{"id":731,"date":"2021-06-07T00:56:00","date_gmt":"2021-06-07T00:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=731"},"modified":"2021-06-08T01:00:54","modified_gmt":"2021-06-08T01:00:54","slug":"zuzu-angel-o-centenario-da-estilista-que-lutou-para-descobrir-destino-de-filho-assassinado-e-foi-morta-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/zuzu-angel-o-centenario-da-estilista-que-lutou-para-descobrir-destino-de-filho-assassinado-e-foi-morta-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"Zuzu Angel: o centen\u00e1rio da estilista que lutou para descobrir destino de filho assassinado e foi morta pela ditadura"},"content":{"rendered":"\n<p>07\/06\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quase todos os dias, ao cair da noite, o jornalista Zuenir Ventura recebia a visita da estilista Zuzu Angel (1921-1976) em sua casa. Entre um assunto e outro, a &#8220;M\u00e3e Coragem&#8221; &#8211; como ele a apelidara, carinhosamente, numa alus\u00e3o \u00e0 pe\u00e7a escrita pelo dramaturgo alem\u00e3o Bertold Brecht (1898-1956) &#8211; relatava a via-cr\u00facis que percorria para descobrir o paradeiro de seu filho, Stuart Edgar Angel Jones (1946-1971).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 14 de maio de 1971, seu primog\u00eanito fora capturado em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, por agentes do Centro de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a da Aeron\u00e1utica (CISA) e levado para a Base A\u00e9rea do Gale\u00e3o, na Ilha do Governador.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma de suas visitas \u00e0 casa de Zuenir, Zuzu deixou, em abril de 1975, um bilhete, manuscrito, onde dizia: &#8220;Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta por acidente, assalto ou qualquer outro meio, ter\u00e1 sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho&#8221;. &#8220;A l\u00e1pis, acrescentou: &#8216;Esteja certo que n\u00e3o estou vendo fantasmas'&#8221;, recorda o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Zuenir Ventura n\u00e3o foi o \u00fanico a receber o &#8220;bilhete-testamento&#8221; de Zuzu Angel. Temendo por sua vida, a estilista escreveu dezenas deles e os confiou a artistas e intelectuais, como o dramaturgo Paulo Pontes (1940-1976) e o compositor Chico Buarque. Quando o que Zuzu mais temia aconteceu, na madrugada do dia 14 de abril de 1976, Zuenir, Paulo e Chico, tr\u00eas dos destinat\u00e1rios dos bilhetes, se reuniram na casa do compositor na G\u00e1vea, Zona Sul do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A estilista tinha morrido em um acidente de carro por volta das 3h30, ao voltar para casa, na Barra da Tijuca, de um jantar na casa de amigos. O Karmann-Ghia que ela dirigia capotou e caiu de uma altura de dez metros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Era imposs\u00edvel n\u00e3o fazer nada, era uma barra muito pesada&#8221;, conta Chico no livro&nbsp;<em>Para Todos<\/em>&nbsp;(2000), da jornalista Regina Zappa. &#8220;Virou uma m\u00e3e da Pra\u00e7a de Maio, sozinha&#8221;, compara o cantor \u00e0s mulheres que tiveram seus filhos mortos ou desaparecidos durante o regime militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas, ent\u00e3o, datilografaram dezenas de c\u00f3pias do bilhete e as enviaram, pelos Correios, para jornalistas e senadores. Apenas Alberto Dines (1932-2018) fez refer\u00eancia ao bilhete em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo e cobrou provid\u00eancias das autoridades. Para n\u00e3o levantar suspeitas, os tr\u00eas tiveram o cuidado de remeter as cartas de diferentes endere\u00e7os &#8211; Zuenir, do M\u00e9ier; Paulo, do sub\u00farbio do Rio, e Chico, de Itaipava, regi\u00e3o serrana. Mais que isso: a m\u00e1quina de escrever usada para datilografar as cartas foi jogada ribanceira abaixo, na Rio-Petr\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Naqueles tempos, todo cuidado era pouco&#8221;, justifica Zuenir na cr\u00f4nica&nbsp;<em>O Filho e a M\u00e3e-Coragem<\/em>, publicada no jornal O Globo, de 27 de fevereiro de 