{"id":1430,"date":"2022-03-15T19:39:00","date_gmt":"2022-03-15T19:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1430"},"modified":"2022-03-26T19:40:04","modified_gmt":"2022-03-26T19:40:04","slug":"de-onde-vem-a-radioatividade-benigna-que-temos-no-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/de-onde-vem-a-radioatividade-benigna-que-temos-no-corpo\/","title":{"rendered":"De onde vem a radioatividade &#8216;benigna&#8217; que temos no corpo"},"content":{"rendered":"\n<p>15\/03\/2022<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muitas pessoas t\u00eam medo da radia\u00e7\u00e3o, que consideram uma for\u00e7a mortal e invis\u00edvel criada pelo homem. Esse temor muitas vezes corrobora a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 energia nuclear. Na verdade, a maior parte da radia\u00e7\u00e3o \u00e9 natural e a vida na Terra n\u00e3o seria poss\u00edvel sem ela.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00e1reas da energia nuclear e da medicina nuclear, n\u00f3s simplesmente aproveitamos a radia\u00e7\u00e3o para nosso pr\u00f3prio uso, da mesma forma que empregamos o fogo ou as propriedades medicinais das plantas, que tamb\u00e9m t\u00eam o poder de causar danos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de algumas toxinas encontradas na natureza, os seres humanos evolu\u00edram para viver com a exposi\u00e7\u00e3o a baixas doses de radia\u00e7\u00e3o e apenas doses relativamente altas s\u00e3o prejudiciais. Uma boa analogia \u00e9 com paracetamol &#8211; um comprimido pode curar sua dor de cabe\u00e7a, mas tomar uma caixa inteira de uma vez pode matar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Big Bang, cerca de 14 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, gerou radia\u00e7\u00e3o na forma de \u00e1tomos conhecidos como radiois\u00f3topos primordiais (em que &#8220;primordiais&#8221; significa &#8220;do come\u00e7o dos tempos&#8221;). Eles agora s\u00e3o parte de tudo no universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns deles t\u00eam longas meia-vida &#8211; a medida do tempo necess\u00e1rio para que a sua radioatividade seja reduzida \u00e0 metade. Para uma forma radioativa de t\u00f3rio, a meia-vida \u00e9 de 14 bilh\u00f5es de anos; para ur\u00e2nio, 4,5 bilh\u00f5es e, para pot\u00e1ssio, 1,3 bilh\u00e3o de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Radiois\u00f3topos primordiais ainda est\u00e3o presentes em rochas, minerais e no solo at\u00e9 hoje. A sua degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de calor no interior da Terra. Ela transforma o n\u00facleo de ferro fundido em um d\u00ednamo de convec\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m um campo magn\u00e9tico suficientemente forte para proteger-nos contra a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica. N\u00e3o fosse por isso, essa radia\u00e7\u00e3o eliminaria a vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem essa radioatividade, a Terra teria se resfriado gradualmente at\u00e9 tornar-se um globo rochoso morto com uma bola de ferro fria no seu n\u00facleo. A vida n\u00e3o existiria.<\/p>\n\n\n\n<p>A radia\u00e7\u00e3o espacial interage com elementos da atmosfera superior da Terra e alguns minerais da superf\u00edcie para produzir novos radiois\u00f3topos &#8220;cosmog\u00eanicos&#8221;, incluindo algumas formas de hidrog\u00eanio, carbono, alum\u00ednio e outros elementos bem conhecidos. A maioria deles degrada-se rapidamente, exceto por uma forma radioativa de carbono, cuja meia-vida de 5.700 anos permite seu uso por arque\u00f3logos para data\u00e7\u00e3o por radiocarbono.<\/p>\n\n\n\n<p>Radiois\u00f3topos primordiais e cosmog\u00eanicos s\u00e3o a fonte da maior parte da radia\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa volta. A radia\u00e7\u00e3o \u00e9 retirada do solo pelas plantas e est\u00e1 presente em alimentos, como bananas, feij\u00e3o, cenouras, batatas, amendoins e castanhas-do-par\u00e1. A cerveja, por exemplo, cont\u00e9m uma forma radioativa de pot\u00e1ssio &#8211; mas apenas cerca de um d\u00e9cimo da encontrada em suco de cenoura.<\/p>\n\n\n\n<p>Os radiois\u00f3topos dos alimentos passam, em grande parte, pelos nossos corpos, mas alguns permanecem por algum tempo (sua meia-vida biol\u00f3gica \u00e9 o tempo necess\u00e1rio para sua remo\u00e7\u00e3o dos nossos corpos). Aquela mesma forma radioativa de pot\u00e1ssio emite raios gama com alta energia \u00e0 medida que se degrada. Esses raios gama escapam do corpo humano, o que confirma que todos n\u00f3s somos levemente radioativos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Vivendo-com-a-radioatividade\">Vivendo com a radioatividade<\/h2>\n\n\n\n<p>Historicamente, temos ignorado a presen\u00e7a de radioatividade no nosso ambiente, mas nossos corpos evolu\u00edram naturalmente para viver com ela. Nossas c\u00e9lulas desenvolveram mecanismos de prote\u00e7\u00e3o que estimulam a repara\u00e7\u00e3o de DNA em resposta aos danos por radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A radioatividade natural foi descoberta pela primeira vez pelo cientista franc\u00eas Henri Becquerel em 1896. Os primeiros materiais radioativos artificiais foram produzidos por Marie e Pierre Curie nos anos 1930 e, desde ent\u00e3o, v\u00eam sendo utilizados na ci\u00eancia, ind\u00fastria, agricultura e medicina.