{"id":928,"date":"2021-08-31T01:09:00","date_gmt":"2021-08-31T01:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/?p=928"},"modified":"2021-09-01T01:14:17","modified_gmt":"2021-09-01T01:14:17","slug":"como-exercicio-fisico-pode-criar-neuronios-e-ajudar-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsanderluizqueirozsilva.com.br\/index.php\/como-exercicio-fisico-pode-criar-neuronios-e-ajudar-memoria\/","title":{"rendered":"Como exerc\u00edcio f\u00edsico pode criar neur\u00f4nios e ajudar mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p>31\/08\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Durante muito tempo a comunidade m\u00e9dica achou que novos neur\u00f4nios n\u00e3o poderiam ser gerados no c\u00e9rebro. O \u00f3rg\u00e3o era visto como uma entidade est\u00e1tica, que simplesmente se degenerava \u00e0 medida que envelhecemos ou devido a les\u00f5es cerebrais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a partir de descobertas da bi\u00f3loga Marian Diamond, da Universidade de Berkeley (Estados Unidos), em 1964, se demonstrou que o c\u00e9rebro adulto possui grande plasticidade, ou seja, capacidade de se adaptar, mudar e ser modelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os experimentos de Diamond foram pioneiros em identificar como as caracter\u00edsticas do ambiente afetam diretamente o surgimento e o desenvolvimento das c\u00e9lulas do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo se baseava na observa\u00e7\u00e3o de doze ratos que cresciam em uma gaiola com ambiente enriquecido (elementos para brincar ou correr na roda de fiar, companhia, alimenta\u00e7\u00e3o diversa) e outros doze que ficavam em uma gaiola pequena, isolados, sem est\u00edmulos sociais ou l\u00fadicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de oitenta dias, Diamond analisou seus c\u00e9rebros e descobriu que o c\u00f3rtex cerebral havia se modificado no grupo que ficava no ambiente enriquecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu c\u00f3rtex cerebral era mais extenso, devido ao crescimento dos dendritos dos neur\u00f4nios. Tamb\u00e9m foi observada a angiog\u00eanese &#8211; surgimento de mais vasos sangu\u00edneos -, o aumento do n\u00edvel do neurotransmissor acetilcolina e o aumento da prote\u00edna BDNF, um tipo de neurotrofina &#8211; subst\u00e2ncia que tem papel na regenera\u00e7\u00e3o de nervos perif\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa neurotrofina age principalmente no c\u00f3rtex cerebral e no hipocampo, \u00e1reas fundamentais para processos como o aprendizado e a mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados iniciais geraram in\u00fameros outros estudos com o objetivo de confirmar as descobertas e analisar o papel de cada um dos elementos que comp\u00f5em esse ambiente enriquecido em que viviam os ratos.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Neurog\u00eanese-e-exerc\u00edcio-f\u00edsico\">Neurog\u00eanese e exerc\u00edcio f\u00edsico<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde os estudos pioneiros sobre a neuroplasticidade, v\u00e1rias novas evid\u00eancias cient\u00edficas demonstraram como fatores como alimenta\u00e7\u00e3o, atividade cognitiva, ambiente social, novidades e exerc\u00edcio f\u00edsico s\u00e3o elementos que afetam esse fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses elementos \u00e9 o exerc\u00edcio f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00faltiplos benef\u00edcios do exerc\u00edcio f\u00edsico regular em diversas \u00e1reas da sa\u00fade foram amplamente demonstrados em estudos com humanos e animais, e s\u00e3o, em geral, bastante conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que muita gente n\u00e3o sabe \u00e9 que ele contribui tamb\u00e9m para a neurog\u00eanese, ou seja, a forma\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f4nios. O exerc\u00edcio tamb\u00e9m desempenha um papel importante na revers\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o de danos neurais existentes, tanto em mam\u00edferos quanto em peixes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender como esse processo ocorre e quais fatores o colocam em movimento pode<\/p>\n\n\n\n<p>ajudar a entender melhor problemas como a perda de mem\u00f3ria relacionada \u00e0 idade e talvez at\u00e9 prevenir doen\u00e7as neurodegenerativas como a doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro m\u00e9dio cont\u00e9m cerca de 100 bilh\u00f5es de c\u00e9lulas, a maioria das quais foi formada antes do nascimento. Novas c\u00e9lulas continuam a surgir e a crescer em grande quantidade, em um ritmo acelerado, na primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos, a neurog\u00eanese diminui gradualmente, mas o processo n\u00e3o para nem mesmo durante a velhice. Fatores neurotr\u00f3ficos ajudam a estimular e controlar esse processo e a BDNF \u00e9 o mais importante.