{"id":749,"date":"2021-06-14T23:24:00","date_gmt":"2021-06-14T23:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=749"},"modified":"2021-06-21T23:35:15","modified_gmt":"2021-06-21T23:35:15","slug":"os-40-anos-do-livro-brasileiro-condenado-pelo-vaticano-que-hoje-inspira-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/os-40-anos-do-livro-brasileiro-condenado-pelo-vaticano-que-hoje-inspira-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Os 40 anos do livro brasileiro condenado pelo Vaticano que hoje inspira papa Francisco"},"content":{"rendered":"\n<p>14\/06\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aquele padre j\u00e1 estava incomodando bastante os c\u00edrculos mais conservadores da Igreja Cat\u00f3lica. No comecinho dos anos 1980, a atua\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o frade franciscano Leonardo Boff repercutia social e politicamente, justamente pela atua\u00e7\u00e3o \u00e0 frente da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, corrente crist\u00e3 que enfatiza como necess\u00e1ria a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quarenta anos atr\u00e1s, Boff lan\u00e7ou um livro at\u00e9 hoje considerado sua obra m\u00e1xima, constante de bibliografias de cursos de teologia e presente nas cabeceiras de muitos pensadores influentes \u2014 e, h\u00e1 quem diga, at\u00e9 mesmo do papa Francisco. Trata-se de\u00a0<em>Igreja: Carisma e Poder<\/em>\u00a0(Vozes), um compilado de 13 densos ensaios cuja primeira edi\u00e7\u00e3o foi publicada em 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de mais de 200 p\u00e1ginas, o te\u00f3logo afirma existirem viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos no interior da Igreja Cat\u00f3lica, questiona a engessada hierarquia eclesi\u00e1stica e entende a teologia como resultado das experi\u00eancias de f\u00e9 vividas pelo povo \u2014 e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o jeito de ser religioso de Boff, militando junto aos pobres, causava desconforto em setores cat\u00f3licos, o livro serviu como prova concreta para os que viam nele um dissidente, algu\u00e9m fora do padr\u00e3o institu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso foi analisado primeiro pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em seguida, encaminhado para a Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 (CDF), \u00f3rg\u00e3o do Vaticano herdeiro hist\u00f3rico do temido Tribunal da Inquisi\u00e7\u00e3o, conhecido por perseguir aqueles considerados hereges at\u00e9 o s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p>No comando da CDF estava o ent\u00e3o cardeal alem\u00e3o Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornaria o papa Bento 16, sucessor de Jo\u00e3o Paulo 2\u00ba (1920-2005).<\/p>\n\n\n\n<p>Sua decis\u00e3o sobre o caso Boff foi publicada em 11 de mar\u00e7o de 1985. No julgamento, a congrega\u00e7\u00e3o entendeu que o livro era uma afronta a pelo menos quatro pontos da doutrina cat\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Examinadas \u00e0 luz dos crit\u00e9rios de um aut\u00eantico m\u00e9todo teol\u00f3gico [\u2026] certas op\u00e7\u00f5es do livro de L. Boff manifestam-se insustent\u00e1veis&#8221;, pontua o documento final.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sem pretender analis\u00e1-las todas, colocam-se em evid\u00eancia apenas as op\u00e7\u00f5es eclesiol\u00f3gicas que parecem decisivas, ou seja: a estrutura da Igreja, a concep\u00e7\u00e3o do dogma, o exerc\u00edcio do poder sagrado e o profetismo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Entendendo que as reflex\u00f5es de Boff &#8220;s\u00e3o de tal natureza que p\u00f5em em perigo a s\u00e3 doutrina da f\u00e9&#8221;, a congrega\u00e7\u00e3o condenou o religioso brasileiro. Coube a ele um ano do chamado &#8220;sil\u00eancio obsequioso&#8221;, uma esp\u00e9cie de &#8220;cala-boca&#8221; oficial que o proibiu de emitir opini\u00f5es ou mesmo exercer publicamente suas atividades religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por e-mail, Boff afirmou \u00e0 BBC News Brasil que &#8220;a inten\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria do livro era aplicar as intui\u00e7\u00f5es da teologia da liberta\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internas na Igreja, em setores da Igreja&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma igreja que prega a liberta\u00e7\u00e3o na sociedade n\u00e3o pode ser um fator de opress\u00e3o nas suas rela\u00e7\u00f5es internas&#8221;, argumenta ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A raz\u00e3o reside neste fato: todo o poder sagrado est\u00e1 nas m\u00e3os de um pequeno grupo clerical; os leigos, que s\u00e3o as grandes maiores, n\u00e3o participam dele e as mulheres s\u00e3o completamente exclu\u00eddas. Uma Igreja que assim se organiza e exige liberta\u00e7\u00e3o na sociedade se desmoraliza porque, internamente, n\u00e3o d\u00e1 mostra de ser libertadora.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Recordando seu pr\u00f3prio livro, o te\u00f3logo sustenta que &#8220;na medida em que a Igreja hier\u00e1rquica se assenta sobre o poder em sua forma absolutista e at\u00e9 tir\u00e2nica na figura do papa, n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de se converter&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este tipo de poder centralizado necessariamente \u00e9 excludente e, por isso, sua natureza viola direitos dos fi\u00e9is&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Boff v\u00ea os leigos reduzidos a uma cidadania inferior, e as mulheres encaradas como &#8220;for\u00e7a auxiliar do clero&#8221;, a despeito de serem numericamente a maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O ponto cr\u00edtico e extremamente sens\u00edvel para as autoridades eclesi\u00e1sticas foi a cr\u00edtica que fiz ao poder sagrado, sobre o qual se constr\u00f3i toda a compreens\u00e3o da Igreja&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Jesus fez uma arrasadora cr\u00edtica ao poder como centraliza\u00e7\u00e3o e busca de privil\u00e9gio. O poder s\u00f3 se legitima evangelicamente como servi\u00e7o e n\u00e3o como privil\u00e9gio e elemento de cria\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as na comunidade. A Igreja dos prim\u00f3rdios se constru\u00eda sobre a categoria da comunh\u00e3o de todos com todos, no sentido de uma comunidade fraternal de iguais, embora com fun\u00e7\u00f5es diferentes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Boff diz que no catolicismo contempor\u00e2neo, a comunh\u00e3o foi &#8220;esvaziada&#8221; e, &#8220;no lugar do Esp\u00edrito Santo, entrou o direito can\u00f4nico, que tudo estabelece&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o me restringi a fazer cr\u00edtica \u00e0 Igreja hier\u00e1rquica do poder sagrado. Tentei mostrar [\u2026] uma alternativa poss\u00edvel e fundada biblicamente, de uma Igreja assentada sobre o Esp\u00edrito Santo e os carismas como forma diferente de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria&#8221;, explica. &#8220;Estes seriam os pontos nevr\u00e1lgicos que provocaram minha convoca\u00e7\u00e3o pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O te\u00f3logo reconhece, contudo, que os problemas n\u00e3o eram apenas os teol\u00f3gicos. &#8220;Havia dois outros, muito importantes, de car\u00e1ter pol\u00edtico&#8221;, ressalta ele, frisando que o primeiro dizia respeito \u00e0 teologia da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma semana antes de minha convoca\u00e7\u00e3o [para prestar esclarecimentos], a congrega\u00e7\u00e3o [CDF] havia publicado um documento cr\u00edtico a este tipo de teologia, acusando-a de politiza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e do uso de categorias marxistas. Submeter-me, logo ap\u00f3s, a um ju\u00edzo doutrin\u00e1rio significava tamb\u00e9m colocar sob suspei\u00e7\u00e3o a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e, com isso, desautoriz\u00e1-la.