{"id":900,"date":"2021-08-10T02:42:00","date_gmt":"2021-08-10T02:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=900"},"modified":"2021-08-31T02:45:09","modified_gmt":"2021-08-31T02:45:09","slug":"objeto-egipcio-de-2-mil-anos-desvenda-misterio-genetico-de-vida-amorosa-das-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/objeto-egipcio-de-2-mil-anos-desvenda-misterio-genetico-de-vida-amorosa-das-plantas\/","title":{"rendered":"Objeto eg\u00edpcio de 2 mil anos desvenda mist\u00e9rio gen\u00e9tico de &#8216;vida amorosa das plantas&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>10\/08\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Objeto encontrado em cemit\u00e9rio com milh\u00f5es de animais mumificados revelou &#8220;complexa vida amorosa&#8221; de colheita consumida por milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como uma hist\u00f3ria de detetive fascinante, descreve o pesquisador colombiano \u00d3scar A. P\u00e9rez Escobar \u00e0 BBC News Mundo, o servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista, dos Reais Jardins Bot\u00e2nicos de Kew, em Londres, no Reino Unido, e seus colegas revelaram como era a complexa &#8220;vida amorosa&#8221; de uma planta s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>E fizeram isso gra\u00e7as a um objeto que algu\u00e9m enterrou, h\u00e1 mais de 2 mil anos, em um cemit\u00e9rio eg\u00edpcio de animais mumificados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Decifrar os segredos gen\u00e9ticos desse artefato permitiu desvendar a domestica\u00e7\u00e3o de uma planta cujo fruto \u00e9 consumido por milh\u00f5es de pessoas ao redor do mundo: a tamareira.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>E essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para o futuro, diz P\u00e9rez Escobar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 um dos principais autores do novo estudo sobre essa descoberta, publicado na revista cient\u00edfica Molecular Biology and Evolution e resultado de um esfor\u00e7o internacional. Os pesquisadores do Kew trabalharam em coopera\u00e7\u00e3o com 15 institui\u00e7\u00f5es em quatro continentes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O estudo foi feito a partir da chamada &#8220;arqueogen\u00f4mica&#8221;, ci\u00eancia que o cientista compara a uma &#8220;m\u00e1quina do tempo&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>P\u00e9rez Escobar conversou com a BBC News Mundo, o servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC, sobre a descoberta, sua import\u00e2ncia diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a voca\u00e7\u00e3o que descobriu entre as orqu\u00eddeas nas florestas nubladas da Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Onde foi encontrado o artefato eg\u00edpcio que revelou, como o Sr. diz, &#8220;a vida amorosa&#8221; desta planta h\u00e1 milhares de anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:\u00a0<\/strong>O objeto que estudamos foi encontrado na necr\u00f3pole animal de Saqqara, no Egito. O local \u00e9 de grande interesse arqueol\u00f3gico porque ali foram encontrados milh\u00f5es de animais mumificados, entre outros artefatos, que permitiram compreender os modos de vida e a evolu\u00e7\u00e3o das sociedades eg\u00edpcias em diferentes per\u00edodos do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O artefato tem 2,1 mil anos de acordo com a an\u00e1lise de data\u00e7\u00e3o por is\u00f3topos de carbono-14.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi encontrado durante uma expedi\u00e7\u00e3o liderada em 1971 pela Sociedade de Explora\u00e7\u00e3o Eg\u00edpcia (atualmente, Minist\u00e9rio das Antiguidades Eg\u00edpcias) e estudado pela primeira vez pelo bot\u00e2nico ingl\u00eas Frank Nigel Hepper (1929-2013), que era associado aos Reais Jardins Bot\u00e2nicos de Kew na \u00e9poca. O objeto foi doado pela Sociedade Eg\u00edpcia de Explora\u00e7\u00e3o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica para pesquisas cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: No estudo, o Sr. e seus colegas descrevem o artefato como misterioso. Sabemos para que ele era usado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:<\/strong>&nbsp;Quando o artefato foi encontrado, pensava-se que fosse uma esp\u00e9cie de suporte para apoiar a cabe\u00e7a, mas n\u00e3o havia registros semelhantes de objetos com essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, um objeto semelhante encontrado na mesma localidade, mas melhor documentado, indica que seu verdadeiro uso era para veda\u00e7\u00e3o de vasos para armazenamento de l\u00edquidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: O Sr. poderia nos explicar como foi dif\u00edcil extrair o material gen\u00e9tico, bem