<\/p>\n\n\n\n<p>A terapia de radia\u00e7\u00e3o, por exemplo, ainda \u00e9 um dos m\u00e9todos mais importantes de tratamento do c\u00e2ncer. Para aumentar a pot\u00eancia da radia\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, pesquisadores est\u00e3o atualmente tentando modificar c\u00e9lulas cancerosas para reduzir sua capacidade de reparar a si pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s usamos material radioativo para diagn\u00f3stico e tratamento em &#8220;medicina nuclear&#8221;. Os pacientes recebem inje\u00e7\u00f5es de radiois\u00f3topos espec\u00edficos, dependendo do local do corpo onde o tratamento ou o diagn\u00f3stico \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Radioiodo, por exemplo, \u00e9 coletado na gl\u00e2ndula tireoide, enquanto o r\u00e1dio acumula-se principalmente nos ossos. A radia\u00e7\u00e3o emitida \u00e9 utilizada para diagnosticar tumores cancerosos. Radiois\u00f3topos s\u00e3o tamb\u00e9m empregados para o tratamento de c\u00e2nceres, dirigindo-se sua radia\u00e7\u00e3o emitida para um tumor.<\/p>\n\n\n\n<p>O radiois\u00f3topo m\u00e9dico mais comum \u00e9 99mTc (tecn\u00e9cio), que \u00e9 empregado em 30 milh\u00f5es de procedimentos anualmente em todo o mundo. Como muitos outros is\u00f3topos m\u00e9dicos, ele \u00e9 produzido pelo homem, derivado de um radiois\u00f3topo original criado por meio da fiss\u00e3o de ur\u00e2nio em reatores nucleares.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Medo-de-radia\u00e7\u00e3o-pode-impulsionar-combust\u00edveis-f\u00f3sseis\">Medo de radia\u00e7\u00e3o pode impulsionar combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar dos benef\u00edcios oferecidos pelos reatores nucleares, as pessoas temem a radia\u00e7\u00e3o criada pelos res\u00edduos at\u00f4micos ou por acidentes como os de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, ou Fukushima, no Jap\u00e3o. Mas muito poucas pessoas morreram devido \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia nuclear ou acidentes relacionados em compara\u00e7\u00e3o com outras fontes de energia prim\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o medo da radia\u00e7\u00e3o esteja prejudicando estrat\u00e9gias de combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A Alemanha, por exemplo, gera atualmente cerca de um quarto da sua eletricidade a partir do carv\u00e3o, mas considera a energia nuclear perigosa e est\u00e1 fechando suas \u00faltimas usinas at\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os reatores modernos criam res\u00edduos m\u00ednimos. Estes, junto com os res\u00edduos herdados de reatores antigos, podem ser imobilizados em cimento e vidro e descartados profundamente no subsolo. Os res\u00edduos radioativos tamb\u00e9m n\u00e3o geram di\u00f3xido de carbono, ao contr\u00e1rio do carv\u00e3o, g\u00e1s ou \u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s agora temos a compreens\u00e3o necess\u00e1ria para utilizar a radia\u00e7\u00e3o com seguran\u00e7a e empreg\u00e1-la em nosso benef\u00edcio e para o bem do planeta. Com temor excessivo e rejei\u00e7\u00e3o da energia nuclear como fonte de energia prim\u00e1ria, arriscamos depender dos combust\u00edveis f\u00f3sseis por mais tempo. E \u00e9 isso &#8211; e n\u00e3o a radia\u00e7\u00e3o &#8211; que coloca o planeta e n\u00f3s em maior risco.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: Valor Investe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>15\/03\/2022 Muitas pessoas t\u00eam medo da radia\u00e7\u00e3o, que consideram uma for\u00e7a mortal e invis\u00edvel criada pelo homem. Esse temor muitas vezes corrobora a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 energia nuclear. Na verdade, a maior parte da radia\u00e7\u00e3o \u00e9 natural e a vida na Terra n\u00e3o seria poss\u00edvel sem ela. Nas \u00e1reas da energia nuclear e da medicina nuclear, [&#8230;]\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1431,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[23],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1430"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1432,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1430\/revisions\/1432"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}