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo motivo pol\u00edtico dizia respeito \u00e0s chamadas comunidades eclesiais de base \u2014 grupos ecum\u00eanicos em que pessoas com necessidades comuns s\u00e3o incentivadas a se reunir para leituras b\u00edblicas e debates sociopol\u00edticos. Como diz Boff, lugares &#8220;onde se praticava e ainda se pratica a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A inten\u00e7\u00e3o j\u00e1 antiga do Vaticano era declarar que essas comunidades n\u00e3o s\u00e3o eclesiais, mas pol\u00edticas&#8221;, afirma ele. &#8220;Desta forma, ficariam tamb\u00e9m desclassificadas e, junto delas, a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem perguntou a Leonardo Boff se, com passar do tempo, ele se arrepende ou chegou a se arrepender de alguma coisa do conte\u00fado desse livro \u2014 considerando, inclusive, a repercuss\u00e3o do mesmo no interior da Igreja. Ele negou categoricamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Continuo sustentando as teses do meu livro, que s\u00e3o secundadas pela melhor reflex\u00e3o teol\u00f3gica cat\u00f3lica e ecum\u00eanica&#8221;, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afirma que &#8220;a estrutura\u00e7\u00e3o institucional da Igreja hier\u00e1rquica \u00e9 mais e mais criticada por n\u00e3o ser suficientemente fundada nos evangelhos e na pr\u00e1tica de Jesus e dos ap\u00f3stolos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sobre isso se fizeram in\u00fameras teses nas muitas faculdades de teologia. Mais ainda, esta teologia oficial \u00e9 posta de lado pela pr\u00e1tica do atual papa Francisco, que explicitamente vive o modelo de Igreja de comunh\u00e3o, favorece as comunidades eclesiais de base e tem dado apoio expl\u00edcito \u00e0 teologia da liberta\u00e7\u00e3o, de onde ele mesmo mesmo veio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Boff comentou que se corresponde com o papa Francisco &#8220;em sucessivas e amistosas trocas de cartas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O livro [&#8216;Igreja: Carisma e Poder&#8217;] resultou de uma s\u00e9rie de textos de confer\u00eancias e de artigos publicados. O t\u00edtulo vai direto ao ponto&#8221;, define o te\u00f3logo Luiz Carlos Susin, professor na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica no Rio Grande do Sul (PUC-RS) e na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana e membro do Comit\u00ea Internacional do F\u00f3rum Mundial de Teologia e Liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na Am\u00e9rica Latina em geral, mais especificamente no Brasil, a d\u00e9cada de 1970 tinha sido tensa politicamente pois nos extremos estavam as ditaduras e as guerrilhas, e no campo intelectual a situa\u00e7\u00e3o social era analisada com categorias marxistas. A Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o dialogava com este pensamento cr\u00edtico, embora nem Boff e nem os demais te\u00f3logos dominassem bem as categorias marxistas. Mas havia &#8216;afinidades eletivas&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Contexto\">Contexto<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1981, Boff j\u00e1 era bastante respeitado. Catarinense de Conc\u00f3rdia, nascido em 14 de dezembro de 1938, ele civilmente se chama Gen\u00e9zio Darci Boff e assumiu o nome de Leonardo quando se tornou membro da Ordem dos Frades Menores, ao fim da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n\n\n\n<p>Ordenou-se sacerdote em 1964 e, depois, viveu um per\u00edodo na Alemanha, onde doutorou-se pela Universidade de Munique.