{"id":475,"date":"2021-02-19T21:13:00","date_gmt":"2021-02-19T21:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=475"},"modified":"2021-02-27T21:14:07","modified_gmt":"2021-02-27T21:14:07","slug":"a-internet-como-a-conhecemos-pode-estar-acabando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/a-internet-como-a-conhecemos-pode-estar-acabando\/","title":{"rendered":"A internet como a conhecemos pode estar acabando"},"content":{"rendered":"\n<p>19\/02\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos estar nos aproximando da &#8220;splinternet&#8221;, ou uma cole\u00e7\u00e3o de diferentes internets, cujos limites s\u00e3o determinados por fronteiras nacionais ou regionais<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, a rede mundial de computadores come\u00e7ou a parecer menos mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>A Europa est\u00e1 discutindo uma regulamenta\u00e7\u00e3o que poderia impor proibi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias a empresas de tecnologia dos EUA que violem suas leis. Os Estados Unidos estavam prestes a proibir o TikTok e o WeChat no pa\u00eds, embora o novo governo de Joe Biden esteja repensando essa a\u00e7\u00e3o. A \u00cdndia, que baniu esses dois aplicativos, bem como dezenas de outros, agora est\u00e1 brigando com o Twitter.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, neste m\u00eas o Facebook entrou em confronto com o governo australiano sobre uma proposta de lei que exigiria que a rede social pagasse \u00e0s empresas de not\u00edcias. A empresa decidiu brevemente impedir que os usu\u00e1rios compartilhassem links de not\u00edcias no pa\u00eds em resposta \u00e0 lei, com o potencial de mudar drasticamente o funcionamento de sua plataforma de um pa\u00eds para o outro. Na ter\u00e7a-feira (23), o Facebook, enfim, chegou a um acordo com o governo australiano e concordou em restaurar as p\u00e1ginas de not\u00edcias. O acordo relaxou parcialmente os requisitos de arbitragem com os quais o Facebook discordava.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu an\u00fancio do acordo, no entanto, o Facebook insinuou a possibilidade de confrontos semelhantes no futuro. \u201cContinuaremos a investir em not\u00edcias globalmente e a resistir aos esfor\u00e7os dos conglomerados de m\u00eddia para promover estruturas regulat\u00f3rias que n\u00e3o levem em conta a verdadeira troca de valor entre editoras e plataformas como o Facebook\u201d, afirmou Campbell Brown, vice-presidente de parcerias globais de not\u00edcias do Facebook, em uma declara\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, se tais acordos territoriais se tornarem mais comuns, a internet conectada globalmente que conhecemos se tornar\u00e1 mais parecida com o que alguns apelidaram de \u201csplinternet\u201d, ou uma cole\u00e7\u00e3o de diferentes internets, cujos limites s\u00e3o determinados por fronteiras nacionais ou regionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma combina\u00e7\u00e3o de nacionalismo crescente, disputas comerciais e preocupa\u00e7\u00f5es sobre o dom\u00ednio do mercado de certas empresas globais de tecnologia gerou amea\u00e7as de repress\u00e3o regulat\u00f3ria em todo o mundo. No processo, essas for\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o apenas derrubando as empresas de tecnologia que constru\u00edram neg\u00f3cios massivos com a promessa de uma internet global, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria ideia de construir plataformas que podem ser acessadas e usadas da mesma forma por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>As rachaduras s\u00f3 parecem estar ficando mais profundas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que h\u00e1 uma tend\u00eancia global de fragmentar a internet muito mais do que no passado\u201d, disse Daphne Keller, diretora do programa de regulamenta\u00e7\u00e3o de plataforma do Centro de Pol\u00edtica Cibern\u00e9tica da Universidade de Stanford, \u00e0 CNN Business.<\/p>\n\n\n\n<p>Como os eventos recentes mostraram, uma plataforma n\u00e3o precisa ser banida ou desligada imediatamente para que essa fragmenta\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. Em resposta ao esfor\u00e7o da Austr\u00e1lia para fazer com que o Facebook pagasse aos editores, a empresa parou de mostrar links de ve\u00edculos de imprensa para os usu\u00e1rios australianos; pessoas de fora do pa\u00eds tamb\u00e9m n\u00e3o podiam mais acessar o conte\u00fado dos meios de comunica\u00e7\u00e3o australianos pela rede social. A mudan\u00e7a tempor\u00e1ria foi contra a pr\u00f3pria premissa de que a internet servia como uma ferramenta para o livre fluxo de informa\u00e7\u00f5es globalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00cdndia, quando foi avisado que era \u201cbem-vindo para fazer neg\u00f3cios\u201d, mas \u201ctamb\u00e9m devia respeitar as leis indianas\u201d, o Twitter buscou um meio-termo, retendo algumas contas que usavam o que o governo chamou de hashtags \u201cincendi\u00e1rias e sem base\u201d, o que significa que essas contas n\u00e3o eram vis\u00edveis dentro do pa\u00eds, mas ainda podiam ser acessadas fora de suas fronteiras. (O pa\u00eds tamb\u00e9m mostrou uma maior disposi\u00e7\u00e3o de acompanhar empresas estrangeiras de tecnologia, propondo grandes restri\u00e7\u00f5es em suas opera\u00e7\u00f5es e, em meio a um impasse diplom\u00e1tico com a China, banindo o TikTok e dezenas de outros aplicativos de propriedade de chineses.)