{"id":437,"date":"2021-02-08T21:49:05","date_gmt":"2021-02-08T21:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=437"},"modified":"2021-02-08T21:49:30","modified_gmt":"2021-02-08T21:49:30","slug":"a-queda-do-dolar-esta-so-comecando-o-impacto-da-pandemia-sobre-a-moeda-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/a-queda-do-dolar-esta-so-comecando-o-impacto-da-pandemia-sobre-a-moeda-americana\/","title":{"rendered":"&#8216;A queda do d\u00f3lar est\u00e1 s\u00f3 come\u00e7ando&#8217;: o impacto da pandemia sobre a moeda americana"},"content":{"rendered":"\n<p>08\/02\/2020<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um dos efeitos da recess\u00e3o econ\u00f4mica causada pela pandemia covid-19 \u00e9 que o mundo foi inundado de d\u00f3lares.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Federal Reserve (Fed), o Banco Central (BC) dos Estados Unidos, reduziu drasticamente a taxa de juros para quase 0%.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando isso acontece, o pa\u00eds tende a ficar &#8216;menos atraente&#8217; aos olhos dos investidores estrangeiros, que tendem a buscar outros mercados com retornos maiores sobre seu capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, o Fed deu sinal verde para a impress\u00e3o de dinheiro, com o objetivo de mitigar os efeitos da crise.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, 2020 foi o ano em que mais d\u00f3lares foram emitidos do que nunca. Essa inje\u00e7\u00e3o de dinheiro permitiu financiar o aumento dos gastos fiscais e deu oxig\u00eanio aos mercados.<\/p>\n\n\n\n<p>ordam que a moeda continuar\u00e1 a se desvalorizar.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"D\u00f3lar-vai-continuar-caindo\">&#8216;D\u00f3lar vai continuar caindo&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;O colapso do d\u00f3lar apenas come\u00e7ou&#8221;, diz Stephen Roach, professor da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e ex-presidente do banco de investimentos Morgan Stanley na \u00c1sia, \u00e0 BBC News Mundo, o servi\u00e7o em espanhol da BBC.<\/p>\n\n\n\n<p>Roach prev\u00ea que a moeda poder\u00e1 cair mais de 35% at\u00e9 o final deste ano com base em tr\u00eas grandes motivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 que h\u00e1 um aumento acentuado do d\u00e9ficit em conta corrente dos Estados Unidos, ou seja, o pa\u00eds paga mais no exterior pela troca de bens, servi\u00e7os e transfer\u00eancias do que recebe.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que esse d\u00e9ficit continue a impulsionar a queda da moeda.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do euro, depois que os governos da Alemanha e da Fran\u00e7a concordaram com um pacote de est\u00edmulo fiscal, al\u00e9m da emiss\u00e3o de t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>E a terceira \u00e9 que Roach prev\u00ea que o Federal Reserve pouco faria para impedir a queda do d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os Estados Unidos cada vez mais dependentes de capital estrangeiro para compensar seu crescente d\u00e9ficit de poupan\u00e7a interna, explica ele, e com as pol\u00edticas adotadas pelo Fed que criam um grande excesso de liquidez, &#8220;o argumento para um forte enfraquecimento do d\u00f3lar parece mais convincente do que nunca&#8221;, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos que uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar tem sobre os mercados emergentes (como Brasil, M\u00e9xico, Argentina, Col\u00f4mbia, Peru ou Chile na Am\u00e9rica Latina), o especialista sugere que podem ocorrer aumentos em algumas bolsas desses pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o Federal Reserve n\u00e3o aumentar as taxas de juros, que \u00e9 o que Roach presume que acontecer\u00e1, &#8220;a fraqueza do d\u00f3lar deve causar aumentos nos mercados acion\u00e1rios estrangeiros em geral e nas a\u00e7\u00f5es dos mercados emergentes em particular.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Sem-exageros\">&#8220;Sem exageros&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>No entanto, outros economistas argumentam que, embora a moeda esteja um pouco fraca este ano, em nenhum caso um &#8220;crash&#8221; deve ser esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A queda do d\u00f3lar n\u00e3o deve ser exagerada&#8221;, escreveu Mark Sobel, presidente para os EUA do F\u00f3rum Oficial de Institui\u00e7\u00f5es Monet\u00e1rias e Financeiras (OMFIF), no in\u00edcio de janeiro no site do centro de estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 uma perspectiva &#8220;desalentadora&#8221; para o d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O d\u00f3lar pode cair neste ano, mas uma perspectiva muito negativa n\u00e3o se justifica&#8221;, disse Sobel.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos argumentos \u00e9 que o d\u00f3lar j\u00e1 caiu bastante (13% em 2020 em rela\u00e7\u00e3o ao pico em mar\u00e7o).<\/p>\n\n\n\n<p>Outra \u00e9 que em meio \u00e0s incertezas globais, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o certo que os investidores prefiram arriscar e apostar em outras moedas que n\u00e3o o d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, o economista tamb\u00e9m diz acreditar que pode haver condi\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias relativamente mais favor\u00e1veis nos EUA e que o atual ciclo de d\u00f3lar forte est\u00e1 simplesmente chegando ao fim.