{"id":431,"date":"2021-02-02T21:56:53","date_gmt":"2021-02-02T21:56:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=431"},"modified":"2021-02-02T21:57:13","modified_gmt":"2021-02-02T21:57:13","slug":"desigualdade-economica-o-que-e-a-curva-do-elefante-que-ajuda-a-entender-as-diferencas-entre-ricos-e-pobres-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/desigualdade-economica-o-que-e-a-curva-do-elefante-que-ajuda-a-entender-as-diferencas-entre-ricos-e-pobres-no-mundo\/","title":{"rendered":"Desigualdade econ\u00f4mica: o que \u00e9 a &#8216;curva do elefante&#8217;, que ajuda a entender as diferen\u00e7as entre ricos e pobres no mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>02\/02\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 considerado um dos gr\u00e1ficos mais influentes dos \u00faltimos anos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;curva do elefante&#8221; mostra o quanto o n\u00edvel de renda nos diferentes grupos sociais do mundo aumentou durante duas d\u00e9cadas, do 1% mais pobre (\u00e0 esquerda) ao 1% mais rico (\u00e0 direita).<\/p>\n\n\n\n<p>Ela apareceu pela primeira vez em dezembro de 2012 no estudo &#8220;Desigualdade em n\u00fameros&#8221;, de autoria de Branko Milanovic, mas costuma ser citada por sua presen\u00e7a, um ano depois, em &#8220;Distribui\u00e7\u00e3o da renda global: da queda do muro de Berlim \u00e0 Grande Recess\u00e3o&#8221;, trabalho de Milanovic e Christoph Lakner.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o formato de um elefante, ela mostra quem foram os ganhadores e perdedores da globaliza\u00e7\u00e3o entre 1988 e 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte da popula\u00e7\u00e3o mundial viu sua renda crescer. Esse aumento \u00e9 representado pela parte superior da curva (equivalente \u00e0s costas e \u00e0 cabe\u00e7a do elefante).<\/p>\n\n\n\n<p>Quem s\u00e3o todas essas pessoas? Basicamente, as classes m\u00e9dias de economias emergentes da \u00c1sia, sobretudo em pa\u00edses como China e \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Se dividirmos a popula\u00e7\u00e3o mundial em 100 partes iguais (percentis), como faz o gr\u00e1fico, veremos que o grande aumento na renda acontece entre o 10\u00ba e o 60\u00ba percentis, aproximadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E dentro desse grupo, os mais beneficiados s\u00e3o aqueles que se situam em torno da m\u00e9dia, com um aumento espetacular de renda entre 70% e 80% (os pontos mais altos da curva).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse pico, h\u00e1 cerca de 200 milh\u00f5es de cidad\u00e3os chineses, 90 milh\u00f5es de indianos e cerca de 30 milh\u00f5es de pessoas da Indon\u00e9sia, Brasil e Egito.<\/p>\n\n\n\n<p>Os outros grandes ganhadores foram o 1% mais rico do mundo, que ficou muito mais rico nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse seleto clube de milion\u00e1rios poderosos \u00e9 representado pela tromba empinada do elefante.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso foi tanto que viram sua renda real crescer mais de 60% durante as duas d\u00e9cadas analisadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora vamos para o lado dos perdedores. L\u00e1 est\u00e3o \u2014 al\u00e9m dos 5% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o viram nenhuma mudan\u00e7a \u2014, as classes m\u00e9dias dos pa\u00edses desenvolvidos do Ocidente, representadas pela parte baixa da curva.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas classes, que em geral apresentaram uma renda estagnada, est\u00e3o posicionadas entre os percentis 75 e 90 no gr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A estagna\u00e7\u00e3o da renda das classes m\u00e9dias no Ocidente tem sido uma fonte de descontentamento social e de aumento do populismo, algo que pode ser visto em fen\u00f4menos como Brexit ou Donald Trump&#8221;, diz Branko Milanovic em entrevista \u00e0 BBC News Mundo, servi\u00e7o em espanhol da BBC.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, foi uma &#8220;mudan\u00e7a extraordin\u00e1ria&#8221; na distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi provavelmente a reorganiza\u00e7\u00e3o global mais profunda desde a revolu\u00e7\u00e3o industrial&#8221;, afirma Milanovic, que \u00e9 acad\u00eamico da City University de Nova York e pesquisador s\u00eanior do Stone Center on Socio-economic Inequality.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"O-elefante-sumiu\">O elefante sumiu<\/h2>\n\n\n\n<p>Com a chegada da Grande Crise de 2008, come\u00e7a um novo per\u00edodo na hist\u00f3ria econ\u00f4mica e um reajuste na distribui\u00e7\u00e3o global de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa crise, que come\u00e7ou com as chamadas &#8220;hipotecas t\u00f3xicas&#8221; nos Estados Unidos e se espalhou pelo resto do mundo, marcou um antes e depois na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso foi confirmado por Milanovic em um estudo publicado em julho &#8220;Depois da crise financeira: a evolu\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de renda global entre 2008 e 2013&#8221;. (A an\u00e1lise s\u00f3 vai at\u00e9 esse ano porque os dados globais subsequentes ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis.)