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos 1970, seu pensamento passou a ser materializado em artigos e livros. Ele integrou o conselho editorial da Vozes, onde coordenou a cole\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Teologia e Liberta\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/em>e atuou como redator da Revista Eclesi\u00e1stica Brasileira, entre outras publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o te\u00f3logo fundou em 1979, com a ajuda de um grupo de militantes e religiosos, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), em Petr\u00f3polis, onde vive. Os antigos parceiros nesse projeto s\u00e3o os que guardam as melhores mem\u00f3rias da persegui\u00e7\u00e3o sofrida por Boff no processo junto ao Vaticano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Trabalhava no CDDH nos anos 1980 e convivia diariamente com Boff, principalmente no ano do famoso sil\u00eancio obsequioso [1985], afirma o te\u00f3logo e fil\u00f3sofo Adair Rocha, professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sil\u00eancio obsequioso \u00e9 uma express\u00e3o de uma sabedoria hist\u00f3rica incr\u00edvel, bem mais respeitosa do que &#8216;faz favor de calar a boca&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>Igreja: Carisma e Poder<\/em>&nbsp;se relaciona com Jesus Cristo libertador. Isso acabou incomodando os setores hier\u00e1rquicos da Igreja&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;[Boff] trabalha os pressupostos te\u00f3ricos de natureza teol\u00f3gica com as quest\u00f5es de natureza pr\u00e1tica, numa perspectiva estruturante do modelo da circularidade da Igreja, enquanto o modelo tradicional existente \u00e9 hierarco-piramidal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando isso vai para as comunidades eclesiais de base, implica em quest\u00f5es que v\u00e3o interferir diretamente na vida das pessoas, e isso assume uma conota\u00e7\u00e3o de natureza pol\u00edtica que vai identificar Boff e toda sua produ\u00e7\u00e3o com autores preocupados com essa quest\u00e3o estruturante do capitalismo e como os meios de produ\u00e7\u00e3o interferem na for\u00e7a de trabalho&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Rocha, a teologia trazida pelas reflex\u00f5es de Boff estava empenhada em possibilitar que a popula\u00e7\u00e3o mais pobre adquirisse &#8220;todos os direitos&#8221;. &#8220;A palavra de Deus vai deixando isso cada vez clara. A conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica acaba sendo clara&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Professor e desenvolvedor de aplicativos em Goi\u00e2nia, o fil\u00f3sofo Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Lacerda J\u00fanior recorda que foi arrebatador quando, nos anos 1980, &#8220;mergulhou&#8221; na leitura de&nbsp;<em>Igreja: Carisma e Poder<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1987, viveu em Petr\u00f3polis e &#8220;a proximidade com a pessoa do Leonardo trouxe ainda mais for\u00e7a \u00e0queles seus escritos que tinham me marcado tanto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu vi nele a coer\u00eancia entre sua pr\u00e1tica e sua escrita, entre sua a\u00e7\u00e3o e sua teologia&#8221;, afirma. &#8220;Pr\u00e1xis. Compreendi na pele e na alma a mensagem do livro: o desafio de manter o equil\u00edbrio entre a for\u00e7a fundante do amor e a raz\u00e3o opressora da institucionaliza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00fasico e fil\u00f3sofo S\u00e9rgio Messias Guimar\u00e3es orgulha-se de ter integrado o grupo que criou o CDDH em 1979. &#8220;[Vi] as consequ\u00eancias: tudo o que Leonardo sofreu a partir de&nbsp;<em>Igreja: Carisma e Poder<\/em>. A obra veio questionar pr\u00e1ticas equivocadas internamente, liturgicamente, teologicamente e pastoralmente. Pr\u00e1ticas de centenas de anos. O livro questiona de maneira contundente, da\u00ed ganhou uma import\u00e2ncia tamanha&#8221;, relata ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ratzinger, com seu conservadorismo, traduziu essa linha [conservadora] de Jo\u00e3o Paulo 2\u00ba. A\u00ed chegou a bater forte em Leonardo, por conta dos questionamentos importantes feitos por esse livro&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A relev\u00e2ncia da obra continua forte porque ela evoca mudan\u00e7as na Igreja. Jesus colocou muito claramente no evangelho