{"id":323,"date":"2020-12-11T23:13:44","date_gmt":"2020-12-11T23:13:44","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=323"},"modified":"2020-12-11T23:13:44","modified_gmt":"2020-12-11T23:13:44","slug":"superfungo-em-alerta-no-brasil-preocupa-mas-nao-e-ameaca-como-covid-19-diz-infectologista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/superfungo-em-alerta-no-brasil-preocupa-mas-nao-e-ameaca-como-covid-19-diz-infectologista\/","title":{"rendered":"&#8216;Superfungo&#8217; em alerta no Brasil preocupa mas n\u00e3o \u00e9 amea\u00e7a como covid-19, diz infectologista"},"content":{"rendered":"\n<p>11\/12\/2020<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um homem hospitalizado na Bahia com covid-19 possivelmente foi infectado tamb\u00e9m por um fungo, tornando-se o prov\u00e1vel primeiro caso de adoecimento por&nbsp;<\/strong><em><strong>Candida auris<\/strong><\/em><strong>&nbsp;no Brasil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao emitir um alerta na segunda-feira (7\/12) sobre a poss\u00edvel chegada da Candida auris ao Brasil, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) afirmou que trata-se de um &#8220;fungo emergente que representa uma s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica&#8221;. Descoberto em 2009, o fungo j\u00e1 se alastrou por mais de 30 pa\u00edses e causa preocupa\u00e7\u00e3o por ser &#8220;multirresistente&#8221; a medicamentos e fatal em cerca de 39% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Possivelmente v\u00edtima de duas novas doen\u00e7as, uma causada por um v\u00edrus e outra por um fungo, o paciente baiano representa um futuro em que estaremos mais vulner\u00e1veis a pat\u00f3genos que evoluem para nos infectar com maior efic\u00e1cia e que ultrapassam todas as fronteiras, explica o m\u00e9dico infectologista Alessandro Comar\u00fa Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Porto Alegre (UFCSPA).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, ele escreveu um\u00a0texto, junto com a m\u00e9dica Teresa Cristina Sukiennik, da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, e com Jacques F. Meis, pesquisador na Holanda que vem se dedicando ao estudo do novo fungo, dizendo no t\u00edtulo que a chegada do fungo ao pa\u00eds era s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo: &#8220;O Brasil est\u00e1 at\u00e9 agora livre da Candida auris, ou estamos perdendo algo?&#8221; (no original em ingl\u00eas: &#8220;Brazil is so far free from Candida auris. Are we missing something?&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que haja muitas semelhan\u00e7as entre as duas novas doen\u00e7as, Pasqualotto, que fez doutorado sobre fungos do g\u00eanero Candida, explica como devemos encarar as not\u00edcias sobre a Candida auris em plena pandemia de\u00a0coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora ela seja muito resistente e preocupante, n\u00e3o sei se a Candida auris vai chegar ao ponto de infectar muita gente&#8221;, explica o m\u00e9dico, \u00e0 frente dos laborat\u00f3rios de biologia molecular e micologia da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre e membro da Confedera\u00e7\u00e3o Europeia de Micologia M\u00e9dica (FECMM, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em termos globais, ainda s\u00e3o poucos os casos. N\u00e3o \u00e9 porque temos a suspeita de um caso no Brasil que temos que fechar as fronteiras. Mas, dada a sua resist\u00eancia, existe sim um alerta, porque (o fungo) pode causar surtos em pequenos n\u00facleos, como no ambiente hospitalar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com estimativas\u00a0publicadas por pesquisadores chineses na revista cient\u00edfica BMC Infectious Diseases\u00a0em novembro, h\u00e1 ao menos 4,7 mil casos de infec\u00e7\u00e3o pela Candida auris j\u00e1 registrados em 33 pa\u00edses, com taxa de mortalidade m\u00e9dia em 39%.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as v\u00e1rias armas que as doen\u00e7as infecciosas podem ter, como a capacidade de se alastrar com facilidade, de matar ou de driblar medicamentos, \u00e9 esta \u00faltima que mais preocupa no caso do novo fungo \u2014 embora os outros &#8220;poderes&#8221; tamb\u00e9m existam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O grande perigo dele \u00e9 sua resist\u00eancia. Como outras esp\u00e9cies de Candida, ele pode ser facilmente transmitido \u2014 mas a grande preocupa\u00e7\u00e3o, especialmente em ambiente hospitalar, \u00e9 com o fato de ser multirresistente, porque as op\u00e7\u00f5es de tratamento ficam muito estreitas&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o comunicado da Anvisa divulgado na segunda-feira, a Candida auris &#8220;apresenta resist\u00eancia a v\u00e1rios medicamentos antif\u00fangicos comumente utilizados para tratar infec\u00e7\u00f5es por Candida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Algumas cepas de<em>\u00a0C. auris<\/em>\u00a0s\u00e3o resistentes a todas as tr\u00eas principais classes de f\u00e1rmacos antif\u00fangicos (polienos, az\u00f3is e equinocandinas)&#8221;, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia microbiana, que envolve fungos e tamb\u00e9m bact\u00e9rias, \u00e9 considerada uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade global pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Ela acontece pois os microrganismos t\u00eam evolu\u00eddo e se tornado mais fortes e h\u00e1beis em driblar medicamentos como antibi\u00f3ticos