{"id":505,"date":"2021-03-04T02:00:00","date_gmt":"2021-03-04T02:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=505"},"modified":"2021-03-05T02:09:11","modified_gmt":"2021-03-05T02:09:11","slug":"o-continente-perdido-que-levou-375-anos-para-ser-descoberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/o-continente-perdido-que-levou-375-anos-para-ser-descoberto\/","title":{"rendered":"O continente perdido que levou 375 anos para ser descoberto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O ano era 1642, e Abel Tasman estava em uma miss\u00e3o. O experiente marinheiro holand\u00eas, que ostentava um bigode extravagante, cavanhaque espesso e uma inclina\u00e7\u00e3o a fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os \u2014 mais tarde, ele tentaria enforcar alguns de seus tripulantes em um desvario de embriaguez \u2014 estava confiante da exist\u00eancia de um vasto continente no hemisf\u00e9rio sul e determinado a encontr\u00e1-lo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, esta parte do globo ainda era um tanto desconhecida para os europeus, mas eles tinham uma cren\u00e7a inabal\u00e1vel de que deveria haver uma enorme massa de terra ali \u2014 preventivamente chamada de Terra Australis \u2014 para contrabalan\u00e7ar seu pr\u00f3prio continente ao norte. A hip\u00f3tese datava dos tempos da Roma Antiga, mas s\u00f3 agora seria testada.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, em 14 de agosto, Tasman zarpou da base de sua companhia em Jacarta, na Indon\u00e9sia, com duas embarca\u00e7\u00f5es pequenas e rumou para o oeste, depois para o sul, em seguida para o leste, terminando na Ilha Sul da Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas seu primeiro encontro com o povo maori local n\u00e3o foi nada bom: no segundo dia, v\u00e1rios remaram em uma canoa e colidiram com um pequeno barco que transmitia mensagens entre as embarca\u00e7\u00f5es holandesas. Quatro europeus morreram.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, os europeus dispararam um canh\u00e3o contra 11 canoas \u2014 n\u00e3o se sabe o que aconteceu com seus alvos.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse foi o fim de sua miss\u00e3o \u2014 Tasman chamou o local fat\u00eddico de&nbsp;<em>Moordenaers Bay<\/em>&nbsp;(&#8220;Ba\u00eda dos Assassinos&#8221;), com pouco senso de ironia, e voltou para casa v\u00e1rias semanas depois, sem sequer ter posto os p\u00e9s na nova terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora acreditasse ter realmente descoberto o grande continente do sul, evidentemente, estava longe de ser a utopia comercial que ele havia vislumbrado. E ele n\u00e3o voltou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>(Naquela \u00e9poca, a Austr\u00e1lia j\u00e1 era conhecida, mas os europeus achavam que n\u00e3o era o lend\u00e1rio continente que procuravam. Mais tarde, quando mudaram de ideia, recebeu o nome de Terra Australis).<\/p>\n\n\n\n<p>Mal sabia Tasman que ele estava certo o tempo todo. Estava faltando um continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, um grupo de ge\u00f3logos ganhou as manchetes dos jornais ao anunciar a descoberta da Zel\u00e2ndia \u2014&nbsp;<em>Te Riu-a-M\u0101ui<\/em>, na l\u00edngua maori. Um vasto continente de 4,9 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, cerca de seis vezes o tamanho de Madagascar.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as enciclop\u00e9dias, mapas e mecanismos de busca do mundo estivessem convencidos quanto \u00e0 exist\u00eancia de apenas sete continentes, a equipe informou com seguran\u00e7a ao mundo que isso estava errado.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim das contas, s\u00e3o oito continentes \u2014 e o \u00faltimo a ser inclu\u00eddo na lista quebra todos os recordes, como o menor, o mais fino e o mais jovem do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que 94% dele est\u00e1 submerso, com apenas um punhado de ilhas, como a Nova Zel\u00e2ndia, emergindo de suas profundezas oce\u00e2nicas. Ele ficou escondido \u00e0 vista de todos o tempo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este \u00e9 um exemplo de como algo muito \u00f3bvio pode demorar um pouco para ser descoberto&#8221;, diz Andy Tulloch, ge\u00f3logo do instituto de pesquisa da coroa neozelandesa GNS Science, que fez parte da equipe que descobriu a Zel\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso \u00e9 apenas o come\u00e7o. Quatro anos depois, o continente segue cercado de mist\u00e9rio, seus segredos est\u00e3o cuidadosamente guardados a 2 km embaixo d&#8217;\u00e1gua. Como foi formado? Quem costumava morar l\u00e1? E h\u00e1 quanto tempo est\u00e1 submerso?