{"id":1331,"date":"2022-02-03T02:53:00","date_gmt":"2022-02-03T02:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1331"},"modified":"2022-03-03T03:03:54","modified_gmt":"2022-03-03T03:03:54","slug":"variante-do-hiv-mais-transmissivel-e-agressiva-e-encontrada-na-holanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/variante-do-hiv-mais-transmissivel-e-agressiva-e-encontrada-na-holanda\/","title":{"rendered":"Variante do HIV mais transmiss\u00edvel e agressiva \u00e9 encontrada na Holanda"},"content":{"rendered":"\n<p>03\/02\/2022<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova variante do v\u00edrus do HIV descrita como &#8220;altamente virulenta&#8221; foi revelada nesta quinta-feira (3\/2) em um artigo na revista cient\u00edfica Science.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Batizada como &#8220;variante VB&#8221;, abrevia\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas para &#8220;variante virulenta do subtipo B&#8221;, ela demonstrou ser capaz de levar a uma maior carga viral no sangue em compara\u00e7\u00e3o com outros tipos do v\u00edrus; de ser mais transmiss\u00edvel; e de diminuir mais rapidamente as c\u00e9lulas de defesa T-CD4 do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores da pesquisa, liderada por uma equipe da Universidade Oxford (Inglaterra), estimam que a variante surgiu na Holanda entre o final dos anos 1980 e a d\u00e9cada de 1990, se espalhou nos anos 2000 e passou a perder for\u00e7a a partir de 2010. Mas esta \u00e9 a primeira vez que a variante \u00e9 descrita e mapeada em indiv\u00edduos \u2014 a infec\u00e7\u00e3o pela VB foi confirmada em 109 pessoas analisadas no estudo, a grande maioria na Holanda (os pesquisadores detectaram tamb\u00e9m um caso na Su\u00ed\u00e7a e outro na B\u00e9lgica).<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos autores, o pesquisador Chris Wymant, explicou por e-mail \u00e0 BBC News Brasil que os resultados n\u00e3o devem preocupar a popula\u00e7\u00e3o, porque a resposta ideal a essa e outras variantes do HIV j\u00e1 existe: testes e tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, est\u00e1 a\u00ed uma boa not\u00edcia do estudo. Em compara\u00e7\u00e3o com outros tipos de HIV, a variante VB mostrou ser mais virulenta, transmiss\u00edvel e agressiva em pessoas que ainda n\u00e3o tinham passado por tratamento. No entanto, depois do tratamento, pessoas com a variante VB passaram a apresentar recupera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas CD4 e indicadores de mortalidade semelhantes aos daquelas com outros tipos de HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A descoberta dessa variante refor\u00e7a a import\u00e2ncia de orienta\u00e7\u00f5es que j\u00e1 existem: que os indiv\u00edduos com risco de contrair o HIV tenham acesso a testes regulares, permitindo o diagn\u00f3stico precoce, seguido de tratamento imediato&#8221;, escreveu Wymant, pesquisador s\u00eanior da Universidade de Oxford e especialista na evolu\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>O HIV \u00e9 o v\u00edrus que causa a S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Adquirida (Aids). A Unaids (Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids) estima que 37,7 milh\u00f5es de pessoas viviam com HIV no mundo em 2020, ano em que ocorreram 1,5 milh\u00e3o de novas infec\u00e7\u00f5es. Naquele ano, estima-se que 680 mil pessoas morreram por problemas de sa\u00fade relacionados \u00e0 Aids (contra 1,9 milh\u00e3o em 2004 e 1,3 milh\u00e3o em 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, 73% das pessoas com HIV tinham acesso a tratamento, hoje feito \u00e0 base de medicamentos \u2014 muitas vezes apenas uma p\u00edlula tomada diariamente \u2014 e considerado muito eficaz.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Carga-viral-de-3-a-5-vezes-maior-\">Carga viral de 3 a 5 vezes maior<\/h2>\n\n\n\n<p>O HIV tem alguns subtipos, fortemente relacionados \u00e0 localidade. Por exemplo, na \u00c1frica, os subtipos mais comuns s\u00e3o A, C e D; na Europa, o subtipo B. Segundo um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-021-94542-5#:~:text=The%20current%20picture%20of%20the,1%20molecular%20diversity%20in%20Brazil.\">estudo publicado no ano passado<\/a>, no Brasil, o subtipo B tamb\u00e9m \u00e9 o mais frequente.<\/p>\n\n\n\n<p>Wymant explica que, dentro dos subtipos, h\u00e1 a ramifica\u00e7\u00e3o em variantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Encontrar uma nova variante \u00e9 normal, mas encontrar uma nova variante com propriedades incomuns n\u00e3o \u00e9. Especialmente uma com maior virul\u00eancia&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O pior cen\u00e1rio seria a emerg\u00eancia de uma variante que combina alta virul\u00eancia, alta transmissibilidade e resist\u00eancia ao tratamento. A variante que descobrimos tem apenas as duas primeiras dessas caracter\u00edsticas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No momento do diagn\u00f3stico, antes do tratamento, pessoas com a variante VB apresentaram uma carga viral 3,5 a 5,5 vezes maior do que aquelas com outros tipos de HIV; a taxa de decl\u00ednio das c\u00e9lulas CD4 foi duas vezes mais veloz, colocando-as sob risco de desenvolver a Aids muito mais r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores dizem que, possivelmente, a variante foi resultado de muta\u00e7\u00f5es que aconteceram ao longo do tempo e s\u00f3 foi revelada agora por alguns motivos \u2014 como o fato de o sequenciamento gen\u00e9tico de amostras de pessoas com HIV ser relativamente recente.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o sobre a variante come\u00e7ou porque cientistas envolvidos no projeto BEEHIVE detectaram 17 indiv\u00edduos com uma carga viral atipicamente alta. O BEEHIVE foi criado em 2014 com o objetivo de monitorar a influ\u00eancia da gen\u00e9tica nas infec\u00e7\u00f5es pelo HIV, e faz isso acompanhando a sa\u00fade de pacientes em pa\u00edses da Europa e em Uganda. Conforme os pesquisadores foram analisando geneticamente as amostras destes e mais pacientes, detectaram uma nova variante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Consideramos que o v\u00edrus (na forma da variante VB) emergiu apesar de um forte programa de tratamento na Holanda, e n\u00e3o por causa dele. O outro lado da moeda \u00e9 que o excelente monitoramento na Holanda tornou mais prov\u00e1vel a detec\u00e7\u00e3o de uma variante como essa&#8221;, aponta Wymant.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: Valor Investe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>03\/02\/2022 Uma nova variante do v\u00edrus do HIV descrita como &#8220;altamente virulenta&#8221; foi revelada nesta quinta-feira (3\/2) em um artigo na revista cient\u00edfica Science. 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