o amor para o outro, o cuidado para o outro, principalmente para aquele que precisa mais, sofre mais as consequ\u00eancias da sociedade que n\u00e3o permite que todos tenham seus direitos b\u00e1sicos respeitados. Boff continua presente, atual. No papado de Francisco, o livro se torna um grande ponto de refer\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Guimar\u00e3es acredita que a condena\u00e7\u00e3o de Boff tenha sido pelo conjunto de sua atua\u00e7\u00e3o. &#8220;O livro foi a gota d&#8217;\u00e1gua por certos questionamentos que ele vinha fazendo e pela pr\u00f3pria teologia da liberta\u00e7\u00e3o&#8221;, defende.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a educadora e militante M\u00e1rcia Monteiro da Silva Miranda, com quem Boff vive oficialmente desde que largou a batina, em 1992, a repercuss\u00e3o do livro \u00e9 resultante do fato de que, no per\u00edodo da ditadura, &#8220;setores da Igreja lutaram pelos direitos das pessoas e setores conservadores da Igreja achavam que a Igreja n\u00e3o podia se misturar com pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como se o fato de eles n\u00e3o falarem nada [sobre o regime ditatorial] tamb\u00e9m n\u00e3o fosse um posicionamento pol\u00edtico&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Leonardo foi muito prof\u00e9tico, mas ele \u00e9 um homem transparente, que acredita no que fala. O que ele fala \u00e9 a partir do que reflete, estuda. Mas ele n\u00e3o \u00e9 um acad\u00eamico que fica s\u00f3 estudando. Ele \u00e9 um homem de f\u00e9 e andou sempre em contato com a situa\u00e7\u00e3o do povo. Isso tornou forte o pensamento dele&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Miranda acredita que a puni\u00e7\u00e3o sofrida por seu companheiro tornou sua obra ainda mais reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acredito que Deus escreve certo por linhas tortas&#8221;, sentencia. &#8220;O fato de ele ser punido, calado, serviu para disseminar ainda mais a teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Tornou-se uma coisa que se espalhou, se esparramou e vai at\u00e9 hoje adubando a f\u00e9, inclusive para irm\u00e3os crist\u00e3os evang\u00e9licos e outras religi\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3s.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Legado-\">Legado<\/h2>\n\n\n\n<p>Boff ressalta que seu livro teve o m\u00e9rito de provocar uma grande discuss\u00e3o teol\u00f3gica no cerne do catolicismo. &#8220;[Contudo] foi um grave equ\u00edvoco cometido pelas autoridades doutrinais do Vaticano terem entendido de forma err\u00f4nea o t\u00edtulo do meu livro&#8221;, acredita ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Entenderam&nbsp;<em>Igreja: Carisma ou Poder<\/em>. Tenho afirmado a legitimidade do carisma e do poder na Igreja, poder para organizar internamente a comunidade no esp\u00edrito dos evangelhos e carisma para abrir-se ao novo e \u00e0s iniciativas exigidas pelos tempos cambiantes. Mas tenho insistido na tese: na rela\u00e7\u00e3o entre poder e carisma deve-se partir sempre do carisma e n\u00e3o do poder&#8221;, explica ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim, o carisma impede o poder de se autonomizar e o confirma sempre como servi\u00e7o. Se partirmos do poder, este enquadrar\u00e1 o carisma, tirar-lhe-\u00e1 a forma de inova\u00e7\u00e3o e de abertura de novos caminhos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa foi a trag\u00e9dia do carisma na Igreja: figuras carism\u00e1ticas \u2014 aqui no sentido de inovadores e n\u00e3o do movimento carism\u00e1tico \u2014 e os profetas foram, geralmente, vigiados, cerceados, perseguidos, punidos e at\u00e9 condenados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o historiador, fil\u00f3sofo e te\u00f3logo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, um ponto-chave para compreender&nbsp;<em>Igreja: Carisma e Poder<\/em>&nbsp;\u00e9 entender que, na Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, &#8220;a