{"id":1525,"date":"2022-04-13T19:09:00","date_gmt":"2022-04-13T19:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1525"},"modified":"2022-04-16T19:12:07","modified_gmt":"2022-04-16T19:12:07","slug":"o-gigantesco-impacto-que-explica-misterio-das-duas-faces-da-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/o-gigantesco-impacto-que-explica-misterio-das-duas-faces-da-lua\/","title":{"rendered":"O gigantesco impacto que explica mist\u00e9rio das duas faces da Lua"},"content":{"rendered":"\n<p>13\/04\/2022<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foi no final dos anos 1950 e 1960 que as miss\u00f5es sovi\u00e9ticas e americanas revelaram duas faces muito diferentes da Lua.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A face vis\u00edvel est\u00e1 coberta pelos chamados mares lunares, que aparecem como grandes manchas obscuras que revelam antigos fluxos de lava. Na face oculta, no entanto, quase n\u00e3o se v\u00ea esses mares.<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo desta diferen\u00e7a \u00e9 um mist\u00e9rio de longa data.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um novo estudo cient\u00edfico dos Estados Unidos prop\u00f5e uma explica\u00e7\u00e3o para resolver o enigma: um gigantesco impacto h\u00e1 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s teria gerado essa diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Duas-faces-muito-distintas\">Duas faces muito distintas<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;As maiores diferen\u00e7as entre a face vis\u00edvel e a face oculta da Lua t\u00eam a ver com a apar\u00eancia e com a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica destas regi\u00f5es lunares&#8221;, disse \u00e0 BBC News Mundo, o servi\u00e7o em espanhol da BBC, Jos\u00e9 Mar\u00eda Madiedo, astrof\u00edsico do Instituto de Astrof\u00edsica de Andaluc\u00eda (IAA-CSIC), especialista em impactos de asteroides na Lua. Madiedo n\u00e3o participou do estudo americano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na face vis\u00edvel h\u00e1 muitas grandes \u00e1reas cobertas de lava solidificada que s\u00e3o chamadas de mares. Na face oculta, por\u00e9m, esses mares s\u00e3o muito escassos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Madiedo destacou ainda que, em termos de composi\u00e7\u00e3o, as miss\u00f5es espaciais realizadas at\u00e9 agora encontraram grandes contrastes na presen\u00e7a de certos elementos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por exemplo, na face vis\u00edvel h\u00e1 concentra\u00e7\u00f5es mais altas de pot\u00e1ssio, tit\u00e2nio, t\u00f3rio, f\u00f3sforo e outros elementos do chamado grupo de terras raras (REE, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tudo isso revela que ao longo de sua evolu\u00e7\u00e3o a Lua deve ter sofrido algum tipo de fen\u00f4meno que poderia dar origem a essas diferen\u00e7as.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O novo estudo, publicado na revista Science Advances, aponta que as diferen\u00e7as entre as faces da Lua ocorrem por causa do grande impacto, que criou a chamada bacia do P\u00f3lo Sul-Aitken (SPA na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>A Bacia do P\u00f3lo Sul-Aitken &#8220;\u00e9 uma grande cratera de impacto localizada nas proximidades do p\u00f3lo sul da Lua&#8221;, explicou Madiedo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com um di\u00e2metro de cerca de 2,5 mil km e uma profundidade de 12 km, essa \u00e9 uma das maiores estruturas de impacto encontradas em objetos do Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o desta bacia situa-se na \u00e1rea correspondente ao lado oculto da Lua, que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel da Terra, acrescentou o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Do nosso planeta, s\u00f3 se v\u00ea a borda da bacia, que \u00e9 formada por uma cadeia montanhosa de cerca de 9 quil\u00f4metros de altitude.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Fluxos-de-lava\">Fluxos de lava<\/h2>\n\n\n\n<p>O impacto que criou a bacia do P\u00f3lo Sul-Aitken teria causado uma enorme nuvem de calor que se propagou pelo interior da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que se espalhava, essa nuvem carregou v\u00e1rias terras raras para o lado vis\u00edvel da Lua. E a abund\u00e2ncia desses elementos geradores de calor teria contribu\u00eddo para a atividade vulc\u00e2nica que criou os fluxos de lava.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sabemos que grandes impactos como o que formou o SPA gerariam muito calor&#8221;, diz Matt Jones, principal autor do estudo e estudante de p\u00f3s-doutorado na Brown University em Rhode Island.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9 como esse calor afeta a din\u00e2mica interior da Lua. O que mostramos \u00e9 que sob quaisquer condi\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis no momento em que o SPA se formou, esses elementos produtores de calor acabam se concentrando no lado pr\u00f3ximo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso contribuiu para o derretimento do manto que produziu os fluxos de lava que vemos na superf\u00edcie.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2>&#8216;Como um surfista&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>O lado mais pr\u00f3ximo da Lua hospeda uma anomalia de composi\u00e7\u00e3o conhecida como Procellarum KREEP Terrain (PKT) \u2014 uma concentra\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio, elementos de terras raras e f\u00f3sforo, juntamente com elementos produtores de calor como o t\u00f3rio, explicou em um comunicado a Brown University.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse KREEP parece estar concentrado dentro e ao redor da Oceanus Procellarum, a maior das plan\u00edcies vulc\u00e2nicas pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas executaram simula\u00e7\u00f5es de computador de como o calor gerado por um impacto gigante alteraria os padr\u00f5es de convec\u00e7\u00e3o no interior da Lua e como isso poderia redistribuir o material KREEP no manto lunar.<\/p>\n\n\n\n<p>Modelos do interior lunar sugerem que o material deveria ter sido distribu\u00eddo mais ou menos uniformemente abaixo da superf\u00edcie. Mas este novo modelo mostra que a distribui\u00e7\u00e3o uniforme seria interrompida pela nuvem de calor gerada pelo impacto do SPA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;De acordo com o modelo, o material KREEP teria &#8216;surfado&#8217; na onda de calor que emanou da zona de impacto do SPA como se fosse um surfista&#8221;, diz o comunicado da Brown University.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que a nuvem de calor se estendia abaixo da crosta da Lua, esse material foi atra\u00eddo para o lado mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores dizem que o trabalho fornece uma explica\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel para um dos grandes mist\u00e9rios sobre a Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como o PKT se formou \u00e9 possivelmente a maior quest\u00e3o em aberto na ci\u00eancia lunar&#8221;, disse Jones. &#8220;E o impacto do P\u00f3lo Sul-Aitken \u00e9 um dos maiores eventos da hist\u00f3ria lunar. Este trabalho re\u00fane essas duas coisas e acho que nossos resultados s\u00e3o realmente empolgantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da Brown University, pesquisadores da Purdue University, da Stanford University, do Lunar and Planetary Science Laboratory no Arizona e do Jet Propulsion Laboratory da NASA participaram do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: Valor Investe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13\/04\/2022 Foi no final dos anos 1950 e 1960 que as miss\u00f5es sovi\u00e9ticas e americanas revelaram duas faces muito diferentes da Lua. A face vis\u00edvel est\u00e1 coberta pelos chamados mares lunares, que aparecem como grandes manchas obscuras que revelam antigos fluxos de lava. Na face oculta, no entanto, quase n\u00e3o se v\u00ea esses mares. 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