{"id":1570,"date":"2022-05-04T00:34:00","date_gmt":"2022-05-04T00:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1570"},"modified":"2022-05-17T00:43:00","modified_gmt":"2022-05-17T00:43:00","slug":"franca-de-macron-deve-seguir-distante-de-brasil-de-bolsonaro-dizem-analistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/franca-de-macron-deve-seguir-distante-de-brasil-de-bolsonaro-dizem-analistas\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a de Macron deve seguir distante de Brasil de Bolsonaro, dizem analistas"},"content":{"rendered":"\n<p>04\/05\/2022<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com a reelei\u00e7\u00e3o do presidente Emmanuel Macron, a Fran\u00e7a dever\u00e1 manter rela\u00e7\u00e3o distante com o Brasil do governo de Jair Bolsonaro (PL), segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil. Uma eventual reaproxima\u00e7\u00e3o depender\u00e1 do resultado das elei\u00e7\u00f5es presidenciais brasileiras em outubro e de uma mudan\u00e7a real na pol\u00edtica ambiental do pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses devem se manter frias pelo menos at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es no Brasil. Se Lula for eleito em outubro, deve haver uma mudan\u00e7a importante na rela\u00e7\u00e3o bilateral. A posi\u00e7\u00e3o francesa em rela\u00e7\u00e3o ao acordo de livre com\u00e9rcio entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia poder\u00e1 ser destravado com a chegada de Lula ao poder, desde que haja vontade pol\u00edtica dos dois lados&#8221;, afirma Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observat\u00f3rio Pol\u00edtico da Am\u00e9rica Latina e Caribe da universidade Sciences Po, em Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Estrada acrescenta que, caso Bolsonaro seja reeleito, a tend\u00eancia \u00e9 a de que as rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses permane\u00e7am distantes, a n\u00e3o ser que haja uma altera\u00e7\u00e3o significativa na pol\u00edtica de meio ambiente do governo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista afirma que, no caso de um terceiro nome vencer as presidenciais no Brasil, hip\u00f3tese que considera &#8220;muito improv\u00e1vel&#8221; em fun\u00e7\u00e3o das pesquisas espont\u00e2neas a seis meses do pleito, &#8220;qualquer nome seria melhor do que o do Bolsonaro&#8221; para reaproximar a Fran\u00e7a do Brasil, mas ressalta que o avan\u00e7o efetivo nessa dire\u00e7\u00e3o dependeria das propostas desse eventual terceiro nome.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron foi reeleito com 58,6% dos votos, enquanto sua rival, Marine Le Pen, da direita radical, obteve 41,4%, o melhor resultado j\u00e1 conquistado pela Reuni\u00e3o Nacional (ex-Frente Nacional) em uma corrida presidencial na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A vota\u00e7\u00e3o foi marcada por uma forte absten\u00e7\u00e3o, de 28%, a segunda maior desde 1969, al\u00e9m de mais de 8% de votos em branco e nulos. Na Fran\u00e7a, o voto n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron n\u00e3o tem boas rela\u00e7\u00f5es com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), que zombou da apar\u00eancia da primeira-dama francesa, Brigitte Macron, nas redes sociais, causando indigna\u00e7\u00e3o no governo franc\u00eas, e cancelou um compromisso com o chanceler da Fran\u00e7a, Jean-Yves Le Drian, para cortar o cabelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um forte ponto de atrito entre os dois chefes de Estado \u00e9 o desmatamento da Amaz\u00f4nia, que j\u00e1 provocou v\u00e1rias trocas de farpas desde 2019, quando os inc\u00eandios na floresta ganharam destaque mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>No final do ano passado, Macron afirmou que a rela\u00e7\u00e3o entre o Brasil e a Fran\u00e7a &#8220;j\u00e1 foi melhor&#8221; e ressaltou, em uma reuni\u00e3o do G20, a necessidade de ampliar a coopera\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente franc\u00eas tamb\u00e9m tem se recusado a avan\u00e7ar no processo de ratifica\u00e7\u00e3o do acordo entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia, firmado em 2019 ap\u00f3s 20 anos de negocia\u00e7\u00f5es, devido \u00e0 pol\u00edtica