teologia aparece sempre como um segundo ato&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O primeiro ato, o mais importante, \u00e9 a experi\u00eancia de f\u00e9 dentro das comunidades. E foi dentro dessas comunidades que a experi\u00eancia crist\u00e3 foi mostrando para Boff que a Igreja que se conhece era uma Igreja hier\u00e1rquica, europeia, medieval, uma Igreja que estrutura e combina o poder temporal com o poder espiritual. Essa Igreja estava em uma dire\u00e7\u00e3o completamente contr\u00e1ria. Ent\u00e3o [sua obra] aponta para uma luta contra o clericalismo, contra essa ordem hierarquizada&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 como se ele dissesse que o poder nasce dentro da Igreja, mas da Igreja que s\u00e3o essas pessoas pobres, humilhadas sofridas, oprimidas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isso, a obra pode ser definida como prof\u00e9tica, segundo explica o professor. Boff cobra uma Igreja que abandone o estilo mon\u00e1rquico, os t\u00edtulos, os cargos \u2014 e brote justamente dos mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme diz Moraes, os te\u00f3logos da liberta\u00e7\u00e3o estavam preocupados com a ortopraxia em vez da ortodoxia. &#8220;Para eles, melhor do que a opini\u00e3o correta, \u00e9 a pr\u00e1tica correta. \u00c9 nessa dire\u00e7\u00e3o que Boff vai&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Igreja: Carisma e Poder<\/em>&nbsp;tornou-se fundamental nas bibliografias da \u00e1rea. &#8220;A obra de Boff vai perdurar por muito tempo ainda, porque \u00e9 consistente. \u00c9 de uma teologia desafiadora, que faz as pessoas sonharem com um verdadeiro poder: o poder do cristianismo aut\u00eantico e n\u00e3o a estrutura fechada, engessada, do clericalismo que se torna protecionista de coisas erradas&#8221;, avalia Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sua obra vai continuar existindo e resistindo ao tempo porque \u00e9 uma fonte de utopia, uma fonte teol\u00f3gica de sonhos, de possibilidades de concretiza\u00e7\u00e3o no mundo real das expectativas da caminhada de f\u00e9.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressalta que o te\u00f3logo ainda tem a habilidade de tratar de coisas profundas de um jeito simples, dirigindo-se ao homem comum, sendo de f\u00e1cil compreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Doutora em Filosofia pela Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana de Roma e pesquisadora do Instituto de Ensino e Assist\u00eancia Social (IEAS), a religiosa Dulcelene Ceccato, da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s do Divino Salvador ressalta a relev\u00e2ncia mundial de Boff.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele n\u00e3o \u00e9 apenas um autor, ele \u00e9 uma escola de pensamento, tanto teol\u00f3gico como tamb\u00e9m filos\u00f3fico. Como poucos, ou melhor, como os melhores e o maiores autores contempor\u00e2neos, possui uma obra ampla, sistematizada em muitos livros e artigos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao condenar Boff, a Igreja tinha como &#8220;meta atingir a mente mais l\u00facida da Am\u00e9rica Latina e Caribe para calar o pensamento em favor do mundo dos pobres&#8221;, defende o o fil\u00f3sofo e te\u00f3logo Fernando Altemeyer Junior, professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP). &#8220;A estrat\u00e9gia persistiu at\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o do papa Francisco, quando voltamos a ter oxig\u00eanio para fazer teologia. Superou-se o verdadeiro inverno eclesial e eclesi\u00e1stico que durou 40 anos. Um verdadeiro deserto para os intelectuais cat\u00f3licos&#8221;, diz o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A cristologia latino-americana que se fez a partir da dor humana, especialmente da humanidade padecente em sua carne e corpo, nas ditadores militares foi calada e perseguida dentro da pr\u00f3pria Igreja&#8221;, comenta Altemeyer. &#8220;A cristologia europ\u00e9ia se