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1981, quando lan\u00e7ou o \u00e1lbum&nbsp;<em>Almanaque<\/em>, Chico Buarque decidiu incluir no repert\u00f3rio uma m\u00fasica composta quatro anos antes,&nbsp;<em>Ang\u00e9lica<\/em>&nbsp;(1977), em parceria com Miltinho, um dos membros-fundadores do MPB-4. No mesmo disco, gravou&nbsp;<em>C\u00e1lice<\/em>, parceria com Gilberto Gil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os versos &#8220;Quero cheirar fuma\u00e7a de \u00f3leo diesel \/ Me embriagar at\u00e9 que algu\u00e9m me esque\u00e7a&#8221; fazem refer\u00eancia \u00e0 forma como Stuart Jones foi torturado e morto: arrastado por uma corda amarrada a um jipe militar pelo p\u00e1tio interno da Base A\u00e9rea do Gale\u00e3o, com a boca encostada ao cano de descarga at\u00e9 morrer, aos 25 anos, em junho de 1971.<\/p>\n\n\n\n<p>Bicampe\u00e3o carioca de remo pelo Flamengo, Stuart cursava Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e militava no Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro, o MR-8.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Nem-toda-hist\u00f3ria-bonita-tem-um-final-feliz\">&#8216;Nem toda hist\u00f3ria bonita tem um final feliz&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>A tr\u00e1gica hist\u00f3ria da estilista mineira Zuzu Angel &#8211; nome art\u00edstico de Zuleika Angel Jones (1921-1976) &#8211; j\u00e1 foi contada e recontada algumas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 em livros, foram tr\u00eas: o p\u00f3stumo&nbsp;<em>Eu, Zuzu Angel, Procuro Meu Filho<\/em>&nbsp;(1986), de Virginia Valli, irm\u00e3 de Zuzu (no site Estante Virtual, alguns exemplares s\u00e3o vendidos por at\u00e9 R$ 200), a antologia ilustrada&nbsp;<em>50 Brasileiras Incr\u00edveis Para Conhecer Antes de Crescer&nbsp;<\/em>(2017), da jornalista e escritora D\u00e9bora Thom\u00e9; e o infantojuvenil&nbsp;<em>Zuzu<\/em>&nbsp;(2019), do jornalista e escritor David Massena.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quem dera fosse diferente, mas nem toda hist\u00f3ria bonita tem um final feliz. Assim aconteceu com Zuleika Angel Jones, uma mo\u00e7a linda e elegante com nome de artista de cinema&#8221;, escreveu D\u00e9bora no cap\u00edtulo dedicado a Zuzu.<\/p>\n\n\n\n<p>Em breve, mais duas biografias chegar\u00e3o \u00e0s livrarias: a primeira, sem t\u00edtulo definido, est\u00e1 sendo escrita pela jornalista Hildegard Angel, uma das filhas de Zuzu; e a segunda,&nbsp;<em>Quem \u00c9 Essa Mulher,<\/em>&nbsp;de autoria da jornalista Virginia Siqueira Starling, est\u00e1 em fase inicial, de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de Hildegard, Virginia n\u00e3o teve a oportunidade de conhecer sua biografada. No momento, est\u00e1 consultando jornais e revistas da \u00e9poca e realizando as primeiras entrevistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, s\u00e3o muitas as facetas a serem exploradas: a da m\u00e3e, que ousava dizer a verdade sobre as viol\u00eancias cometidas pela ditadura militar; a da mulher, que enfrentou o estigma de ser desquitada e ter que trabalhar para sustentar os tr\u00eas filhos; e a da empres\u00e1ria, que montou sua pr\u00f3pria marca e exportou pe\u00e7as com bastante sucesso para pa\u00edses, como EUA, Canad\u00e1, Inglaterra, \u00c1frica do Sul e Ar\u00e1bia Saudita, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A cada mat\u00e9ria de jornal ou artigo acad\u00eamico que leio, descubro uma mulher valente, criativa e inovadora que, certa de suas convic\u00e7\u00f5es, vivia de acordo com aquilo em que acreditava&#8221;, afirma Virginia.