como o esfor\u00e7o exigido para faz\u00ea-lo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e9rez Escobar: Foi um verdadeiro desafio acessar o c\u00f3digo gen\u00e9tico de nossa amostra arqueol\u00f3gica, que no estudo chamamos de &#8220;tamareira de Saqqara&#8221;. Em compara\u00e7\u00e3o com restos arqueol\u00f3gicos de animais, os tecidos vegetais geralmente n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem preservados, especialmente em escalas de tempo de milhares de anos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Isso ocorre principalmente porque os ossos tendem a preservar melhor o DNA e n\u00e3o se comparam \u00e0 cut\u00edcula ou \u00e0 lignina das plantas, que s\u00e3o barreiras protetoras mais fracas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Como o Sr. e sua equipe conseguiram sequenciar esse material gen\u00e9tico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:<\/strong>&nbsp;Foram necess\u00e1rios experimentos equivalentes a um ano de trabalho (realizados na Universidade de Potsdam, na Alemanha) para conseguir obter uma representa\u00e7\u00e3o \u00fatil do c\u00f3digo gen\u00e9tico desse objeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos que sequenciar repetidamente milh\u00f5es de fragmentos de DNA da tamareira de Saqqara porque, devido \u00e0 sua idade, o DNA estava em um grau bastante avan\u00e7ado de deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, uma vez separada a folha de tamareira usada para fazer as estampas de vasos naquela \u00e9poca, seu c\u00f3digo gen\u00e9tico ou DNA deixa de ser reparado e come\u00e7a a se quebrar em bilh\u00f5es de fragmentos, ou a reunir muta\u00e7\u00f5es artificiais nesses fragmentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos desses dois processos se acumulam exponencialmente com o tempo. Al\u00e9m disso, as folhas das tamareiras s\u00e3o muito ricas em fibras, que n\u00e3o armazenam tanto DNA quanto os tecidos mais suculentos, como sementes ou folhas de outras culturas, como oliveira ou milho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m havia extra\u00eddo DNA de antigos tecidos de tamareira at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: O que o Sr. descobriu sobre a hist\u00f3ria dessa tamareira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:&nbsp;<\/strong>Nosso estudo revelou pela primeira vez que a tamareira que consumimos hoje&nbsp;teve um caso de amor com duas outras tamareiras&nbsp;estreitamente relacionadas conhecidas como Phoenix sylvestris (ou Tamareira-silvestre, tamb\u00e9m chamada de tamareira-de-a\u00e7\u00facar) e a Phoenix theophrasti (ou Tamareira-de-Creta), que s\u00e3o encontradas atualmente em localidades onde a tamareira que conhecemos n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>(A tamareira-de-Creta \u00e9 encontrada nas \u00e1reas costeiras de Creta e Turquia, e a tamareira-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 uma esp\u00e9cie asi\u00e1tica t\u00edpica de Bangladesh e do sudeste da \u00cdndia ao Nepal, Paquist\u00e3o e Himalaia Ocidental.)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Como essas esp\u00e9cies se cruzaram?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:&nbsp;<\/strong>Uma hip\u00f3tese \u00e9 que elas se cruzaram por meio do com\u00e9rcio entre humanos. Outra hip\u00f3tese \u00e9 que as outras tamareiras compartilhavam as mesmas \u00e1reas, mas posteriormente, com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, elas acabaram ficando isoladas uma das outras.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Gra\u00e7as ao DNA extra\u00eddo da estampa do vaso, podemos assegurar com certeza que essas rela\u00e7\u00f5es amorosas j\u00e1 teriam ocorrido h\u00e1 2,1 mil anos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Por que \u00e9 t\u00e3o importante descobrir com quais esp\u00e9cies a tamareira de Saqqara cruzou no passado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:&nbsp;<\/strong>Isso \u00e9 superinteressante porque nosso estudo nos mostra que a vida das plantas \u00e9 muito mais complicada do que parece, e \u00e0s vezes envolve outras esp\u00e9cies que n\u00e3o t\u00eam utilidade aparente para os humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essas esp\u00e9cies\u00a0podem guardar em seus c\u00f3digos gen\u00e9ticos o segredo para resistir a condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas ou doen\u00e7as, gra\u00e7as a genes que geralmente podem ser perdidos no processo de domestica\u00e7\u00e3o de uma cultura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Revelar a domestica\u00e7\u00e3o de safras de milhares de anos atr\u00e1s pode ser a chave para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:&nbsp;<\/strong>Saber de onde v\u00eam as plantas que atualmente consumimos e a forma e o tempo da sua domestica\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00e9 de vital import\u00e2ncia para o melhoramento dessas mesmas culturas, principalmente nas condi\u00e7\u00f5es em que vivemos atualmente, com um clima que muda muito rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Saber de onde v\u00eam essas safras \u00e9 essencial para encontrar parentes selvagens com genes que podem ser \u00fateis para o cultivo em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas ou sob a press\u00e3o de doen\u00e7as emergentes.