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Entre-700-e-1500-novos-por-dia\">Entre 700 e 1.500 novos por dia<\/h2>\n\n\n\n<p>O principal local onde surgem novos neur\u00f4nios \u00e9 no giro parahipocampal, regi\u00e3o que envolve o hipocampo, mas tamb\u00e9m h\u00e1 outras regi\u00f5es do c\u00e9rebro que produzem novas c\u00e9lulas.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, uma equipe de pesquisa da Universidade de Harvard, liderada por Rudolph Tanzi, descobriu que essa regi\u00e3o pode produzir entre 700 e 1.500 novos neur\u00f4nios por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode n\u00e3o parecer muito quando voc\u00ea considera o n\u00famero total de neur\u00f4nios que temos. Mas mesmo esse pequeno n\u00famero tem valor, pois mant\u00e9m muitas conex\u00f5es neurais existentes ativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, embora a maioria das pessoas possa desenvolver novas c\u00e9lulas no c\u00e9rebro, o objetivo das pesquisas agora \u00e9 encontrar as melhores maneiras de fazer isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o n\u00famero de neur\u00f4nios puder ser aumentado ainda mais, \u00e9 poss\u00edvel que a fun\u00e7\u00e3o principal do hipocampo possa ser intensificada. Assim, a maneira como as pessoas aprendem novas informa\u00e7\u00f5es e acessam a mem\u00f3ria de curto e longo prazo poderia ser aprimorada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados at\u00e9 agora apoiam a hip\u00f3tese de que h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre exerc\u00edcio e neurog\u00eanese.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo de Diamond verificou que os ratos que fizeram exerc\u00edcio aer\u00f3bico por oito semanas tinham uma taxa de gera\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f4nios no hipocampos duas vezes maior do que o grupo de controle, que n\u00e3o praticava exerc\u00edcios. Embora a correla\u00e7\u00e3o esteja estabelecida, ainda falta comprovar a causalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese principal \u00e9 que, al\u00e9m de incentivar a produ\u00e7\u00e3o de BNDF, o exerc\u00edcio aer\u00f3bico pode ajudar a aumentar a produ\u00e7\u00e3o de uma enzima pelo f\u00edgado (Gpld1), que tamb\u00e9m pode ajudar na neurog\u00eanese.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se que o exerc\u00edcio acelera a matura\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas-tronco, ou seja, sua transforma\u00e7\u00e3o em c\u00e9lulas adultas totalmente funcionais e melhora o mecanismo de aprendizagem de longo prazo. Todos esses elementos s\u00e3o fundamentais para melhorar o aprendizado e a mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Como-reduzir-o-risco-de-doen\u00e7as-como-Alzheimer\">Como reduzir o risco de doen\u00e7as como Alzheimer?<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora muitas das descobertas sobre neurog\u00eanese venham de estudos com animais, as pessoas podem obter os mesmos benef\u00edcios cerebrais com exerc\u00edcios aer\u00f3bicos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o est\u00e1 claro que tipo de exerc\u00edcio aer\u00f3bio funciona melhor, nem por quanto tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem dados que sugerem uma recomenda\u00e7\u00e3o de 120-150 minutos de exerc\u00edcio de intensidade moderada por semana, mas ainda s\u00e3o necess\u00e1rias mais evid\u00eancias para confirmar essa conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos apontam a nata\u00e7\u00e3o como um dos esportes mais completos. Promove um benef\u00edcio cognitivo claro (melhorias nos processos de aten\u00e7\u00e3o, flexibilidade cognitiva, mem\u00f3ria) em jovens e idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, vale qualquer exerc\u00edcio f\u00edsico que aumente a frequ\u00eancia card\u00edaca, como esteira, bicicleta ou caminhada vigorosa. O c\u00e9rebro em movimento aprende mais r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Isabel Mar\u00eda Mart\u00edn Monz\u00f3n\u00a0\u00e9 doutora em neuropsicologia e professora da Universidade de Sevilla, na Espanha. Este artigo foi originalmente publicado no site The Conversation e foi replicado aqui com a licen\u00e7a Creative Commons.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA<br>Fonte: BBC Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>31\/08\/2021 Durante muito tempo a comunidade m\u00e9dica achou que novos neur\u00f4nios n\u00e3o poderiam ser gerados no c\u00e9rebro. 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