<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Uma-descoberta-trabalhosa\">Uma descoberta trabalhosa<\/h2>\n\n\n\n<p>Na verdade, a Zel\u00e2ndia sempre foi dif\u00edcil de estudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de um s\u00e9culo depois que Tasman descobriu a Nova Zel\u00e2ndia em 1642, o cart\u00f3grafo brit\u00e2nico James Cook foi enviado em uma viagem cient\u00edfica ao hemisf\u00e9rio sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Suas instru\u00e7\u00f5es oficiais eram observar a passagem de V\u00eanus entre a Terra e o Sol, a fim de calcular a que dist\u00e2ncia o Sol est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele tamb\u00e9m carregava consigo um envelope lacrado, que foi instru\u00eddo a abrir quando tivesse conclu\u00eddo a primeira tarefa. Dentro do envelope, havia uma miss\u00e3o ultrassecreta para descobrir o continente do sul \u2014 pelo qual ele provavelmente passou direto, antes de chegar \u00e0 Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras pistas reais da exist\u00eancia da Zel\u00e2ndia foram reunidas pelo naturalista escoc\u00eas Sir James Hector, que participou de uma viagem para pesquisar uma s\u00e9rie de ilhas na costa sul da Nova Zel\u00e2ndia em 1895.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de estudar sua geologia, ele concluiu que a Nova Zel\u00e2ndia \u00e9 &#8220;o resqu\u00edcio de uma cadeia de montanhas que formava a crista de uma grande \u00e1rea continental que se estendia ao sul e a leste, e que agora est\u00e1 submersa &#8230;&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessa descoberta inicial, o reconhecimento de uma poss\u00edvel Zel\u00e2ndia permaneceu obscuro, e muito pouco aconteceu at\u00e9 a d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As coisas acontecem muito lentamente neste campo&#8221;, diz Nick Mortimer, ge\u00f3logo do GNS Science que liderou o estudo de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, na d\u00e9cada de 1960, os ge\u00f3logos finalmente chegaram a um consenso sobre a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 um continente \u2014 de modo geral, uma \u00e1rea geol\u00f3gica com uma grande eleva\u00e7\u00e3o, grande variedade de rochas e uma crosta espessa. Tamb\u00e9m tem que ser grande.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o pode ser simplesmente um pedacinho&#8221;, diz Mortimer.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso deu aos ge\u00f3logos algo com que trabalhar \u2014 se eles pudessem coletar evid\u00eancias, poderiam provar que o oitavo continente era real.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a miss\u00e3o n\u00e3o andou \u2014 descobrir um continente \u00e9 complicado e caro, e Mortimer aponta que n\u00e3o havia urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, em 1995, o geof\u00edsico americano Bruce Luyendyk descreveu novamente a regi\u00e3o como um continente e sugeriu cham\u00e1-lo de Zel\u00e2ndia. A partir da\u00ed, Tulloch descreve sua descoberta como uma curva exponencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta da mesma \u00e9poca, a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar entrou em vigor e, finalmente, forneceu uma motiva\u00e7\u00e3o s\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratado afirma que os pa\u00edses podem estender seus territ\u00f3rios legais al\u00e9m de sua Zona Econ\u00f4mica Exclusiva, at\u00e9 370 km de seus litorais, para reivindicar sua &#8220;plataforma continental estendida&#8221; \u2014 com todas as riquezas minerais e petr\u00f3leo que ela abrange.