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No caso do nosso estudo, saber que a tamareira compartilha genes com esp\u00e9cies pr\u00f3ximas \u00e9 muito \u00fatil porque indica que, quando necess\u00e1rio, poder\u00edamos produzir t\u00e2maras mais robustas em climas \u00e1ridos ou com maior produ\u00e7\u00e3o de frutos por planta, por meio do cruzamento de cultivos de tamareiras e esp\u00e9cies pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: O estudo que o Sr. e sua equipe conduziram \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o arqueogen\u00f4mica. O que \u00e9 exatamente essa ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:&nbsp;<\/strong>A arqueogen\u00f4mica tem sido extremamente \u00fatil, por exemplo, na compreens\u00e3o de fen\u00f4menos como a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e neandertais.<\/p>\n\n\n\n<p>Consiste basicamente em acessar fragmentos do c\u00f3digo gen\u00e9tico de restos vegetais ou animais preservados em condi\u00e7\u00f5es especiais (facilitadas por climas especialmente quentes e secos, ou preservados da luz solar).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O trabalho da arqueogen\u00f4mica em plantas \u00e9 um pouco parecido com o trabalho que um detetive faz ao compilar evid\u00eancias quando h\u00e1 suspeita de um evento incomum.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No caso da tamareira, estudos anteriores j\u00e1 indicavam que ela tinha parte de seu DNA compartilhado com a tamareira-de-Creta, mas n\u00e3o se sabia quando esse caso de amor ocorreu. Gra\u00e7as \u00e0 arqueogen\u00f4mica, pudemos desvendar esses mist\u00e9rios e fornecer uma poss\u00edvel data de quando essas trocas j\u00e1 haviam ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Qu\u00e3o recente \u00e9 a arqueogen\u00f4mica e em que medida ela foi possibilitada pela revolu\u00e7\u00e3o nas t\u00e9cnicas de sequenciamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:<\/strong>&nbsp;O acesso ao c\u00f3digo gen\u00e9tico de fragmentos de plantas ou animais com centenas ou milhares de anos vem se desenvolvendo h\u00e1 duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas. Mas naquela \u00e9poca, devido a limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, era poss\u00edvel acessar um n\u00famero muito limitado de fragmentos de DNA e, portanto, pod\u00edamos aprender muito pouco sobre um determinado objeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, gra\u00e7as \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do sequenciamento paralelo de milh\u00f5es de fragmentos de DNA (o que chamamos de nova gera\u00e7\u00e3o ou sequenciamento gen\u00f4mico em alguns casos) extra\u00eddos de fragmentos de plantas ou animais antigos, podemos acessar representa\u00e7\u00f5es inteiras do c\u00f3digo gen\u00e9tico de um indiv\u00edduo que existiu centenas ou milhares de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, dada a complexidade dos c\u00f3digos gen\u00e9ticos das plantas e o grau de deteriora\u00e7\u00e3o dos tecidos das plantas ou animais com milhares de anos, esta \u00e9 uma tarefa sempre complicada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: A arqueogen\u00f4mica est\u00e1 ent\u00e3o abrindo um novo mundo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:&nbsp;<\/strong>Diria que sim! A arqueogen\u00f4mica \u00e9 como uma m\u00e1quina do tempo, em que temos uma oportunidade quase \u00fanica de voltar ao passado, em um determinado per\u00edodo de tempo, e obter segredos intimamente ligados \u00e0 exist\u00eancia do ser humano, sobre as plantas ou animais dos quais dependemos.