e1 bem abaixo do limiar da guerra e em grande parte, \u00e9 neg\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas e se as tens\u00f5es atuais entre o Ocidente e a R\u00fassia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, entre a rivalidade entre EUA e a China na quest\u00e3o de Taiwan, explodissem? Qual seria a apar\u00eancia disso?<\/p>\n\n\n\n<p>Meia Nouwens, pesquisadora s\u00eanior do Instituto Internacional de Estudos Estrat\u00e9gicos (IISS, na sigla em ingl\u00eas), diz que isso provavelmente aconteceria em um cen\u00e1rio muito acelerado e com forte influ\u00eancia do dom\u00ednio da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo da China construiu uma nova ag\u00eancia chamada For\u00e7a de Apoio Estrat\u00e9gico, que acompanha quest\u00f5es relativas ao espa\u00e7o, \u00e0 guerra eletr\u00f4nica e \u00e0s capacidades cibern\u00e9ticas&#8221;, exemplifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso quer dizer que as primeiras coisas que ocorreriam possivelmente seriam ataques cibern\u00e9ticos massivos de ambos os lados. Haveria tentativas de bloquear o rival interrompendo as comunica\u00e7\u00f5es, incluindo sat\u00e9lites, ou mesmo cortando cabos submarinos essenciais para o transporte de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntei a Franz-Stefan Gady, um especialista em guerras futuras do IISS, o que isso significaria para voc\u00ea e para mim, aqui na nossa rotina comum. Ser\u00e1 que nossos telefones podem parar de funcionar de repente, os postos de gasolina ficar sem combust\u00edvel e a distribui\u00e7\u00e3o de comida virar um caos?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com toda a probabilidade, sim&#8221;, diz ele. &#8220;Porque grandes pot\u00eancias est\u00e3o investindo maci\u00e7amente n\u00e3o apenas em capacidades cibern\u00e9ticas ofensivas, mas tamb\u00e9m em capacidades de guerra eletr\u00f4nica que podem bloquear sat\u00e9lites e interromper a comunica\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o apenas os militares, mas as sociedades em geral ser\u00e3o os alvos principais em conflitos futuros.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O maior perigo militar aqui \u00e9 a escalada n\u00e3o planejada. Se seus sat\u00e9lites n\u00e3o est\u00e3o se comunicando e seus estrategistas em bunkers de comando subterr\u00e2neos n\u00e3o podem ter certeza do que est\u00e1 acontecendo, ent\u00e3o ser\u00e1 extremamente dif\u00edcil calibrar o pr\u00f3ximo movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Meia Nouwens acredita que isso os deixa com a escolha de responder de uma forma &#8220;minimalista&#8221; ou &#8220;maximalista&#8221;, o que acarreta o risco inerente de novas escaladas de tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fator que provavelmente desempenhar\u00e1 um papel importante na guerra futura \u00e9 a intelig\u00eancia artificial. Isso pode acelerar enormemente a tomada de decis\u00f5es e os tempos de resposta dos comandantes, permitindo que eles processem as informa\u00e7\u00f5es com muito mais rapidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, os EUA potencialmente t\u00eam vantagem qualitativa sobre seus advers\u00e1rios e Michele Flournoy acredita que isso pode compensar \u00e1reas onde o Ocidente \u00e9 superado em n\u00famero pelo vasto Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo da China.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 uma \u00e1rea em que o Ocidente est\u00e1 ficando perigosamente atr\u00e1s da R\u00fassia e da China. S\u00e3o m\u00edsseis hipers\u00f4nicos &#8211; proj\u00e9teis que podem voar em qualquer lugar entre cinco e 27 vezes a velocidade do som e transportar uma ogiva convencional ou nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia anunciou testes bem-sucedidos de seu m\u00edssil de cruzeiro hipers\u00f4nico Zircon, proclamando que ele pode derrotar qualquer defesa em qualquer lugar do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00edssil chin\u00eas Dong Feng 17, revelado pela primeira vez em 2019, carrega um ve\u00edculo planador hipers\u00f4nico (HGV) que pode fazer manobras pela atmosfera com uma trajet\u00f3ria quase imprevis\u00edvel, o que dificulta a intercepta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Testes recentes com esta tecnologia nos EUA j\u00e1 n\u00e3o foram t\u00e3o bem. A chegada desses m\u00edsseis ao arsenal da China agora est\u00e1 fazendo Washington pensar duas vezes antes de decidir ir \u00e0 guerra para defender Taiwan se Pequim decidir invadi-la.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as for\u00e7as russas que est\u00e3o hoje concentradas na fronteira com a Ucr\u00e2nia carregam principalmente armas convencionais, tanques, ve\u00edculos blindados e tropas, embora certamente tenham a capacidade de realizar uma guerra eletr\u00f4nica e uma cibern\u00e9tica ofensiva.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Reino Unido decidiu cortar equipamentos convencionais e investir em novas tecnologias. Franz-Stefan Gady, o especialista nas guerras do futuro, acredita que isso certamente trar\u00e1 benef\u00edcios para os brit\u00e2nicos daqui a 20 anos, mas antes disso haver\u00e1 uma lacuna preocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho que teremos um per\u00edodo muito perigoso nos pr\u00f3ximos cinco a 10 anos, quando muito desta reestrutura\u00e7\u00e3o acontecer\u00e1. Ao mesmo tempo, muitos desses recursos tecnol\u00f3gicos emergentes n\u00e3o estar\u00e3o maduros o suficiente para realmente ter impacto operacional&#8221;, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>E os pr\u00f3ximos cinco a 10 anos podem muito bem apresentar desafios mais perigosos para a seguran\u00e7a ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o futuro \u00e9 necessariamente preocupante? Michele Flournoy acredita que n\u00e3o, caso as pot\u00eancias envolvidas tenham colabora\u00e7\u00e3o estreita com aliados e invistam nos lugares certos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se unirmos nossas mentes e realmente investirmos nas tecnologias certas, nos conceitos certos, e os desenvolvermos com velocidade e escala, deveremos ser capazes de deter a guerra das grandes pot\u00eancias&#8221;, diz ela. &#8220;Devemos ser capazes de atingir nossos objetivos e manter o Indo-Pac\u00edfico, por exemplo, livre, aberto e pr\u00f3spero no futuro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>07\/01\/2022 O ano de 2021 consolidou uma mudan\u00e7a fundamental na pol\u00edtica de defesa brit\u00e2nica, representando o que na verdade \u00e9 uma tend\u00eancia para as principais pot\u00eancias militares: cresce o or\u00e7amento para a tecnologia digital, intelig\u00eancia artificial e cibern\u00e9tica; diminuem as verbas para equipamentos convencionais e para o sustento de grandes tropas. 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