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Efeitos-na-Am\u00e9rica-Latina\">Efeitos na Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a queda do d\u00f3lar veio com defasagem em rela\u00e7\u00e3o a outras partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos motivos que explicam esse atraso na queda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s moedas das economias latino-americanas \u00e9 que s\u00e3o mais arriscadas, como explica Diego Mora, executivo s\u00eanior da consultoria XTB Latam, sediada no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar na Am\u00e9rica Latina come\u00e7ou h\u00e1 apenas quatro ou cinco meses&#8221;, diz Mora em entrevista \u00e0 BBC News Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar as maiores economias da regi\u00e3o, o analista afirma que o M\u00e9xico \u00e9 o pa\u00eds onde o d\u00f3lar mais se desvalorizou, seguido pelo Chile, Col\u00f4mbia e Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias do colapso variam substancialmente, dependendo dos diferentes atores econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, os consumidores latino-americanos se beneficiam &#8211; aponta o especialista &#8211; porque muitos dos bens que consomem s\u00e3o importados, como autom\u00f3veis e produtos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, pois ao mesmo tempo os pre\u00e7os de alguns alimentos subiram, alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Milho, trigo, cacau e outros produtos b\u00e1sicos aumentaram mais de 30% devido \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Hakan Aksoy, gerente s\u00eanior de portf\u00f3lio da empresa francesa de gest\u00e3o de ativos Amundi, diz esperar que, com o d\u00f3lar mais fraco, os pre\u00e7os das commodities subam no mercado internacional, o que beneficia os pa\u00edses latino-americanos, produtores dessas mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso se deve a rela\u00e7\u00e3o inversa entre o pre\u00e7o das commodities e o comportamento da moeda americana. Historicamente, quando o d\u00f3lar se desvaloriza, o pre\u00e7o das commodities sobe &#8211; e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque a maioria das commodities \u00e9 cotada em d\u00f3lares, de forma que os consumidores e empresas fora dos EUA veem seu poder de compra aumentar quando suas moedas se fortalecem. A maior demanda global por esses produtos acaba elevando seu pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, um d\u00f3lar mais fraco significa que haver\u00e1 uma pol\u00edtica fiscal e monet\u00e1ria mais flex\u00edvel nos EUA, diz ele \u00e0 BBC News Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, &#8220;os pa\u00edses emergentes podem tomar empr\u00e9stimos com mais facilidade, o que ajuda suas demandas de financiamento externo&#8221;, assinala Aksoy.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso seria positivo para o crescimento e a percep\u00e7\u00e3o de risco dos investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>O consenso entre os analistas \u00e9 que, apesar das diferen\u00e7as entre os pa\u00edses, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar traz mais benef\u00edcios do que desvantagens para a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um d\u00f3lar desvalorizado \u00e9 definitivamente positivo para as economias latino-americanas&#8221;, diz Joseph Mouawad, administrador de fundos da Carmignac, especializada em mercados emergentes. &#8220;Um d\u00f3lar fraco vem com pre\u00e7os mais altos das mat\u00e9rias-primas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida em d\u00f3lares dos pa\u00edses latino-americanos, Diego Mora explica que, como h\u00e1 mais moeda no mundo e as taxas de juros s\u00e3o baixas, os Estados Unidos t\u00eam menos poder de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, &#8220;a d\u00edvida em d\u00f3lares dos pa\u00edses latino-americanos pode ser renegociada com juros menores&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a queda do d\u00f3lar frente ao real brasileiro n\u00e3o deve ser t\u00e3o expressiva, acredita Andr\u00e9 Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele diz acreditar que a moeda deve chegar ao fim deste ano cotada a R$ 5,30, acima da previs\u00e3o do mercado, de R$ 5,01. O d\u00f3lar terminou o preg\u00e3o da \u00faltima sexta-feira (5\/2) cotado a R$ 5,42.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua perspectiva menos otimista, diz ele, deve-se ao n\u00edvel historicamente baixo da taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, e ao risco pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os juros baixos n\u00e3o equilibram os riscos que temos. O Brasil tem sido mal visto em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses emergentes. Uma das percep\u00e7\u00f5es de risco tem a ver com a situa\u00e7\u00e3o fiscal extremamente dif\u00edcil para o governo&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, o c\u00e2mbio \u00e9 uma das variantes econ\u00f4micas mais dif\u00edceis de prever, alertam os economistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, por exemplo, o d\u00f3lar fechou o ano cotado a R$ 5,19. Mas a expectativa do mercado em janeiro, ou seja, pr\u00e9-pandemia de covid-19, era que a moeda americana terminaria negociada a R$ 4,09.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>08\/02\/2020 Um dos efeitos da recess\u00e3o econ\u00f4mica causada pela pandemia covid-19 \u00e9 que o mundo foi inundado de d\u00f3lares. O Federal Reserve (Fed), o Banco Central (BC) dos Estados Unidos, reduziu drasticamente a taxa de juros para quase 0%. 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