{"id":699,"date":"2021-05-20T15:16:00","date_gmt":"2021-05-20T15:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=699"},"modified":"2021-05-26T15:19:22","modified_gmt":"2021-05-26T15:19:22","slug":"o-fotografo-que-realizou-seu-sonho-de-nadar-com-ursos-polares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/o-fotografo-que-realizou-seu-sonho-de-nadar-com-ursos-polares\/","title":{"rendered":"O fot\u00f3grafo que realizou seu sonho de nadar com ursos polares"},"content":{"rendered":"\n<p>20\/05\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;O medo me deixa alerta, n\u00e3o me impede de fazer nada&#8221;, diz Amos Nachoum, fot\u00f3grafo de vida selvagem conhecido internacionalmente por suas imagens subaqu\u00e1ticas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Da Ant\u00e1rtida ao Alto \u00c1rtico, ele mergulhou em ambientes extremos para captar alguns dos predadores mais magn\u00edficos e evasivos que vivem debaixo d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as diversas criaturas que ele fotografou, est\u00e3o baleias-azuis, orcas, anacondas, crocodilos-do-nilo e, claro, tubar\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio da maioria dos fot\u00f3grafos, Amos n\u00e3o usa uma gaiola de seguran\u00e7a quando est\u00e1 na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Queria mostrar em uma foto o que \u00e9 preciso para lidar com o tubar\u00e3o-branco&#8221;, disse ele em entrevista ao programa de r\u00e1dio Outlook, da BBC.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se n\u00e3o provocarmos, se n\u00e3o irritarmos ele, podemos estar junto dele em paz.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Sem-dem\u00f4nios\">Sem dem\u00f4nios<\/h2>\n\n\n\n<p>Na verdade, ele estava a apenas um metro de dist\u00e2ncia quando fotografou um enorme tubar\u00e3o-branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos acostumados a ver as mand\u00edbulas de um tubar\u00e3o como um s\u00edmbolo de terror.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o fot\u00f3grafo israelense v\u00ea eleg\u00e2ncia, poder e beleza no animal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 45 anos, ele diz que tem se esfor\u00e7ado para mudar a concep\u00e7\u00e3o err\u00f4nea habitual de que certas esp\u00e9cies, como o tubar\u00e3o-branco, s\u00e3o apenas m\u00e1quinas de matar implac\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 dem\u00f4nios no mar&#8221;, ele costuma dizer.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerado um dos melhores fot\u00f3grafos em sua \u00e1rea e colecionador de v\u00e1rios pr\u00eamios, Amos Nachoum teve seu primeiro contato com uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica na adolesc\u00eancia, quando encontrou uma no dep\u00f3sito do pai aos 12 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele estava morando em Tel Aviv com os pais, um casal judeu que havia fugido da L\u00edbia.<\/p>\n\n\n\n<p>Amos aprendeu a usar a c\u00e2mera antiga e come\u00e7ou a tirar fotos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Percebi que a fotografia me dava uma chance de me expressar&#8221;, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu relacionamento com o pai, que ele descreve como um disciplinador r\u00edgido, era dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele saiu de casa aos 14 anos para viver e trabalhar com os pescadores locais, que ensinaram a ele uma habilidade muito importante: mergulhar.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Saindo-de-Israel\">Saindo de Israel<\/h2>\n\n\n\n<p>Mais tarde, quando j\u00e1 era um rapaz, ele cumpriu o servi\u00e7o militar, obrigat\u00f3rio em Israel, e lutou na guerra \u00e1rabe-israelense de 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>Amos diz que ficou traumatizado com a viol\u00eancia e deixou Israel para come\u00e7ar uma vida nova nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele dirigia t\u00e1xis em Nova York e ganhava a vida fazendo bicos, antes de encontrar seu lugar na \u00e1gua \u2014 como instrutor de mergulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto acompanhava um grupo de turistas em uma viagem de mergulho, ele teve uma ideia ao observar um idoso americano tirando fotos com uma c\u00e2mera subaqu\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m podia fazer isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao combinar mergulho com fotografia, ele decidiu oferecer um novo olhar sobre as enormes criaturas que se escondem no fundo do mar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o com os grandes animais, com os tubar\u00f5es e as baleias, era muito negativa&#8221;, lembra, &#8220;mas a minha rela\u00e7\u00e3o era muito positiva&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nadando-com-usos-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-701\" srcset=\"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nadando-com-usos-1.jpg 800w, https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nadando-com-usos-1-711x400.jpg 711w, https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nadando-com-usos-1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 id=\"O-grande-sonho-\">O grande sonho<\/h2>\n\n\n\n<p>Amos tinha um sonho em particular que gostaria de realizar, se tornar a primeira pessoa a fotografar um urso polar \u2014 na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se lembra do pai ter dito que era uma &#8220;miss\u00e3o suicida&#8221; quando soube dos seus planos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Havia uma desconex\u00e3o total&#8221;, diz Amos sobre o pai, que preferia v\u00ea-lo sossegado e casado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele desistiu de mim. N\u00e3o conseguia se conectar com o que eu fazia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Determinado, Amos seguiu para o norte, em dire\u00e7\u00e3o ao \u00c1rtico, na primavera de 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a ajuda de um guia inuit local, ele avistou um urso polar macho e mergulhou na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea sempre precisa de um guia muito bom e de muita experi\u00eancia antes de fazer algo assim, porque h\u00e1 o risco de haver um acidente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O vento estava empurrando o barco deles para longe de Amos, enquanto o urso polar continuava se aproximando.