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a Nova Zel\u00e2ndia pudesse provar que fazia parte de um continente maior, poderia aumentar seu territ\u00f3rio em seis vezes. De repente, surgiu uma abund\u00e2ncia de fundos para viagens de levantamento da \u00e1rea, e as evid\u00eancias se acumularam gradualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada amostra de rocha coletada, o caso da Zel\u00e2ndia se fortalecia.<\/p>\n\n\n\n<p>A evid\u00eancia final veio de dados de sat\u00e9lite, que podem ser usados para rastrear pequenas varia\u00e7\u00f5es na gravidade da Terra em diferentes partes da crosta para mapear o fundo do mar. Com esta tecnologia, a Zel\u00e2ndia \u00e9 claramente vis\u00edvel como uma massa disforme quase t\u00e3o grande quanto a Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o continente foi finalmente revelado ao mundo, foi desvendado um dos territ\u00f3rios mar\u00edtimos mais significativos do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 bem legal&#8221;, diz Mortimer. &#8220;Se voc\u00ea pensar sobre isso, cada continente do planeta tem diferentes pa\u00edses, [mas] existem apenas tr\u00eas territ\u00f3rios na Zel\u00e2ndia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da Nova Zel\u00e2ndia, o continente abrange a ilha da Nova Caled\u00f4nia \u2014 territ\u00f3rio franc\u00eas famoso por suas lagoas deslumbrantes \u2014 e os min\u00fasculos territ\u00f3rios australianos da Ilha de Lord Howe e da Pir\u00e2mide de Ball.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima foi descrita por um explorador do s\u00e9culo 18 como aparentando ser &#8220;n\u00e3o maior do que um barco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Uma-extens\u00e3o-misteriosa\">Uma extens\u00e3o misteriosa<\/h2>\n\n\n\n<p>A Zel\u00e2ndia era originalmente parte do antigo supercontinente de Gondwana, que foi formado h\u00e1 cerca de 550 milh\u00f5es de anos e basicamente agrupava todas as terras do hemisf\u00e9rio sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ficava num canto na parte leste, onde fazia fronteira com v\u00e1rios outros, incluindo metade da Ant\u00e1rtida Ocidental e todo o leste da Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, h\u00e1 cerca de 105 milh\u00f5es de anos, &#8220;devido a um processo que ainda n\u00e3o entendemos completamente, a Zel\u00e2ndia come\u00e7ou a se afastar&#8221;, diz Tulloch.<\/p>\n\n\n\n<p>A crosta continental tem geralmente cerca de 40 km de profundidade \u2014significativamente mais espessa que a crosta oce\u00e2nica, que tende a ter aproximadamente 10 km.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que foi tensionada, a Zel\u00e2ndia acabou sendo t\u00e3o esticada que sua crosta agora se estende apenas 20 km para baixo. Por fim, o continente fino como uma l\u00e2mina afundou \u2014 embora n\u00e3o exatamente ao n\u00edvel da crosta oce\u00e2nica normal \u2014 e desapareceu embaixo d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser fino e submerso, os ge\u00f3logos sabem que a Zel\u00e2ndia \u00e9 um continente por causa dos tipos de rochas encontradas l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A crosta continental costuma ser composta de rochas \u00edgneas, metam\u00f3rficas e sedimentares \u2014 como granito, xisto e calc\u00e1rio, enquanto o fundo do oceano \u00e9 geralmente feito apenas de rochas \u00edgneas, como o basalto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ainda existem muitas inc\u00f3gnitas. As origens incomuns do oitavo continente o tornam particularmente intrigante para os ge\u00f3logos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, ainda n\u00e3o est\u00e1 claro como a Zel\u00e2ndia conseguiu ficar junta sendo t\u00e3o fina e n\u00e3o se desintegrou em min\u00fasculos microcontinentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro mist\u00e9rio \u00e9 exatamente quando a Zel\u00e2ndia acabou submersa \u2014 e se alguma vez, de fato, consistiu de terra firme.<\/p>\n\n\n\n<p>As partes que est\u00e3o atualmente acima do n\u00edvel do mar s\u00e3o cristas que se formaram quando as placas tect\u00f4nicas do Pac\u00edfico e da Austr\u00e1lia se encontraram.