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Hildegard tinha 26 anos quando sua m\u00e3e morreu. Quando o telefone tocou no meio da madrugada, a jornalista carioca n\u00e3o teve d\u00favida sobre o motivo da liga\u00e7\u00e3o: algo tinha acontecido com Zuzu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sonolenta, custou a acreditar que, pela terceira vez, uma desgra\u00e7a tinha reca\u00eddo sobre a cabe\u00e7a de sua fam\u00edlia. Depois de perder o irm\u00e3o, Stuart, e a cunhada, S\u00f4nia de Moraes Angel (1946-1973), militante do movimento A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), presa, torturada e morta por agentes do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00e3o &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-CODI), \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o militar, em S\u00e3o Paulo, sua m\u00e3e tamb\u00e9m tinha sido assassinada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda hoje, quando tento imaginar a crueldade que fizeram com o Tuti e a cilada que armaram contra mam\u00e3e, fico triste e sofro muito&#8221;, admite Hilde. &#8220;At\u00e9 hoje, n\u00e3o consegui sepultar meu irm\u00e3o. N\u00e3o sei se o corpo dele foi jogado ao mar ou enterrado numa vala. E ainda temos um presidente que diz: &#8216;Quem procura osso \u00e9 cachorro!'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos restos mortais de S\u00f4nia, a vi\u00fava de Stuart, eles s\u00f3 foram identificados em 1991, quase vinte anos depois.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Morte-n\u00e3o-natural-violenta-causada-pelo-Estado-brasileiro\">&#8216;Morte n\u00e3o natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Mineira de Curvelo, cidadezinha de pouco mais de 80 mil habitantes a 168 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, Zuzu Angel se casou, em 1943, com o norte-americano Norman Angel Jones. Juntos, os dois tiveram tr\u00eas filhos: Stuart, o primog\u00eanito, que nasceu em 1947; Hildegard, de 1949; e Ana Cristina, a ca\u00e7ula, de 1952. O casal se separou em 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>Quarenta e cinco anos depois do tr\u00e1gico acidente na sa\u00edda do t\u00fanel Dois Irm\u00e3os, que liga a G\u00e1vea a S\u00e3o Conrado, Ana Cristina Angel Dronne n\u00e3o se esquece das vezes em que a m\u00e3e, campe\u00e3 de nata\u00e7\u00e3o na adolesc\u00eancia, levava os filhos \u00e0 praia. Mal chegava l\u00e1, esticava a toalha na areia e corria para dar um mergulho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dominava as ondas sem dificuldade&#8221;, orgulha-se a ca\u00e7ula, que hoje mora na Fran\u00e7a. &#8220;Ao voltar para areia, dizia: &#8216;Na vida, a gente tem que enfrentar as ondas e atravess\u00e1-las sem temor'&#8221;, repete. &#8220;S\u00e3o li\u00e7\u00f5es de vida que mais tarde, ao lado dela, acompanhando sua luta, se tornaram vivas e verdadeiras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Zuzu Angel lutou para investigar o sumi\u00e7o do filho e (depois de ler a carta escrita por Alex Polari, ex-companheiro de milit\u00e2ncia e de carceragem de Stuart), descobrir o que fizeram com o corpo do rapaz, Hilde e Ana Cristina lutaram para provar que sua m\u00e3e n\u00e3o morreu de um &#8220;suposto acidente de carro&#8221; porque ingeriu \u00e1lcool, cochilou ao volante ou sofreu um infarto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho do ano passado, a Justi\u00e7a brasileira reconheceu que Zuzu Angel foi assassinada por agentes da ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relato de uma testemunha &#8211; o advogado Marcos Pires -, Zuzu Angel n\u00e3o foi v\u00edtima de &#8220;acidente de causas desconhecidas&#8221;. Seu carro foi jogado para fora da pista por outro ve\u00edculo depois de sair do t\u00fanel Dois Irm\u00e3os, hoje rebatizado de Zuzu Angel. Por essa raz\u00e3o, novas certid\u00f5es de \u00f3bito foram emitidas em nome de Zuzu e Stuart. Nos documentos, a &#8216;causa mortis&#8217; de m\u00e3e e filho foi reconhecida como &#8220;morte n\u00e3o natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mam\u00e3e foi um exemplo de luta e determina\u00e7\u00e3o. Era uma mulher forte e combativa que superava todas as dificuldades, sempre com muito bom humor. Ela conseguia rir at\u00e9 do sofrimento&#8221;, enaltece Hildegard. Em 2013, durante depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), criada para apurar as viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos cometidas no Brasil entre 1946 e 1988, Polari confirmou cada palavra do que dissera na carta datada de 23 de maio de 1972.