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Amos tinha feito seu dever de casa antes. Ele havia lido que os ursos polares n\u00e3o s\u00e3o capazes de mergulhar al\u00e9m da profundidade de 10 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O urso polar \u00e9 muito pesado e tem muita gordura e pelo no corpo. Ele tem que se esfor\u00e7ar muito para descer&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9cadas de experi\u00eancia o ensinaram a procurar sinais nos animais que pudessem indicar um ataque iminente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Fuga-dram\u00e1tica\">Fuga dram\u00e1tica<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando o urso chegou mais ou menos a seis metros dele, Amos mergulhou, e o urso foi atr\u00e1s dele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi dram\u00e1tico&#8221;, ele conta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu estava a uns 15 a 17 metros, e ele continuava descendo. S\u00f3 conseguia ver as patas dianteiras, nariz e focinho. Sinceramente, fiquei com medo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Amos tinha pouca chance seja ao lutar ou fugir do animal carn\u00edvoro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando eu estava a cerca de 75 p\u00e9s (mais ou menos 22 metros), olhei para cima. Em vez de estar de frente para mim na vertical, o urso estava mais horizontal e nadando ao n\u00edvel da \u00e1gua.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sobreviveu e, felizmente, quando voltou \u00e0 superf\u00edcie, o urso polar havia ido embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma viagem ao \u00c1rtico custa muito dinheiro e prepara\u00e7\u00e3o, incluindo o aluguel de um avi\u00e3o fretado e a montagem de acampamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Amos estava determinado a tentar, pela segunda vez, tirar a fotografia dos seus sonhos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Segunda-tentativa\">Segunda tentativa<\/h2>\n\n\n\n<p>A oportunidade surgiu anos depois, quando seu aluno Yonatan Mir fez um document\u00e1rio sobre ele, levando os dois para o deserto \u00e1rtico em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia um or\u00e7amento de um milh\u00e3o de d\u00f3lares para o projeto, quantia que permitiria a eles ficar apenas cinco dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles procuraram os ursos polares por quatro dias sem sorte, at\u00e9 que chegou o momento t\u00e3o esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s os vimos descendo a colina e entrando na \u00e1gua.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>E, finalmente, avistaram uma m\u00e3e ursa com seus dois filhotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria a primeira vez que um urso polar com dois filhotes seria fotografado nessas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta vez, Amos tinha um parceiro de mergulho, Adam, que estava l\u00e1 para filmar o evento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles (os ursos) se aproximavam cada vez mais e diretamente na nossa dire\u00e7\u00e3o. Olhei para Adam, tirei o regulador da boca e sorri, coloquei o regulador de volta e desci&#8221;, lembra Amos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela (o urso polar) veio por cima da nossa cabe\u00e7a. Virei para tirar uma foto dela.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem que ele capturou foi a silhueta de um urso, ent\u00e3o ele teve que esperar para tirar a foto dos animais encarando ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A m\u00e3e ursa estava inicialmente acima da \u00e1gua. A\u00ed ela abaixou a cabe\u00e7a. Fiquei clicando para tirar o maior n\u00famero de fotos poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Meu-her\u00f3i\">&#8216;Meu her\u00f3i&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto Amos estava fotografando os ursos polares, os documentaristas conversavam com seu pai, que estava acamado, em Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meu bom menino, meu filho louco e meu her\u00f3i&#8221;, foram suas palavras sobre Amos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a maior parte de sua vida adulta, Amos conta que mal falou com o pai.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fiquei atordoado. Tive dificuldade de compreender o que saiu da boca dele e saber o que ele pensava de mim.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O pai de Amos faleceu antes que ele pudesse voltar a Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ao retornar, ele visitou o cemit\u00e9rio, levando consigo a foto emoldurada do urso polar para colocar no t\u00famulo do pai.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu alcancei algo que ele n\u00e3o achava que eu conseguiria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o c\u00e9lebre fot\u00f3grafo tamb\u00e9m acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele me desafiou a ser o melhor que consigo ser.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20\/05\/2021 &#8220;O medo me deixa alerta, n\u00e3o me impede de fazer nada&#8221;, diz Amos Nachoum, fot\u00f3grafo de vida selvagem conhecido internacionalmente por suas imagens subaqu\u00e1ticas. 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