<\/p>\n\n\n\n<p>Tulloch diz que n\u00e3o h\u00e1 consenso em rela\u00e7\u00e3o a se o continente esteve sempre submerso, exceto por algumas pequenas ilhas, ou se alguma vez foi composto apenas por terra firme.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso tamb\u00e9m levanta a quest\u00e3o sobre quem vivia l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Com seu clima ameno e 101 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, Gondwana era o lar de uma vasta variedade de flora e fauna, incluindo os primeiros animais quadr\u00fapedes terrestres e, mais tarde, dos maiores que j\u00e1 existiram \u2014 os titanossauros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 ent\u00e3o que as rochas da Zel\u00e2ndia podem estar cravejadas com seus restos mortais preservados?<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Debate-sobre-dinossauros\">Debate sobre dinossauros<\/h2>\n\n\n\n<p>Animais terrestres fossilizados s\u00e3o raros no hemisf\u00e9rio sul, mas os restos mortais de v\u00e1rios foram encontrados na Nova Zel\u00e2ndia na d\u00e9cada de 1990, incluindo a costela de um dinossauro gigante de cauda e pesco\u00e7o longos (saur\u00f3pode), de um dinossauro herb\u00edvoro bicudo (hipsilofodonte) e de um dinossauro &#8220;blindado&#8221; (anquilossauro).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2006, o osso da pata de um carn\u00edvoro gigante, possivelmente uma esp\u00e9cie de alossauro, foi descoberto nas Ilhas Chatham, a cerca de 800 km a leste da Ilha Sul. Essencialmente, todos os f\u00f3sseis datam de depois que o continente da Zel\u00e2ndia se separou de Gondwana.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso n\u00e3o significa necessariamente que havia dinossauros perambulando pela maior parte da Zel\u00e2ndia \u2014 essas ilhas podem ter sido santu\u00e1rios, enquanto o resto estava submerso, como agora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 um longo debate sobre isso, se \u00e9 poss\u00edvel ter animais terrestres sem terra cont\u00ednua \u2014 e se, sem isso, eles teriam sido extintos&#8221;, diz Sutherland.<\/p>\n\n\n\n<p>A trama se complica ainda mais com um dos mais estranhos e amados habitantes da Nova Zel\u00e2ndia, o kiwi \u2014 um p\u00e1ssaro atarracado e incapaz de voar com uma esp\u00e9cie de bigode e penas semelhantes a cabelos.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, acredita-se que seu parente mais pr\u00f3ximo n\u00e3o seja o moa, que faz parte do mesmo grupo de aves \u2014 as ratites \u2014 e viveu na mesma ilha at\u00e9 sua extin\u00e7\u00e3o h\u00e1 500 anos, mas sim o ainda mais colossal p\u00e1ssaro-elefante, que espreitava as florestas de Madagascar at\u00e9 800 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta levou os cientistas a acreditar que ambas as aves evolu\u00edram de um ancestral comum que vivia em Gondwana.<\/p>\n\n\n\n<p>Demorou 130 milh\u00f5es de anos para ele se separar totalmente, mas quando isso aconteceu, deixou para tr\u00e1s fragmentos que j\u00e1 foram espalhados por todo o globo, formando a Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica, Madagascar, Ant\u00e1rtida, Austr\u00e1lia, Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, o Subcontinente Indiano e Zel\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso sugere, por sua vez, que pelo menos parte da agora submersa Zel\u00e2ndia permaneceu acima do n\u00edvel do mar o tempo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Exceto por volta de 25 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, acredita-se que todo o continente \u2014 possivelmente at\u00e9 mesmo toda a Nova Zel\u00e2ndia \u2014 estivesse debaixo d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pensava-se que todas as plantas e animais haviam colonizado depois&#8221;, diz Sutherland.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ent\u00e3o o que aconteceu?<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel coletar f\u00f3sseis diretamente do fundo do mar da Zel\u00e2ndia, os cientistas est\u00e3o prospectando suas profundezas com perfura\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na verdade, os f\u00f3sseis mais \u00fateis e distintivos s\u00e3o aqueles que se formam em mares muito rasos&#8221;, diz Sutherland.