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um cen\u00e1rio muito diferente daquele que permitiu \u00e0s empresas de tecnologia dos EUA acumularem uma enorme riqueza e poder. Com not\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es, como China e Coreia do Norte, o Facebook e seus pares foram capazes de lan\u00e7ar seus produtos em todo o mundo com pouca resist\u00eancia. Agora, essa abertura pode n\u00e3o ser mais dada como l\u00edquida e certa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que \u00e9 legal na Su\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 legal no Paquist\u00e3o, ent\u00e3o temos que encontrar uma maneira de reconciliar isso com o funcionamento da internet\u201d, disse Keller. O resultado \u00e9 que \u201cas plataformas, de forma volunt\u00e1ria, ou os governos, \u00e0 for\u00e7a, est\u00e3o erguendo barreiras geogr\u00e1ficas, de modo que vemos coisas diferentes em um pa\u00eds e em outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2>O grande recuo<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora o Facebook n\u00e3o seja a \u00fanica empresa de tecnologia na mira de governos em todo o mundo, ele talvez seja o mais emblem\u00e1tico do que qualquer outro neg\u00f3cio do Vale do Sil\u00edcio na promessa de uma internet global que vai contra as leis de v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco anos atr\u00e1s, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, revelou seu objetivo de alcan\u00e7ar 5 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios, ou a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial. A empresa j\u00e1 tem mais de 3 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios ativos mensais em seus v\u00e1rios aplicativos, uma prova de sua r\u00e1pida expans\u00e3o em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQueremos fazer com que qualquer pessoa, em qualquer lugar \u2013 uma crian\u00e7a crescendo na \u00cdndia rural que nunca teve um computador \u2013 possa ir a uma loja, comprar um telefone, ficar online e ter acesso a todas as mesmas coisas que voc\u00ea e eu gostamos na internet\u201d, disse Zuckerberg em uma entrevista de 2013 a Chris Cuomo da CNN.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo na China, onde o aparato de censura online do governo, conhecido como Grande Firewall, bloqueou as empresas de tecnologia ocidentais por d\u00e9cadas, o Facebook e o Google buscaram fazer concess\u00f5es para ter permiss\u00e3o para entrar no mercado (embora com pouco sucesso).<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o Facebook est\u00e1 se voltando para o que se tornou um manual cada vez mais testado para a ind\u00fastria de tecnologia: a amea\u00e7a de retirar seus produtos dos mercados em face de uma regulamenta\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, o Google encerrou seu servi\u00e7o Google News na Espanha depois que o pa\u00eds aprovou uma lei semelhante \u00e0 que a Austr\u00e1lia est\u00e1 considerando agora. Outra a\u00e7\u00e3o na Austr\u00e1lia foi amea\u00e7ar retirar seu mecanismo de busca do pa\u00eds devido \u00e0 mesma lei de m\u00eddia. No fim, a empresa cedeu e assinou acordos com algumas das principais editoras do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta vez, pelo menos, o manual pareceu funcionar um pouco para o Facebook. Mas h\u00e1 sinais de que pa\u00edses ao redor do mundo (incluindo os Estados Unidos) est\u00e3o mais dispostos a jogar duro e seguir os passos uns dos outros para controlar a Big Tech. Em \u00faltima an\u00e1lise, as empresas de tecnologia dependem do acesso cont\u00ednuo a bilh\u00f5es de usu\u00e1rios em todo o mundo, e os governos mostraram que est\u00e3o dispostos a cortar esse acesso em nome da prote\u00e7\u00e3o de seus cidad\u00e3os e da soberania online.<\/p>\n\n\n\n<p>As apostas s\u00f3 aumentar\u00e3o se mais governos entrarem no movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie de jogo de estrat\u00e9gia\u201d, disse Sinan Aral, professor da Sloan School of Business do MIT e autor de \u201cThe Hype Machine: How Social Media Disrupts Our Elections, Our Economy and Our Health\u201d (\u201cA m\u00e1quina do hype: como a m\u00eddia social atrapalha nossas elei\u00e7\u00f5es, nossa economia e nossa sa\u00fade\u201d, sem edi\u00e7\u00e3o no Brasil).