{"id":903,"date":"2021-08-11T02:45:00","date_gmt":"2021-08-11T02:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=903"},"modified":"2021-08-31T02:47:50","modified_gmt":"2021-08-31T02:47:50","slug":"mudanca-do-clima-acelera-criacao-de-deserto-do-tamanho-da-inglaterra-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/mudanca-do-clima-acelera-criacao-de-deserto-do-tamanho-da-inglaterra-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a do clima acelera cria\u00e7\u00e3o de deserto do tamanho da Inglaterra no Nordeste"},"content":{"rendered":"\n<p>11\/08\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), divulgado em 9\/8, refor\u00e7a que o Brasil abriga uma das \u00e1reas do mundo onde a mudan\u00e7a do clima tem provocado efeitos mais dr\u00e1sticos: o Semi\u00e1rido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio aponta que, por causa da mudan\u00e7a do clima, a regi\u00e3o \u2014 que engloba boa parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais \u2014 j\u00e1 tem enfrentado secas mais intensas e temperaturas mais altas que as habituais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas condi\u00e7\u00f5es, aliadas ao avan\u00e7o do desmatamento na regi\u00e3o, tendem a agravar a desertifica\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 engloba uma \u00e1rea equivalente \u00e0 da Inglaterra (leia mais abaixo).<\/p>\n\n\n\n<p>Criado na ONU e integrado por 195 pa\u00edses, entre os quais o Brasil, o IPCC \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o global respons\u00e1vel por organizar o conhecimento cient\u00edfico sobre as mudan\u00e7as do clima.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento apresentado nesta segunda (AR6) \u00e9 o sexto relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o produzido desde a funda\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, em 1988.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"\u00c1rea-seca-mais-densamente-povoada\">&#8216;\u00c1rea seca mais densamente povoada&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;O Nordeste brasileiro \u00e9 a \u00e1rea seca mais densamente povoada do mundo e \u00e9 recorrentemente afetado por extremos clim\u00e1ticos&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O IPCC afirma que essas condi\u00e7\u00f5es devem se agravar: se na d\u00e9cada de 2030 o mundo deve atingir um aumento de 1,5\u00b0C em sua temperatura m\u00e9dia, em boa parte do Brasil os dias mais quentes do ano ter\u00e3o um aumento da temperatura at\u00e9 duas vezes maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rias partes do Semi\u00e1rido, isso significa ver\u00f5es com temperaturas frequentemente ultrapassando os 40\u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, segundo o IPCC, o mundo j\u00e1 teve um aumento de 1,1\u00b0C na temperatura m\u00e9dia em rela\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es pr\u00e9-industriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para limitar o grau do aquecimento, \u00e9 preciso que os pa\u00edses reduzam drasticamente as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa \u2014 como o g\u00e1s carb\u00f4nico, produzido pelo desmatamento e pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, e o metano, emitido pelo sistema digestivo de bovinos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Morte-da-vida-no-solo\">Morte da vida no solo<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o meteorologista e cientista do solo Humberto Barbosa, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), temperaturas extremas p\u00f5em em xeque a sobreviv\u00eancia no Semi\u00e1rido de micro-organismos que vivem no solo e s\u00e3o cruciais para a exist\u00eancia das plantas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois anos, Barbosa diz ter encontrado temperaturas de at\u00e9 48\u00b0C em solos degradados no interior de Alagoas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o crescia mais ali, independentemente se chovesse 500 mm, 700 mm ou 800 mm. N\u00e3o fazia mais diferen\u00e7a, pois toda a atividade biol\u00f3gica do solo n\u00e3o respondia mais&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem vida no solo, aquela regi\u00e3o se tornou des\u00e9rtica, como tem ocorrido em v\u00e1rias outras partes do Semi\u00e1rido.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Ufal, Barbosa coordena o Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise e Processamento de Imagens de Sat\u00e9lites (Lapis), que desde 2012 monitora a desertifica\u00e7\u00e3o no Semi\u00e1rido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, o laborat\u00f3rio revelou que 13% de toda a regi\u00e3o estava em est\u00e1gio avan\u00e7ado de desertifica\u00e7\u00e3o. Essa \u00e1rea engloba cerca de 127 mil quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na nossa regi\u00e3o, naturalmente n\u00e3o haveria um deserto, s\u00f3 que a gente tem hoje um deserto&#8221;, ele diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Barbosa explica: segundo a ci\u00eancia, climas des\u00e9rticos (ou \u00e1ridos) s\u00e3o aqueles onde o \u00edndice de chuvas \u00e9 inferior a 250 mm por ano. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a sobreviv\u00eancia de plantas e animais \u00e9 bastante dif\u00edcil \u2014 da\u00ed o aspecto vazio de boa parte das paisagens des\u00e9rticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o se aplicam a nenhuma regi\u00e3o do Brasil, nem mesmo o Semi\u00e1rido, que continua a receber entre 300 mm e 800 mm de chuvas ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a mudan\u00e7a do clima e o desmatamento criaram paisagens des\u00e9rticas na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O solo dessas regi\u00f5es foi perdendo a atividade biol\u00f3gica, embora as chuvas continuem acima do que se espera para uma regi\u00e3o des\u00e9rtica. Esse \u00e9 o paradoxo&#8221;, diz Barbosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afirma que, nesse est\u00e1gio, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel reverter o fen\u00f4meno. &#8220;O custo da recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas desertificadas \u00e9 alto, e no Brasil n\u00e3o temos capacidade econ\u00f4mica para fazer esse tipo de investimento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Maior-seca-da-hist\u00f3ria\">Maior seca da hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre 2012 e 2017, o Semi\u00e1rido enfrentou a maior seca desde que os n\u00edveis de chuva come\u00e7aram a ser registrados, em 1850. Essa seca, que \u00e9 atribu\u00edda \u00e0s&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cdr56rdy40rt\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>, ajudou a expandir as \u00e1reas desertificadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Barbosa diz que a pandemia dificultou a realiza\u00e7\u00e3o de viagens para medir o progresso da desertifica\u00e7\u00e3o ap\u00f3s 2019, mas tudo indica que o fen\u00f4meno segue avan\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea j\u00e1 desertificada equivale ao tamanho da Inglaterra, cerca de tr\u00eas vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro, ou a 23 vezes a \u00e1rea do Distrito Federal. Essas terras n\u00e3o s\u00e3o todas cont\u00edguas e ocupam diferentes partes do Semi\u00e1rido. Enfrentam, ainda, diferentes graus de desertifica\u00e7\u00e3o, embora em todas o fen\u00f4meno seja considerado praticamente irrevers\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos principais n\u00facleos de desertifica\u00e7\u00e3o ficam em Gilbu\u00e9s (PI), Irau\u00e7uba (CE), Cabrob\u00f3 (PE) e no Serid\u00f3 (RN).<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens de sat\u00e9lite mostram como os n\u00facleos t\u00eam crescido nas \u00faltimas d\u00e9cadas, enquanto as \u00e1reas verdes que os circundam v\u00e3o rareando.<\/p>\n\n\n\n<p>No n\u00facleo de Cabrob\u00f3, que ocupa uma vasta \u00e1rea nas duas margens do S\u00e3o Francisco, as poucas manchas verdes na paisagem se devem a lavouras irrigadas com a \u00e1gua do rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados mais impactados pela desertifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o Alagoas (com 32,8% de sua \u00e1rea total afetada pelo fen\u00f4meno), Para\u00edba (27,7%), Rio Grande do Norte (27,6%), Pernambuco (20,8%), Bahia (16,3%), Sergipe (14,8%), Cear\u00e1 (5,3%), Minas Gerais (2%) e Piau\u00ed (1,8%).<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Regi\u00e3o-mais-impactada-do-Brasil\">Regi\u00e3o mais impactada do Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>A desertifica\u00e7\u00e3o no Semi\u00e1rido brasileiro foi citada pelo IPCC em seu relat\u00f3rio anterior, de 2019, que teve o pesquisador Humberto Barbosa como coordenador de um cap\u00edtulo sobre degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio apontou que 94% da regi\u00e3o semi\u00e1rida brasileira est\u00e1 sujeita \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A regi\u00e3o semi\u00e1rida \u00e9 a mais impactada (pela mudan\u00e7a do clima) no Brasil, e \u00e9 a regi\u00e3o onde voc\u00ea tem os \u00edndices de desenvolvimento humano mais baixos do pa\u00eds&#8221;, afirma Barbosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o agravamento das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, diz ele, tende a se acelerar o \u00eaxodo de moradores rumo a outras partes do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11\/08\/2021 O \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), divulgado em 9\/8, refor\u00e7a que o Brasil abriga uma das \u00e1reas do mundo onde a mudan\u00e7a do clima tem provocado efeitos mais dr\u00e1sticos: o Semi\u00e1rido. 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