<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta nova pesquisa, aconteceu algo surpreendente: o elefante perdeu a tromba.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que o 1% mais rico do mundo n\u00e3o se saiu t\u00e3o bem quanto antes da Grande Crise. E, em termos gerais, a desigualdade global diminuiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o mudou substancialmente foi o fato de que mais uma vez a classe m\u00e9dia asi\u00e1tica seguiu prosperando, enquanto a classe m\u00e9dia ocidental continuou a ficar para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo gr\u00e1fico mostra que grande parte da popula\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica avan\u00e7ou do meio da distribui\u00e7\u00e3o de renda mundial para os setores mais elevados, ou seja, do centro para a direita.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o existe mais elefante, essa forma est\u00e1 desaparecendo&#8221;, explica Milanovic.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que China e \u00cdndia se movem cada vez mais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 zona de renda mais alta, a forma do gr\u00e1fico continua a se transformar.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o pesquisador, as proje\u00e7\u00f5es indicam que a \u00c1sia deve gradualmente deslocar os europeus e americanos que hoje dominam os 20% mais ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa mudan\u00e7a \u00e9 algo que n\u00e3o vimos nos \u00faltimos 200 anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"A-inc\u00f3gnita\">A inc\u00f3gnita<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o esteja claro o que aconteceu depois de 2013 devido \u00e0 falta de dados, h\u00e1 certos indicadores parciais que podem nos dar alguma luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, olhando exclusivamente para a evolu\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno nos EUA \u2014 cujos cidad\u00e3os representam quase metade do 1% no topo \u2014 &#8220;n\u00e3o se pode descartar que os mais ricos tiveram uma recupera\u00e7\u00e3o em suas receitas entre 2013 e a pandemia&#8221;, diz Milanovic.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros estudos sobre desigualdade, como o &#8220;2018 World Inequality Report&#8221;, dos economistas Facundo Alvaredo, Lucas Chancel, Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, estendem suas an\u00e1lises at\u00e9 2016, embora utilizem outra metodologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma de suas conclus\u00f5es \u00e9 que a tromba se empina muito mais e os ultrarricos aparecem ainda mais beneficiados.<\/p>\n\n\n\n<p>O que muitos est\u00e3o se perguntando atualmente \u00e9 como a pandemia de covid-19 e a crise econ\u00f4mica global que o mundo viveu em 2020 est\u00e3o afetando a desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco se sabe sobre seu impacto nas classes m\u00e9dias asi\u00e1ticas e nos pa\u00edses desenvolvidos. Menos ainda sobre como mudou a situa\u00e7\u00e3o do 1% mais rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que os economistas estimam \u00e9 que dentro de cada pa\u00eds, as desigualdades provavelmente aumentaram, considerando o duro golpe que a pandemia desferiu sobre os setores mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma perspectiva hist\u00f3rica mais ampla, ao analisar a distribui\u00e7\u00e3o global da renda nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ou o que est\u00e1 claro, diz Milanovic, \u00e9 que a desigualdade tem diminu\u00eddo no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ent\u00e3o&#8230; por que ouvimos constantemente alertas de que a desigualdade est\u00e1 aumentando?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de como as coisas s\u00e3o medidas, diz o economista. \u00c9 verdade que a desigualdade entre ricos e pobres em muitos pa\u00edses aumentou \u2014 e \u00e9 isso que, segundo ele, as pessoas percebem em seu dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que ao medir quanto o 1% mais rico concentra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda total, a situa\u00e7\u00e3o pode se tornar preocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a an\u00e1lise de Milanovic, usando m\u00e9todos tradicionais como o \u00cdndice de Gini e uma amostra populacional de mais de 130 pa\u00edses, mostra que o mundo \u00e9 menos desigual, principalmente por causa do peso que a &#8220;ascens\u00e3o da China&#8221; tem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se o que vimos nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas continuar, a dist\u00e2ncia entre o Ocidente e a \u00c1sia continuar\u00e1 a diminuir, mas \u00e9 muito dif\u00edcil saber o que acontecer\u00e1 no futuro&#8221;, adverte Milanovic.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que se afirma que este poderia ser o &#8220;s\u00e9culo asi\u00e1tico&#8221;, como a contrapartida econ\u00f4mica do que foi a ascens\u00e3o global das classes m\u00e9dias ocidentais durante o s\u00e9culo 20, sob dom\u00ednio americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>02\/02\/2021 \u00c9 considerado um dos gr\u00e1ficos mais influentes dos \u00faltimos anos. 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