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Porque eles deixam um registro \u2014 existem zilh\u00f5es e zilh\u00f5es de f\u00f3sseis min\u00fasculos, bem min\u00fasculos, que s\u00e3o bastante distintivos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, uma equipe realizou os levantamentos mais extensos da regi\u00e3o feitos at\u00e9 agora e perfurou mais de 1.250 m no fundo do mar em seis locais diferentes<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00facleos que coletaram continham p\u00f3len de plantas terrestres, assim como esporos e conchas de organismos que viviam em mares rasos e quentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se voc\u00ea tem \u00e1gua, 10 metros de profundidade ou algo assim, ent\u00e3o h\u00e1 uma boa chance de que houvesse terra ao redor tamb\u00e9m&#8221;, diz Sutherland, explicando que o p\u00f3len e os esporos tamb\u00e9m indicam a possibilidade de que Zel\u00e2ndia n\u00e3o estivesse t\u00e3o submersa quanto se pensava.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Uma-tor\u00e7\u00e3o-literal\">Uma tor\u00e7\u00e3o (literal)<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro mist\u00e9rio remanescente diz respeito \u00e0 forma da Zel\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se voc\u00ea olhar um mapa geol\u00f3gico da Nova Zel\u00e2ndia, h\u00e1 duas coisas que realmente se destacam&#8221;, diz Sutherland. Uma delas \u00e9 a Falha Alpina, no limite da placa que percorre a Ilha Sul \u2014 e \u00e9 t\u00e3o significativa que pode ser vista do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda \u00e9 que a geologia da Nova Zel\u00e2ndia \u2014 assim como a do continente mais amplo \u2014 \u00e9 estranhamente curvada. Ambos s\u00e3o divididos em dois por uma linha horizontal, que \u00e9 onde as placas tect\u00f4nicas do Pac\u00edfico e da Austr\u00e1lia se encontram.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ponto exato, parece que algu\u00e9m pegou a metade inferior e retorceu, de modo que n\u00e3o apenas as faixas de rocha anteriormente cont\u00ednuas n\u00e3o est\u00e3o mais alinhadas, mas est\u00e3o praticamente em \u00e2ngulos retos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o f\u00e1cil para isso \u00e9 que as placas tect\u00f4nicas se moveram e de alguma maneira deformaram seu formato. Mas exatamente como ou quando isso aconteceu ainda est\u00e1 totalmente em aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es, mas isso \u00e9 uma grande inc\u00f3gnita&#8221;, diz Tulloch.<\/p>\n\n\n\n<p>Sutherland explica que \u00e9 improv\u00e1vel que o continente revele todos os seus segredos num futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil fazer descobertas quando tudo est\u00e1 a 2 km debaixo d&#8217;\u00e1gua, e as camadas que voc\u00ea precisa analisar tamb\u00e9m est\u00e3o a 500m abaixo do leito oce\u00e2nico&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 realmente desafiador sair e explorar um continente como esse. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso muito tempo, dinheiro e esfor\u00e7o para embarcar e pesquisar as regi\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00ednimo, o oitavo continente do mundo certamente nos mostra que \u2014 quase 400 anos ap\u00f3s a busca de Tasman \u2014 ainda h\u00e1 muito a ser descoberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 1642, e Abel Tasman estava em uma miss\u00e3o. O experiente marinheiro holand\u00eas, que ostentava um bigode extravagante, cavanhaque espesso e uma inclina\u00e7\u00e3o a fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os \u2014 mais tarde, ele tentaria enforcar alguns de seus tripulantes em um desvario de embriaguez \u2014 estava confiante da exist\u00eancia de um vasto [&#8230;]\n","protected":false},"author":1,"featured_media":506,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[24,22,23],"tags":[69,130,77,131],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/505"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=505"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":507,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/505\/revisions\/507"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}