fez a partir do conhecimento humano e da ang\u00fastia existencial em sua alma e mente. A cristologia latino-americana vem de baixo para cima. Do hist\u00f3rico de Jesus ao ser de Jesus. Do ser de Jesus ao ser de Deus. \u00c9 alinhada \u00e0 escola teol\u00f3gica de Antioquia, ao pensamento dos primeiros evangelistas e a S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo. Fazer teologia muda a vida dos te\u00f3logos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Susin, a riqueza intelectual de Boff acabou se tornando mais vis\u00edvel com a &#8220;mudan\u00e7a de foco&#8221; depois de desligar-se do sacerd\u00f3cio, em 1992. &#8220;Ele vinha prestando aten\u00e7\u00e3o, pesquisando e come\u00e7ando a escrever a respeito de ecologia em di\u00e1logo com as ci\u00eancias. Sua decis\u00e3o foi privilegiar a interlocu\u00e7\u00e3o com a sociedade e n\u00e3o mais com a Igreja, ao menos no foco central de seu trabalho&#8221;, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Continua tendo lealdade de perten\u00e7a \u00e0 Igreja e fala dela com propriedade, mas cresceu em sua lideran\u00e7a em termos de \u00e9tica e espiritualidade ecol\u00f3gicas. Inovou em sua insist\u00eancia numa ecologia integral, assumida agora pelo papa Francisco&#8221;, comenta ele. &#8220;Mas seus livros de teologia da primeira fase t\u00eam ainda consist\u00eancia e conservam atra\u00e7\u00e3o por uma das caracter\u00edsticas de seu estilo, uma linguagem quase jornal\u00edstica, de cr\u00f4nica e algo de poesia. Este outro lado m\u00edstico e entusiasta, e n\u00e3o apenas cr\u00edtico, ou prof\u00e9tico, em termos mais b\u00edblicos, est\u00e1 presente ao longo de sua produ\u00e7\u00e3o, o que o torna um escritor rico e complexo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Pontificado-de-Francisco\">Pontificado de Francisco<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;A teologia de Boff e tantos pensadores do hemisf\u00e9rio sul participa da esperan\u00e7a libertadora dos povos crucificados. \u00c9 uma cristologia ascendente, inspirada em textos cl\u00e1ssicos dos aristot\u00e9licos e tomistas&#8221;, explica Altemeyer. &#8220;[Por outro lado,] a teologia europeia trabalha a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo como manifesta\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus. \u00c9 uma teologia descendente, inspirada em textos cl\u00e1ssicos dos plat\u00f4nicos e agostinianos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A influ\u00eancia do pensamento de Boff sobre o papado de Francisco transparece em algumas de suas manifesta\u00e7\u00f5es e em documentos oficiais, como na enc\u00edclica dedicada ao meio ambiente, a Laudato Si&#8217;, de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o frei Marcelo Toyansk Guimar\u00e3es, da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a, Paz e Integridade da Cria\u00e7\u00e3o dos Frades Capuchinhos e assessor da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da CNBB-SP, \u00e9 vis\u00edvel como esse modo de pensar ecoa no atual pontificado. &#8220;Podemos ver nas homilias do papa, que ele chama fortemente a c\u00faria romana \u00e0 convers\u00e3o&#8221;, pontua. &#8220;Isto est\u00e1 escancarado, estamos \u00e0 beira de uma reforma mais consistente da pr\u00f3pria c\u00faria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;[No livro,] Boff discorre sobre viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no interior da Igreja. A Igreja precisa estar aberta a cr\u00edticas para ajudar na revis\u00e3o de posicionamentos&#8221;, prossegue. &#8220;Vemos em Francisco como isso acontece de forma mais fluida, quando ele diz toler\u00e2ncia zero com rela\u00e7\u00e3o a abusos e quando ele se posiciona de forma muito firme em rela\u00e7\u00e3o aos clericalismos, dizendo que \u00e9 um grande mal da Igreja.