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento de novas tecnologias em um futuro n\u00e3o muito distante nos permitir\u00e1 ir facilmente al\u00e9m do c\u00f3digo gen\u00e9tico e at\u00e9 ter uma ideia muito detalhada, por exemplo, da prote\u00edna ou do conte\u00fado nutricional de plantas com milhares de anos, das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas espec\u00edficas da \u00e9poca em que viveram ou como era sua apar\u00eancia f\u00edsica em grandes detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Seu trabalho poderia ser aplicado a outras culturas no futuro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar<\/strong>: Uma das culturas em que a arquegen\u00f4mica pode ser aplicada \u00e9 a oliveira (Olea europaeai). No Kew Gardens, existem cole\u00e7\u00f5es preciosas de sementes que foram encontradas no sarc\u00f3fago do Fara\u00f3 Tutankhamon! Al\u00e9m disso, existe uma grande quantidade de material com seu c\u00f3digo gen\u00e9tico bem caracterizado que pode ser acessado gratuitamente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Atualmente, a oliveira \u00e9 uma cultura que est\u00e1 tremendamente amea\u00e7ada por&nbsp;uma bact\u00e9ria que est\u00e1 causando a morte massiva de \u00e1rvores na It\u00e1lia, Espanha e Gr\u00e9cia, e estima-se que possa causar enormes preju\u00edzos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A arqueogen\u00f4mica pode nos ajudar a entender quando essa bact\u00e9ria come\u00e7ou a afetar as oliveiras e se alguns gen\u00f3tipos no passado eram resistentes a essa doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Como voc\u00ea veio trabalhar no Kew Gardens e como nasceu sua paix\u00e3o por plantas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:&nbsp;<\/strong>Trabalho na Kew h\u00e1 cinco anos. Vim como pesquisador de p\u00f3s-doutorado ap\u00f3s terminar meu doutorado em evolu\u00e7\u00e3o e sistem\u00e1tica de orqu\u00eddeas na Universidade de Munique, na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, desde 2019, tenho a grande sorte de trabalhar como pesquisador l\u00edder.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha paix\u00e3o por plantas come\u00e7ou quando aprendi bot\u00e2nica durante minha gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Nacional da Col\u00f4mbia, quando tinha 17 anos. Fiz viagens de campo para florestas nubladas na cordilheira dos Andes do Norte, experi\u00eancias lindas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei fascinado naquela \u00e9poca em saber como \u00e9 poss\u00edvel que em espa\u00e7os t\u00e3o pequenos houvesse uma densidade t\u00e3o grande de plantas, e por entender como elas evolu\u00edram em escalas de tempo longas (milh\u00f5es de anos) e mais recentes (centenas a milhares de anos).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: O que o Sr. sente hoje quando segura em suas m\u00e3os o artefato eg\u00edpcio de mais de 2 mil anos que est\u00e1 revelando esses segredos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:<\/strong>&nbsp;Uma grande curiosidade. Por exemplo, n\u00e3o posso deixar de imaginar quanto tempo demorou para elabor\u00e1-lo, como foi valorizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas s\u00e3o apenas algumas das quest\u00f5es que passam pela minha cabe\u00e7a cada vez que visito a nossa cole\u00e7\u00e3o e vejo estes objetos com milhares de anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Mundo: Esses objetos ainda devem conter muitos segredos&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P\u00e9rez Escobar:\u00a0<\/strong>Uma mensagem muito importante do nosso estudo \u00e9 que\u00a0ainda h\u00e1 muito o que entender a respeito da origem e evolu\u00e7\u00e3o das plantas das quais os humanos dependem.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos fundos de pesquisa foram investidos nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas em tamareiras, uma cultura que movimenta milh\u00f5es de d\u00f3lares em diferentes economias do mundo, mas as lacunas de conhecimento que ainda existem s\u00e3o grandes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, n\u00e3o entendemos com certeza todas as rela\u00e7\u00f5es de parentesco das 14 esp\u00e9cies de tamareiras que existem no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, por mais que algo pare\u00e7a que j\u00e1 foi estudado, sempre h\u00e1 algo novo para descobrir!<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10\/08\/2021 Objeto encontrado em cemit\u00e9rio com milh\u00f5es de animais mumificados revelou &#8220;complexa vida amorosa&#8221; de colheita consumida por milh\u00f5es de pessoas. \u00c9 como uma hist\u00f3ria de detetive fascinante, descreve o pesquisador colombiano \u00d3scar A. P\u00e9rez Escobar \u00e0 BBC News Mundo, o servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC. O cientista, dos Reais Jardins Bot\u00e2nicos de [&#8230;]\n","protected":false},"author":1,"featured_media":901,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[24,23],"tags":[69,52,309,209,102],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=900"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":902,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/900\/revisions\/902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}