ambiental do governo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00fanico debate desta campanha presidencial francesa, realizado entre Macron e Le Pen, \u00e0s v\u00e9speras do segundo turno, quando o frango brasileiro foi evocado pela l\u00edder da direita radical como um exemplo de concorr\u00eancia desleal, Macron retrucou que a Fran\u00e7a se recusou a avan\u00e7ar no acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa postura francesa ocorre, segundo Macron, porque n\u00e3o houve respeito dos compromissos clim\u00e1ticos do Acordo de Paris, nem da biodiversidade e ressaltou que a Europa prop\u00f4s medidas para lutar contra o &#8220;desmatamento importado&#8221;. Elas visam proibir a entrada no continente europeu de alguns produtos, como carne, soja, caf\u00e9 e madeira, que provenham de \u00e1reas desmatadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Rela\u00e7\u00e3o-distante-com-a-Am\u00e9rica-Latina\">Rela\u00e7\u00e3o distante com a Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n\n\n\n<p>A Fran\u00e7a (representada por Macron) comanda at\u00e9 o final de junho a presid\u00eancia rotativa da Uni\u00e3o Europeia e espera obter um acordo sobre a proibi\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es ligadas ao desmatamento durante esse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fran\u00e7a tamb\u00e9m prop\u00f4s, como lembrou Macron durante o debate na TV, incluir no acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia a chamada &#8220;cl\u00e1usula espelho&#8221;, o que na pr\u00e1tica obrigaria os produtores do Mercosul a respeitar as mesmas exig\u00eancias que s\u00e3o feitas aos agricultores e industriais europeus. Essa proposta francesa tamb\u00e9m precisa ser aprovada pelos demais 26 pa\u00edses-membros da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron foi criticado por sua pol\u00edtica ambiental, vista como insuficiente e deixada em segundo plano por uma parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para conquistar o eleitorado jovem, que preferiu majoritariamente no primeiro turno o candidato Jean-Luc M\u00e9lenchon, da esquerda radical, e eleitores da esquerda em geral, Macron prometeu no final da campanha presidencial tornar a quest\u00e3o uma prioridade de seu segundo mandato, que come\u00e7a em maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto pol\u00edtico, dificilmente o l\u00edder franc\u00eas mudar\u00e1 de posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia enquanto o Brasil continuar registrando recordes de desmatamento na Amaz\u00f4nia, como ocorreu no primeiro trimestre deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Analistas estimam que mudan\u00e7as na pol\u00edtica ambiental brasileira s\u00f3 poderiam ocorrer se um novo governo sair das urnas nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, se Le Pen tivesse vencido as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, as rela\u00e7\u00f5es comerciais com o Brasil poderiam recuar. Al\u00e9m de restabelecer controles de mercadorias na fronteira, mesmo que elas j\u00e1 tivessem sido inspecionadas em outro pa\u00eds membro, o que violaria o acordo de livre circula\u00e7\u00e3o de mercadorias, Le Pen tamb\u00e9m queria excluir a agricultura dos acordos comerciais firmados pelo bloco europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron n\u00e3o teve uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Ele s\u00f3 visitou a Argentina para uma reuni\u00e3o do G20 e n\u00e3o fez nenhuma visita oficial \u00e0 regi\u00e3o, apesar da maior fronteira da Fran\u00e7a ser entre a Guiana Francesa e o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Bolsonaro-n\u00e3o-parabenizou-Macron\">Bolsonaro n\u00e3o parabenizou Macron<\/h2>\n\n\n\n<p>Bolsonaro n\u00e3o felicitou Macron por sua vit\u00f3ria na presidencial at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>O Itamaraty divulgou uma curta nota no dia seguinte \u00e0 elei\u00e7\u00e3o francesa cumprimentando o presidente franc\u00eas e reafirmando &#8220;a disposi\u00e7\u00e3o do Brasil de trabalhar pelo aprofundamento dos la\u00e7os hist\u00f3ricos que unem os dois pa\u00edses&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os presidentes da Col\u00f4mbia, da