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O debate trazido por Boff \u00e9 repetido pelo papa, que nos provoca hoje a fazer uma Igreja a partir dos pobres, que tenha o leigo como protagonista, que seja sinodal&#8221;, resume o religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Susin atenta que a Igreja, pelo &#8220;peso do dinossauro&#8221;, enfrenta a &#8220;dificuldade da reforma&#8221;. &#8220;A tradi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 sua riqueza e sua gl\u00f3ria, \u00e9 tamb\u00e9m sua mis\u00e9ria quando se trata da estrutura de poder, e na submiss\u00e3o da doutrina e at\u00e9 do evangelho ao direito can\u00f4nico, comenta. &#8220;A c\u00faria romana tem a estrutura de uma corte do s\u00e9culo 17I na Fran\u00e7a, cheia de t\u00edtulos, v\u00eanias e medalhas. \u00c9 nas \u00e1reas mission\u00e1rias, de fronteiras, exatamente onde ela parece mais prec\u00e1ria, que ela apresenta mais criatividade carism\u00e1tica e mais vitalidade genuinamente evang\u00e9lica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com a enorme extens\u00e3o dos pontificados de Jo\u00e3o Paulo 2\u00ba somando-lhe a continuidade em Bento 16 acabou se fortificando na Igreja o que o papa Francisco tem chamado de clericalismo, um interesse ligado ao poder que se afirma sobre a postura de que o clero \u00e9 a \u00fanica media\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o&#8221;, explica ele. &#8220;As atuais tens\u00f5es dentro da c\u00faria romana e as contraposi\u00e7\u00f5es nem sempre t\u00e3o veladas de um clero mais conservador em diversos pa\u00edses, como os Estados Unidos, e o papa Francisco mostram que a an\u00e1lise do poder ainda precisa ser feita, \u00e9 tarefa incompleta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ceccato lembra que o te\u00f3logo brasileiro foi pioneiro nas reflex\u00f5es sobre &#8220;a grave problem\u00e1tica ecol\u00f3gica&#8221;, propondo &#8220;os par\u00e2metros para uma ecologia integral, que o papa Francisco retoma na enc\u00edclica Laudato Si'&#8221;. &#8220;Pode ser dizer que essa \u00e9 a obra de Leonardo Boff que continua sendo escrita com criatividade, intelig\u00eancia e, cada vez mais, marcada por uma profunda m\u00edstica franciscana que aponta para o amor misericordioso de Deus e a fraternidade universal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o cabe d\u00favidas que a teologia sul-americana, nos \u00faltimos 50 anos, deu muitos passos na reflex\u00e3o teol\u00f3gica&#8221;, afirma a religiosa. &#8220;Basta ver a import\u00e2ncia da problem\u00e1tica ecol\u00f3gica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Boff n\u00e3o esconde que h\u00e1 um alinhamento entre seu pensamento e o atual pontificado. &#8220;A pr\u00e1tica e a mensagem do atual papa se situam perfeitamente dentro da perspectiva carism\u00e1tica defendida por meu livro &#8216;Igreja: Carisma e Poder&#8217;. Ele disse sucessivas vezes que n\u00e3o vai dirigir a Igreja com o uso do poder, que n\u00e3o condenar\u00e1 ningu\u00e9m e que far\u00e1 o poss\u00edvel para viver uma Igreja sinodal que \u00e9 outro nome para uma Igreja de comunh\u00e3o&#8221;, ressalta ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pelo fato de se negar viver num pal\u00e1cio mas preferir a casa da h\u00f3spedes, mostra na pr\u00e1tica a dist\u00e2ncia do s\u00edmbolo do poder, um pal\u00e1cio, e sua proximidade do lugar comum a todos, uma casa. Ele est\u00e1 mais perto da gruta de Bel\u00e9m do que dos pal\u00e1cios dos pr\u00edncipes renascentistas, muitos deles eleitos papas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14\/06\/2021 Aquele padre j\u00e1 estava incomodando bastante os c\u00edrculos mais conservadores da Igreja Cat\u00f3lica. No comecinho dos anos 1980, a atua\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o frade franciscano Leonardo Boff repercutia social e politicamente, justamente pela atua\u00e7\u00e3o \u00e0 frente da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, corrente crist\u00e3 que enfatiza como necess\u00e1ria a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres. 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