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Das-passarelas-da-moda-\u00e0s-telas-do-cinema-e-da-TV\">Das passarelas da moda \u00e0s telas do cinema e da TV<\/h2>\n\n\n\n<p>A can\u00e7\u00e3o de Chico Buarque foi apenas a primeira de muitas homenagens. Ao longo das d\u00e9cadas, a estilista recebeu outros tributos, como o enredo&nbsp;<em>Quem \u00e9 Voc\u00ea, Zuzu Angel? Um Anjo Feito Mulher?<\/em>&nbsp;(1998), da escola de samba Em Cima da Hora, de S\u00e3o Paulo, e as cole\u00e7\u00f5es Quem Matou Zuzu Angel? (2001) e Zuzu Vive (2020), do estilista mineiro Ronaldo Fraga.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em 2001, quando lancei a primeira cole\u00e7\u00e3o, teve rep\u00f3rter perguntando se a Zuzu compareceria ao desfile. Ou desconheciam sua hist\u00f3ria ou a confundiram com sua filha, a Hildegard&#8221;, especula Ronaldo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como estilista da alta-costura, Zuzu Angel chegou a ter loja em Ipanema e em Nova York. Suas cria\u00e7\u00f5es, repletas de brasilidade, alcan\u00e7aram fama internacional e vestiram estrelas de Hollywood, como as atrizes Joan Crawford (1904-1977), Kim Novak e Liza Minnelli.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 1971, Zuzu Angel realizou um desfile-protesto na casa do c\u00f4nsul do Brasil em Nova York, Lauro Soutello Alves. Na passarela, as modelos usavam figurinos bordados com tanques, fuzis e canh\u00f5es. J\u00e1 Zuzu vestia um vestido preto em sinal de luto, e ostentava um cintur\u00e3o com crucifixos e um colar com a imagem de um anjo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto os estilistas da \u00e9poca estavam de olho nas influ\u00eancias que vinham da Europa, Zuzu fazia moda com produtos brasileiros, como linha, seda e algod\u00e3o, e temas nacionais, como Lampi\u00e3o e Maria Bonita. Foi uma estilista tropicalista&#8221;, define Ronaldo. &#8220;Zuzu est\u00e1 para a moda como Glauber Rocha est\u00e1 para o cinema ou os Tropicalistas est\u00e3o para a m\u00fasica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Zuzu Angel tamb\u00e9m j\u00e1 ganhou as telas da TV e do cinema. Como Norman, o pai de Stuart, era cidad\u00e3o americano, Zuzu resolveu denunciar o sumi\u00e7o do filho e reivindicar o direito de sepult\u00e1-lo para o senador democrata Edward &#8220;Ted&#8221; Kennedy (1932-2009) e para o secret\u00e1rio de Estado, Henry Kissinger. No caso de Kissinger, Zuzu chegou a entregar um dossi\u00ea sobre o caso, quando ele se hospedou no Hotel Sheraton, no Rio, em 1976.<\/p>\n\n\n\n<p>No programa&nbsp;<em>Linha Direta Justi\u00e7a<\/em>, exibido em 27 de novembro de 2003, Zez\u00e9 Polessa deu vida a Zuzu Angel e Mateus Solano, a Stuart Jones. O programa contou com os depoimentos, entre outros, dos jornalistas Hildegard Angel e Zuenir Ventura. Tr\u00eas anos depois, foi a vez de<em>&nbsp;Zuzu Ange<\/em>l (2006), longa-metragem dirigido e roteirizado por S\u00e9rgio Rezende. Dessa vez, a personagem-t\u00edtulo foi interpretada por Patr\u00edcia Pillar e seu filho, por Daniel de Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Zuzu foi uma esp\u00e9cie de Ant\u00edgona moderna&#8221;, compara a atriz, citando a protagonista de um dos cl\u00e1ssicos de S\u00f3focles, que ousou desafiar o rei Creonte para sepultar o irm\u00e3o, Polinice.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 terr\u00edvel saber que a nossa democracia ainda \u00e9 t\u00e3o torta e t\u00e3o fr\u00e1gil. Hoje em dia, ainda existem tantas Ant\u00edgonas espalhadas pelo Brasil: v\u00edtimas de outros tipos de tortura, como a desigualdade social e a viol\u00eancia policial. E a Justi\u00e7a, tantas e tantas vezes, n\u00e3o se faz presente com uma resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia do pa\u00eds&#8221;, protesta a atriz.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>07\/06\/2021 Quase todos os dias, ao cair da noite, o jornalista Zuenir Ventura recebia a visita da estilista Zuzu Angel (1921-1976) em sua casa. 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