{"id":1647,"date":"2022-06-02T01:56:00","date_gmt":"2022-06-02T01:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=1647"},"modified":"2022-06-22T02:00:41","modified_gmt":"2022-06-22T02:00:41","slug":"os-cientistas-que-ressuscitaram-celulas-da-retina-de-doador-morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/os-cientistas-que-ressuscitaram-celulas-da-retina-de-doador-morto\/","title":{"rendered":"Os cientistas que &#8216;ressuscitaram&#8217; c\u00e9lulas da retina de doador morto"},"content":{"rendered":"\n<p>02\/06\/2022<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Historicamente, sempre se pensou que o momento da morte de um ser humano ocorre quando a atividade circulat\u00f3ria, respirat\u00f3ria ou cerebral era interrompida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora muitos \u00f3rg\u00e3os possam ser transplantados ap\u00f3s a morte, usando t\u00e9cnicas para aumentar seu tempo \u00fatil, os tecidos do sistema nervoso central deixam de ser &#8220;vi\u00e1veis&#8221; para esse tipo de procedimento \u200b\u200blogo ap\u00f3s a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea cessar.<\/p>\n\n\n\n<p>E isso impede que eles sejam usados \u200b\u200bpara transplantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os rins, por exemplo, podem permanecer \u00fateis \u200b\u200bfora do corpo por 24 a 36 horas. Mas os tecidos do sistema nervoso central, os bilh\u00f5es de neur\u00f4nios que transmitem informa\u00e7\u00f5es sensoriais, como sinais el\u00e9tricos, perdem seu potencial de transplante muito rapidamente ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, pouco se sabia sobre os mecanismos que causam a morte neuronal e quais s\u00e3o as possibilidades de revert\u00ea-la e otimizar sua viabilidade para transplantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, uma equipe de pesquisadores do John A Moran Eye Center, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, garantiu que conseguiu &#8220;reviver&#8221; as c\u00e9lulas neuronais respons\u00e1veis \u200b\u200bpela detec\u00e7\u00e3o de luz nas retinas de doadores j\u00e1 mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>No estudo, publicado na revista Nature, os cientistas descrevem como usaram essas retinas para investigar como elas podem reviver c\u00e9lulas associadas \u00e0 vis\u00e3o, as chamadas &#8220;c\u00e9lulas fotorreceptoras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>E, al\u00e9m de &#8220;reviver&#8221; as c\u00e9lulas ap\u00f3s a morte do doador, os cientistas tamb\u00e9m conseguiram restabelecer a comunica\u00e7\u00e3o entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conseguimos despertar c\u00e9lulas fotorreceptoras na m\u00e1cula humana, que \u00e9 a regi\u00e3o da retina respons\u00e1vel por nossa vis\u00e3o central e nossa capacidade de ver detalhes e cores&#8221;, explica a cientista Fatima Abbas, principal autora do estudo, e pesquisadora do Moran Eye Center.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em olhos obtidos at\u00e9 cinco horas ap\u00f3s a morte do doador, essas c\u00e9lulas responderam \u00e0 luz brilhante e coloridas, e at\u00e9 mesmo a flashes de luz muito fracos&#8221;, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>O oftalmologista Santiago Abengoechea, especialista em retina e tratamentos para degenera\u00e7\u00e3o macular do Centro de Oftalmologia Barraquer, na Espanha, afirma que o estudo &#8220;abre um leque de possibilidades terap\u00eauticas futuras&#8221;, especificamente para doen\u00e7as da m\u00e1cula, como degenera\u00e7\u00e3o associada \u00e0 idade.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"O-papel-do-oxig\u00eanio-\">O papel do oxig\u00eanio<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo, os pesquisadores usaram retinas &#8211; como um modelo do sistema nervoso central &#8211; coletadas de humanos e camundongos mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles descobriram que podiam &#8220;despertar&#8221; c\u00e9lulas fotorreceptoras, c\u00e9lulas que detectam luz e nos permitem &#8220;enxergar&#8221; at\u00e9 cinco horas ap\u00f3s a morte de um doador de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>As c\u00e9lulas podiam responder \u00e0 luz brilhante, luzes coloridas e at\u00e9 mesmo flashes de luz muito fracos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os cientistas encontraram problemas no processo. Eles descobriram que as c\u00e9lulas fotorreceptoras eram incapazes de se comunicar com outras c\u00e9lulas da retina e determinaram que o fator cr\u00edtico que levava a esse problema de comunica\u00e7\u00e3o era a falta de oxig\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para superar esse empecilho, os pesquisadores conseguiram obter os olhos dos doadores apenas 20 minutos depois da morte e projetaram uma unidade de transporte especial que fornece oxig\u00eanio e nutrientes aos olhos doados.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando essa abordagem, eles descobriram que poderiam fazer as c\u00e9lulas da retina se comunicarem da mesma maneira que fazem em corpos vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conseguimos fazer as c\u00e9lulas da retina falarem umas com as outras, da mesma forma que fazem no olho vivo para proporcionar a vis\u00e3o humana&#8221;, explicou Frans Vinberg, outro dos autores do estudo, em um comunicado \u00e0 imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pesquisas anteriores restauraram uma atividade el\u00e9trica muito limitada nos olhos de doadores de \u00f3rg\u00e3os, mas isso nunca foi alcan\u00e7ado na m\u00e1cula (a parte da retina respons\u00e1vel por nossa vis\u00e3o central), e nunca na extens\u00e3o que mostramos agora&#8221;, acrescentou o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"O-que-a-pesquisa-significa\">O que a pesquisa significa?<\/h2>\n\n\n\n<p>Especialistas dizem que o estudo \u00e9 um avan\u00e7o muito importante por duas raz\u00f5es principais.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora ser\u00e1 poss\u00edvel estudar a vis\u00e3o humana de maneiras que n\u00e3o foram investigadas anteriormente com testes com animais em laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, mais importante, a pesquisa pode levar a novas terapias para doen\u00e7as oculares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Restaurar a atividade funcional dos fotorreceptores \u00e9 uma descoberta in\u00e9dita que pode abrir as portas para futuros tratamentos&#8221;, disse o oftalmologista Santiago Abengoechea, do Centro de Oftalmologia Barraquer, \u00e0 BBC News Mundo, servi\u00e7o em espanhol da BBC.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 agora, um dos limites era marcado pelo caminho sem volta da falta de resposta dos fotorreceptores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Abengoechea diz que esse problema \u00e9 a principal causa de perda de vis\u00e3o em pessoas com mais de 60 anos. Ele garante que a nova pesquisa vai abrir as portas para uma ampla gama de tratamentos potenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O fato de poder observar este &#8216;regresso \u00e0 atividade&#8217; numa parte fundamental da retina como a m\u00e1cula, \u00e9 fundamental para poder restaurar a vis\u00e3o em patologias como distrofias ou degenera\u00e7\u00e3o macular&#8221;, explica o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>02\/06\/2022 Historicamente, sempre se pensou que o momento da morte de um ser humano ocorre quando a atividade circulat\u00f3ria, respirat\u00f3ria ou cerebral era interrompida. 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