Argentina, do M\u00e9xico e do Chile saudaram Macron, como tamb\u00e9m l\u00edderes de v\u00e1rios outros pa\u00edses, incluindo a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00e9-candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Brasil, como Jo\u00e3o Doria (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), felicitaram o presidente franc\u00eas. Atual l\u00edder nas pesquisas, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) publicou em redes sociais uma foto sua ao lado de Macron e o cumprimentou &#8220;pela ampla vit\u00f3ria nas urnas&#8221;, afirmando ainda torcer &#8220;pelo sucesso de seu governo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Lula foi recebido por Macron no Pal\u00e1cio do Eliseu em novembro passado com o protocolo oficial tradicionalmente concedido a ex-chefes de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Lula n\u00e3o ocupe nenhum cargo p\u00fablico, eles discutiram no encontro temas globais e ligados ao Brasil, como os impactos sociais da crise sanit\u00e1rira, a transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e a luta contra o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Avan\u00e7o-da-direita-radical-na-Fran\u00e7a\">Avan\u00e7o da direita radical na Fran\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Marine Le Pen disputou sua terceira elei\u00e7\u00e3o presidencial pela legenda fundada por seu pai, Jean-Marie Le Pen, nos anos 1970. Ela foi derrotada, mas teve um desempenho in\u00e9dito, ultrapassando 40% dos votos. \u00c9 um avan\u00e7o consider\u00e1vel da direita radical na Fran\u00e7a, afirmam especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Le Pen moderou seu discurso, embora tenha mantido em seu programa v\u00e1rios fundamentos do partido da \u00e9poca de seu pai. Ela conquistou cerca de 2,6 milh\u00f5es de votos a mais do que em 2017 e ampliou seu resultado no segundo turno em quase oito pontos percentuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Le Pen e Jean-Luc M\u00e9lenchon, da esquerda radical, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 22% dos votos, esperam agora conseguir um bom desempenho nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de junho para impedir que Macron obtenha maioria parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Le Pen ganhou sua aposta, apesar de n\u00e3o ter vencido as elei\u00e7\u00f5es. Ela se projeta no horizonte dos pr\u00f3ximos cinco anos (quando haver\u00e1 uma nova disputa presidencial)&#8221;, diz o professor Jean-Jacques Kourliandsky, do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Estrat\u00e9gicas e diretor do Observat\u00f3rio da Am\u00e9rica Latina da Funda\u00e7\u00e3o Jean Jaur\u00e8s, ligada ao Partido Socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o analista, a alta taxa de absten\u00e7\u00e3o nessas elei\u00e7\u00f5es presidenciais francesas mostra que h\u00e1 uma &#8220;disfun\u00e7\u00e3o grave da democracia&#8221; e que, se os eleitores consideram que n\u00e3o vale a pena votar ou que \u00e9 melhor protestar votando, a oferta pol\u00edtica n\u00e3o corresponde mais \u00e0s expectativas dos eleitores e o sistema eleitoral n\u00e3o permite uma representa\u00e7\u00e3o desse eleitorado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o Brasil, a Fran\u00e7a tamb\u00e9m est\u00e1 dividida. Em seu discurso ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o de sua vit\u00f3ria, Macron prometeu unir o pa\u00eds. Mas a polariza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a \u00e9 sobretudo de ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas de maior renda, com maior n\u00edvel de ensino e de grandes centros urbanos, al\u00e9m de aposentados de classe m\u00e9dia e alta, optaram mais por Macron. J\u00e1 as classes de menor renda, oper\u00e1rios, desempregados e moradores de pequenas localidades rurais, al\u00e9m de agricultores, preferiram Le Pen.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>04\/05\/2022 Com a reelei\u00e7\u00e3o do presidente Emmanuel Macron, a Fran\u00e7a dever\u00e1 manter rela\u00e7\u00e3o distante com o Brasil do governo de Jair Bolsonaro (PL), segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil. 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