e antif\u00fangicos, fazendo com que v\u00e1rias doen\u00e7as j\u00e1 tenham poucas ou nenhuma op\u00e7\u00e3o de tratamento dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Casos como o da Candida auris s\u00e3o como um evento adverso do progresso da humanidade: \u00e0 medida que a gente progride, produz mais antibi\u00f3ticos, que as pessoas s\u00e3o mais invadidas por procedimentos m\u00e9dicos e sobrevivem mais, passam a surgir novos pat\u00f3genos que antes n\u00e3o causavam doen\u00e7as. E, devido \u00e0 press\u00e3o dos rem\u00e9dios, eles surgem resistentes&#8221;, explica Pasqualotto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, a Candida auris \u00e9 s\u00f3 a bola da vez. Assim como j\u00e1 foi o Staphylococcus aureus, que desenvolveu resist\u00eancia \u00e0 penicilina ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial; depois o Enterococo resistente \u00e0 vancomicina e tantos, tantos outros. Cada vez a gente tem menos antibi\u00f3ticos para usar e cada vez mais pat\u00f3genos resistentes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Coloniza\u00e7\u00e3o-no-hospital\">&#8216;Coloniza\u00e7\u00e3o&#8217; no hospital<\/h2>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico explica que aproximadamente 20 a 30 esp\u00e9cies do g\u00eanero Candida causam doen\u00e7as em humanos, algumas delas conhecidas por &#8220;frequentar&#8221; o ambiente hospitalar \u2014 &#8220;colonizando&#8221; cateteres e outros dispositivos m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da Bahia em investiga\u00e7\u00e3o come\u00e7ou justamente com a identifica\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os do fungo na ponta de um cateter inserido no paciente com covid-19, internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 atrav\u00e9s de procedimentos mais invasivos, como cirurgias, e tamb\u00e9m diante de pessoas com imunidade enfraquecida ou com intenso uso de antibi\u00f3ticos que os fungos, seres &#8220;oportunistas&#8221;, aproveitam para se proliferar.<\/p>\n\n\n\n<p>Conseguindo chegar ao sangue, fungos como a Candida auris levam aos quadros mais graves, com alto risco de \u00f3bito \u2014 segundo o estudo publicado no BMC Infectious Diseases, no grupo de pacientes em que a infec\u00e7\u00e3o chegou ao sangue, a mortalidade subiu para 45%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu alerta, a Anvisa apontou que, al\u00e9m da multirresist\u00eancia e do risco de &#8220;ser fatal, principalmente em pacientes com comorbidades&#8221;, a Candida auris apresenta ainda o obst\u00e1culo de &#8220;permanecer vi\u00e1vel por longos per\u00edodos no ambiente (semanas ou meses)&#8221; e apresentar &#8220;resist\u00eancia a diversos desinfetantes&#8221; usados nos hospitais.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Possibilidade-de-subnotifica\u00e7\u00e3o\">Possibilidade de subnotifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Dos muitos desafios trazidos pelo novo fungo, outro \u00e9 a dificuldade de identific\u00e1-lo por meio de exames \u2014 ent\u00e3o, &#8220;muito provavelmente&#8221; houve subnotifica\u00e7\u00e3o de casos anteriores, respondeu Pasqualotto \u00e0 BBC News Brasil por telefone.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com este mote que ele e colegas escreveram um editorial na revista cient\u00edfica Brazilian Journal of Infectious Diseases indicando que o aparecimento da Candida auris no pa\u00eds era uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O reconhecimento dessa esp\u00e9cie \u00e9 dif\u00edcil e requer m\u00e9todos que a maioria dos hospitais n\u00e3o t\u00eam. Ent\u00e3o, pode ser que ela se dissemine com facilidade porque ningu\u00e9m a perceber\u00e1&#8221;, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a suspeita de infec\u00e7\u00e3o pelo fungo e seguindo protocolos definidos pela Anvisa, o hospital estadual da Bahia encaminhou amostras do paciente ao Laborat\u00f3rio Central de Sa\u00fade P\u00fablica Prof\u00ba Gon\u00e7alo Moniz (LACEN\/BA), que confirmou a presen\u00e7a da Candida auris e remeteu o material para uma prova confirmat\u00f3ria no Laborat\u00f3rio da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (HCFMUSP), que tamb\u00e9m sinalizou positivo e notificou a Anvisa na segunda-feira (7\/12).<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, ser\u00e3o realizados novos exames \u2014 as chamadas an\u00e1lises fenot\u00edpicas e o sequenciamento gen\u00e9tico do microrganismo \u2014 para confirmar a presen\u00e7a&nbsp;<em>Candida auris<\/em>&nbsp;nas amostras do homem internado inicialmente com covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos laborat\u00f3rios p\u00fablicos pelos quais o material passou at\u00e9 aqui, foi usada uma t\u00e9cnica sofisticada, e segundo Pasqualotto cara, chamada Maldi-Tof (Matrix-Assisted Laser Desorption Ionization Time-of-Light).<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo \u00e9 necess\u00e1rio porque &#8220;a C. auris pode ser facilmente confundida com outras esp\u00e9cies de leveduras, tais como Candida haemulonii e Saccharomyces cerevisiae&#8221;, explica o documento da Anvisa divulgado na segunda-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11\/12\/2020 Um homem hospitalizado na Bahia com covid-19 possivelmente foi infectado tamb\u00e9m por um fungo, tornando-se o prov\u00e1vel primeiro caso de adoecimento por&nbsp;Candida auris&nbsp;no Brasil. 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