<\/p>\n\n\n\n<p>Aral diz que empresas como Facebook e Google encontrar\u00e3o uma ladeira perigosa se come\u00e7arem a sair de todos os mercados que lhes pedem que paguem por suas not\u00edcias, o que \u201climitaria de forma severa\u201d o conte\u00fado que podem servir \u00e0 sua base global de usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles t\u00eam interesse em tentar for\u00e7ar qualquer mercado a n\u00e3o impor tais regulamenta\u00e7\u00f5es, amea\u00e7ando se retirar&#8221;, disse ele. \u201cO outro lado est\u00e1 basicamente dizendo: \u2018Se voc\u00ea n\u00e3o pagar pelo conte\u00fado, n\u00e3o ter\u00e1 acesso ao nosso mercado de consumidores ou ao conte\u00fado desse mercado\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2>Fragmenta\u00e7\u00e3o x aglutina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A briga sobre not\u00edcias na Austr\u00e1lia \u00e9 uma parte relativamente pequena do conflito entre tecnologia e governos, que tem se concentrado principalmente em quest\u00f5es como censura, privacidade e competi\u00e7\u00e3o. Mas a resposta \u00e0 atitude do Facebook na Austr\u00e1lia mostrou que um movimento internacional para controlar as Big Techs pode estar em crescimento, bem como um potencial de fragmenta\u00e7\u00e3o adicional de como os servi\u00e7os de internet funcionam de um pa\u00eds para o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o governo enfrentava o Facebook na semana passada, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, emitiu um alerta para o gigante das redes sociais: o que voc\u00ea faz aqui pode prejudic\u00e1-lo no futuro em outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas a\u00e7\u00f5es s\u00f3 v\u00e3o reiterar as preocupa\u00e7\u00f5es que um n\u00famero cada vez maior de pa\u00edses est\u00e1 expressando sobre o comportamento das grandes empresas de tecnologia, as quais pensam ser maiores do que os governos, e que as regras n\u00e3o se aplicam a elas\u201d, escreveu o primeiro-ministro em um post no Facebook. \u201cElas podem estar mudando o mundo, mas isso n\u00e3o significa que t\u00eam o comando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ter\u00e7a-feira (23), Morrison disse que a decis\u00e3o do Facebook de restaurar as not\u00edcias \u00e9 \u201cbem-vinda\u201d, acrescentando que o governo continua comprometido em prosseguir com sua legisla\u00e7\u00e3o para garantir que \u201cjornalistas e ag\u00eancias de not\u00edcias australianas sejam devidamente remunerados pelo conte\u00fado original que produzem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos outros pa\u00edses, incluindo o Reino Unido e o Canad\u00e1, est\u00e3o considerando uma legisla\u00e7\u00e3o semelhante contra empresas de redes sociais, e muitos deles est\u00e3o conversando entre si sobre a melhor forma de fazer isso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSeria extremamente \u00fatil se os governos se unissem em algum tipo de processo transnacional e chegassem a um tratado ou padr\u00e3o sobre quem consegue alcan\u00e7ar e afetar o conte\u00fado e as informa\u00e7\u00f5es fora de seu territ\u00f3rio nacional\u201d, disse Keller, de Stanford, \u201cporque isso \u00e9 o que muitos deles est\u00e3o tentando fazer, mas n\u00e3o o fizeram, e assim, como resultado, tem-se uma colcha de retalhos muito fragmentada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, se essa fragmenta\u00e7\u00e3o crescente seguir seu curso natural, as consequ\u00eancias podem ser terr\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o resultado final for a separa\u00e7\u00e3o de plataformas de redes sociais em cada pa\u00eds ou mercado importante, ent\u00e3o teremos um ecossistema de informa\u00e7\u00f5es completamente bifurcado ou fragmentado em todo o mundo\u201d, alertou o professor Aral. \u201cO progn\u00f3stico \u00e9 uma sociedade com conjuntos de informa\u00e7\u00f5es completamente diferentes sobre eventos locais, acontecimentos mundiais, e talvez uma vis\u00e3o de mundo muito fragmentada da realidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: CNN Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19\/02\/2021 Podemos estar nos aproximando da &#8220;splinternet&#8221;, ou uma cole\u00e7\u00e3o de diferentes internets, cujos limites s\u00e3o determinados por fronteiras nacionais ou regionais No ano passado, a rede mundial de computadores come\u00e7ou a parecer menos mundial. A Europa est\u00e1 discutindo uma regulamenta\u00e7\u00e3o que poderia impor proibi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias a empresas de tecnologia dos EUA que violem suas [&#8230;]\n","protected":false},"author":1,"featured_media":476,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[127,84,82],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=475"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":478,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475\/revisions\/478"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}